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Paradigma, razão e ilusão
O ser humano, conforme já tenho afirmado anteriormente, é uma empresa complexa, difícil de convivência, e se acha muito importante perante as outras espécies e até mesmo aos seus pares. Para viver, precisamos de um mínimo de orientação; dái o uso de artifícios místicos, religiosos e ilusórios, além da ideologia e de modelos ou padrões para nos conduzir no mundo. As pessoas não conseguem viver sem algo que acreditam, pois, assim, a vida se tornaria insuportável. Assim, surgiram as grandes idéias e teorias que se tornaram fundamentais para os indivíduos, os grupos sociais, as instituições e organizações. Na Idade Média, por exemplo, predominava a visão teocêntrica, de modo que não se admitia qualquer idéia ou ação contrária ao que a Igreja considerava importante; os dogmas eram tidos como absolutos, verdades inconfundíveis e que não deveriam e nem poderiam ser colocados em questão. Com o Renascimento, o paradigma religioso chega ao fim, de modo que o homem passa a ser visto como o centro das atenções; o ser humano é tido como sujeito, questionador e criador de idéias, de técnicas, de métodos e ações que, definitivamente, questionavam o paradigma religioso. Mais adiante, novas idéias e ações surgem, como o Iluminismo, por exemplo, cujo principio é a razão como elemento central, capaz de levar o ser humano a acreditar que, finalmente, a felicidade é possível, basta utilizar a razão, a objetividade e a criatividade, para , enfim, criar um novo mundo. As revoluções: industrial, francesa e americana, por exemplo, são frutos da razão humana colocada em prática. Mas, como se sabe, essa razão, tão propalada pelos iluministas, não trouxe tanta vantagem para a maioria, e muito menos a felicidade, como imaginavam: as guerras, as destruições em massa, as ditaduras, as torturas e assassinatos, são exemplos do mau uso da capacidade racional do homem. Os campos de concentração, seja de direita, como foi da parte do Nazismo na Alemanha, ou de esquerda, como foi o Stalinismo na Russia, demonstraram verdadeiros absurdos, inadmissíveis. Tudo foi feito em nome da razão. Ainda hoje se faz absurdo em nome de modelos, de idéias, da ciência e da racionalidade. E hoje somos reféns do mercado, iludidos com a idéia de que a capacidade de consumir, de comprar sempre mais e melhor, nos torna livre, potentes, importantes, como se fossemos melhores do que as outras espécies e do que nossos semelhantes. Os fatos e as péssimas condições de vida da maioria da população mundial, demonstram que estamos no caminho errado. A destruição do planeta, a violência, a corrupção, as guerras, a fome e a miséria, demonstram que a razão tem sido muito mais usada para a destruição. Mas poderia ser diferente sim, especialmente se todos admitirem o obvio: que somos frágeis, e que precisamos do outro para viver bem e melhor.
Escrito por João Nunes da Silva às 23h39
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E O MUNDO NÃO ACABOU
Quando menino acreditava em coisas do tipo estórias de Trancoso, personagens folclóricos, como a mula sem cabeça, o Saci Pererê, entre outros. Nesses últimos, incluo algumas coisas do tipo o fim do mundo, inclusive com data marcada e tudo. Isso me incomodava tanto que até chegava a não dormir, tamanha era a minha preocupação. Pois bem, veja que historia tenho para contar; é que lá em Campina grande, tinha uma seita conhecida como os “Borboletas Azuis”, nome esse que surgiu porque os seus fiéis se vestiam de azul e branco; usavam uma roupa, que nada mais era do que dois lençóis que cobriam o corpo, e se assemelhavam aquelas vestimentas do tempo de Jesus. O fato mais interessante que sucedeu com esse grupo é que o líder desses religiosos afirmou ter recebido uma mensagem, diretamente de Nossa Senhora , isso mesmo, a mãe de Jesus, dizendo que o mundo ia se acabar, e que já tinha até mesmo o dia marcado para grande acontecimento, alem do que, seria com água; o dia seria 13 de maio de 1980. Quando eu soube dessa história fiquei atônito, com mil perguntas que me surgiam e uma grande preocupação; é que era muito novo ainda e apesar de tudo, já sabia até o dia em que o mundo chegaria ao fim. Lembro que não tinha gozado praticamente nada na vida, até mesmo porque vivia trabalhando numa serigrafia; isso para ajudar a minha família. A minha preocupação maior, é que não tinha televisão lá em casa; isso era uma coisa que me deixava inquieto, pois vivia na porta da casa de Dona Marlene ou na de Dona Dinda, somente para assistir os desenhos animados e os filmes de bang bang. Mas, saber que o mundo ia se acabar e não ter tido o prazer de ver uma TV em minha casa, era, sem dúvida, uma grande preocupação. Com essa história do fim do mundo, lembro ainda que algumas pessoas, embora não quisessem admitir, também ficaram com medo de morrer nesse dia, conforme profetizado por Roldão Mangueira, o líder do qual falei. Outra história engraçada foi quando Roldão Mangueira, juntamente com alguns seguidores, dias antes do Juizo final profetizado, resolveu que iriam atravessar o Açude Velho, o maior açude da cidade; sim, mas era sem nada, somente por cima da água, conforme fez Jesus no dia da Tempestade que viveu com seus discípulos. Isso foi outra loucura que resultou em risadagem pela cidade.E, quanto ao Juízo final, sabe em que seu deu mesmo? Choveu um dia antes e outro depois do dia anunciado e nada do mundo se acabar. Finalmente pude ter uma TV em casa. Que maravilha!
Escrito por João Nunes da Silva às 21h21
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DIREITOS HUMANOS
A negação dos Direitos Humanos tem sido visível no mundo hoje. No Brasil, a situação não é diferente, pois, sãos muitos os casos de total desrespeito aos direitos humanos. Para se ter uma idéia, a própria condição de vida a que são submetidos milhões de brasileiros já denuncia a necessidade de mais respeito ao ser humano. As péssimas condições nas diversas áreas básicas como: saúde, educação, moradia, segurança, entre outras, apontam o descaso com a vida humana, especialmente os mais pobres. Alguns, ingenuamente ou mesmo intencionalmente, consideram o tema como se fosse algo sem sentido, especialmente quando se trata de presidiários e criminosos. Há até quem acusa as comissões e organizações dois direitos humanos como defensores de bandidos. Tais acusações ignoram a dimensão dos direitos humanos, pois, o tempo todo a vida está sendo negada em troca das necessidades do capitalismo, cujo princípio é o lucro financeiro acima de tudo. Com isso, não são poucos os maus tratos as crianças, idosos, mulheres, trabalhadores em geral, aos indígenas, quilombolas, aos negros e aos portadores de necessidades especiais. A negação dos direitos humanos se dá de diversas formas, como já assinalamos anteriormente, mas, só para citar, toda vez que não se aceita as diferenças, bem como, quando se impõe uma vida mínima, cujas relações sociais são fragmentadas e desrespeitosas, temos a violação dos direitos humanos. Assim, o preconceito, que tem gerado práticas como a homofobia, a violência sexual, a escravidão, o assédio moral no trabalho, são alguns exemplos de desrespeito aos direitos humanos. Quando se vê crianças catando lixo nas ruas, presídios superlotados, hospitais sem as mínimas condições para o atendimento adequado aos doentes, escolas precárias, imprudência, cujas conseqüências são as mais drásticas que se possa imaginar, como tem sido recorrente as mortes no transito pelo país a fora, com certeza, trata-se da negação dos direitos humanos. Igualmente, os problemas ambientais, a corrupção e a precarização das relações de trabalho, apontam a necessidade de mudarmos nosso modo de agir. Pensar nos direitos humanos é pensar na necessidade de criarmos condições para uma vida melhor, pois os males existentes na nossa sociedade são fruto, em geral, da nossa incapacidade de percebermos o óbvio, isto é, que a ambição, o orgulho e o preconceito ignoram a vida na sua essência. Somos os únicos seres que ignoram a vida na sua pureza e simplicidade e que, muitas vezes, causamos sofrimento aos outros e a nós mesmos por sermos intolerantes. Quisera fossemos como os animais, os quais, considerados irracionais, não matam por prazer nem impõem ao outro sofrimento como forma de ter prazer. Se desrespeitamos os direitos humanos, somos, na verdade, irracionais. Aprendamos com os animais, pois eles respeitam a vida na sua plenitude. O capitalismo tem nos feito míopes quanto a vida na sua essência mais pura; daí a negação dos direitos humanos.
Escrito por João Nunes da Silva às 10h29
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J. L. do Rego: Leitura indispensável
Ultimamente tenho me voltado, dentre outras coisas, para a leitura da obra de José Lins do Rego, escritor paraibano, de escrita primorosa e de grande fôlego. Deu-me uma vontade imensa, até mesmo inexplicável, de voltar a ler Menino de engenho, Fogo Morto, Água-mãe, entre outras obras desse escritor. Além dos meus compromissos, como preparar aula, produzir artigo científico, elaborar provas, não deixo, de forma alguma, de reservar um tempo para uma boa leitura, dessas que tiram a gente desse mundo, e que nos transporta para outros mundos, aqueles que não existem mais, mas que ficaram na memória e, por sua vez, nos torna mais humano. Melhor dizer que nos coloca rente ao chão, e nos faz perceber, ao mesmo tempo, a grandeza e a estupidez humana. Reler José Lins do Rego é passar a limpo a nossa vida, é perceber que a vida é feita , acima de tudo, de gente, de homens, mulheres e crianças; de gente arrogante e de gente humilde, no sentido mais próprio da palavra, que não significa simplesmente falar bonito para encantar e esconder nosso orgulho e preconceito. A obra de Lins do Rego é dividida em três momentos, são eles: a) o ciclo da cana-de-açúcar, cujas obras que compõem essa fase são: Menino de engenho (1932), Doidinho (1933), Bangüê (1934), Usina (1936) e Fogo morto (1943); b) o ciclo do cangaço, cujas obras tratam do cangaço, do misticismo e da seca, são elas: Pedra Bonita (1938) e Cangaceiros (1953) e c) as obras independentes, que são: O moleque Ricardo (1934), Pureza (1937) , Riacho doce (1939). Qualquer pessoa, que queira saber sobre o Nordeste, especialmente sobre aspectos centrais destacados nas obras relacionadas ao ciclo da cana e ao cangaço, não pode deixar de ler os livros de Zé Lins do Rego. Esse autor deixou sua marca registrada pela grandeza de suas obras, sua sensibilidade em retratar os momentos centrais da vida rural, com ênfase para o apogeu e a decadência dos engenhos. Fogo morto é considerada sua obra prima, cujo tema central é o fim do engenho, que dá lugar a modernidade, instalada com as usinas. Sem dúvida, José Lins do Rego, paraibano, nascido em Pilar, em 1901, e falecido em 1957, nos deixou o legado de compreender como se faz a vida, principalmente em meio às turbulências. Não é por acaso que o autor nos proporciona uma viagem à ludicidade do campo, aos conflitos de classe, a luta diária dos trabalhadores e as contradições entre riqueza e pobreza que caminham juntas o tempo todo.
Escrito por João Nunes da Silva às 19h56
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O problema na pesquisa
Em artigo anterior falei da necessidade de se fazer um projeto de pesquisa, caso o pesquisador pretenda alcançar seus objetivos científicos . Nesse caso, destaquei os itens centrais do projeto de pesquisa cientifica: problema, objetivos, justificativa, fundamentação teórica, metodologia, cronograma, orçamento e bibliografia. Pois bem, afirmei que sem problema não há pesquisa, uma vez que não se sabe o que de fato se quer pesquisar. Mas o que significa o problema, ou a problematização? Por que é tão importante o problema?. Como sabemos qual o problema da pesquisa. Em linguagem simples e direta, podemos considerar que o problema significa a pergunta central; isto é, aquela questão que orienta todo o processo da pesquisa, desde a elaboração do projeto até a coleta de dados, a análise e interpretação. Pensar num problema não significa necessariamente que você tem que encontrar um problema na comunidade ou grupo que pretende estudar. Trata-se de pensar no problema da pesquisa, ou seja, no fato gerador da pesquisa, pois, sem a pergunta central, não há a menor possibilidade de realização de uma pesquisa científica. Considere o seguinte exemplo: digamos que você quer estudar sobre o trânsito em Palmas e define como questão central saber quais as causas de tanto acidente de trânsito na mais nova capital. A pergunta que vai orientar toda a pesquisa será, portanto: quais as causas de tanto acidente de trânsito em Palmas? Veja que é uma pergunta geradora, ou seja, o pesquisador parte da necessidade de saber o que leva a tantos acidentes de trânsito na mais nova capital. Quando digo que trata-se de uma pergunta geradora, é porque se parte de um fato, como acidentes de trânsito, para, em seguida, traçar os objetivos, as considerações sobre o problema: contextualização, índices de acidentes, principais discussões em torno do assunto. Veja, portanto, que não me referi ao problema dos acidentes de transito, pois, evidentemente que isso é um dos grandes problemas da nossa cidade, mas sim, me referi ao problema-questão, ou seja, a pesquisa parte do problema destacado em forma de questão. Se você quisesse saber o que dizem os estudiosos sobre o problema do trânsito em Palmas, por exemplo, observe que o problema cientifico é a pergunta geradora, todavia, não significa que seja um problema se ter estudiosos sobre o trânsito; percebeu então a diferença entre problema científico e problema real? Por isso que afirmei anteriormente que um problema de pesquisa não significa necessariamente um problema numa comunidade ou num grupo a ser estudado. O importante é elaborar uma pergunta central, a qual pode partir de um fato concreto, como no caso de acidentes de trânsito, ou pode ser uma questão teórica, a partir de algum dado ou elemento que permita uma problematização. Por exemplo, pode-se partir de estudos sobre algum assunto, das idéias ou teorias, de forma que se tenha claro o que se pretende estudar. Num projeto de iniciação científica geralmente se pede, no problema, que aponte apenas a pergunta central. Mas, em projetos para estudos mais aprofundados, como para mestrados e doutorados, há a necessidade de se estabelecer uma discussão ou contextualização do que se pretende estudar. Dessa forma, a pergunta, muitas vezes, está implícita na discussão, de forma que se percebe claramente o que se pretende pesquisar; o que não significa ser prolixo ou “enrolação”. Falarei ainda sobre os demais itens do projeto de pesquisa.
Escrito por João Nunes da Silva às 19h57
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Pesquisa científica: desafios e responsabilidades
A pesquisa é uma condição indispensável para o crescimento intelectual do ser humano e para as universidades, ou mesmo para as escolas. Pensar em pesquisa é, primeiramente ter em conta a necessidade de descobrir o que pode explicar as causas de determinados fenômenos. É também ter coragem de se debruçar sobre uma infinidade de obras, as quais possam auxiliar no estudo do objeto escolhido para alcançar os objetivos definidos para a realização da pesquisa. A pesquisa deve começar desde a escola e não parar enquanto se tem algo para descobrir. Na Universidade, por exemplo, a pesquisa é a condição para o seu desenvolvimento e para a sua contribuição na resolução dos problemas vivenciados pelos indivíduos, grupos e instituições sociais. Não se pode pensar numa Universidade sem pesquisa; é como se negasse a necessidade de água e de oxigênio para a vida.Isso parece estranho, mas é a pura realidade, tendo em vista que é por mios das pesquisas que a humanidade aos poucos segue o seu processo evolutivo, pelo menos do ponto de vista material e tecnológico. Digo isto pelo fato de que a ciência, por natureza é positivista, tende a tornar o ser humano em mero objeto para estudos e para a manipulação em prol de interesses vinculados a racionalidade industrial e aos interesses dos grandes grupos econômicos em detrimento das necessidades humanas na sua forma mais ampla. Investir em pesquisa significa, também, que demanda recursos humanos, materiais e financeiros, além, evidentemente, de questões ideológicas, políticas e culturais, as quais, muitas vezes, impõem determinadas condições para a realização das pesquisas cientificas de interesse das populações. É nesse ponto que as pesquisas, que são necessárias e urgentes para a sociedade e para as pessoas em geral, que é preciso pensar seriamente quando se pretende realizar alguma pesquisa científica. Dessa forma, é fundamental que o estudante e o professor, no caso, os pesquisadores, tenham a clareza da responsabilidade que assumem perante a sociedade e perante os diversos segmentos sociais, políticos e econômicos. Não se deve pensar em pesquisa como uma simples tarefa, como se não demandasse nenhuma necessidade de conhecimentos básicos e teóricos, além da necessidade de coleta de dados e da análise e interpretação do que conseguiu coletar. É por tais necessidades que surgiu o projeto de pesquisa científica, o qual consiste no detalhamento de todos os passos a serem dados desde a definição do objeto de estudo, a disposição em fazer o levantamento bibliográfico e a contextualização e fundamentação teórica do objeto, a problematização, justificativa, metodologia, cronograma, orçamento e as referencias bibliográficas. O projeto de pesquisa cientifica se refere ao planejamento de todas as ações a serem desenvolvidas para a execução da pesquisa. É por meio desse instrumento que o pesquisador pode ter uma maior garantia do que precisa fazer e dos desafios e perspectivas que vai encontrar em todo o percurso da pesquisa. Cada item do projeto deve estar perfeitamente sintonizado com o objeto, objetivos e o problema da pesquisa. O problema, significa a questão fundamental que vai orientar toda a pesquisa; sem problema não há projeto e, conseqüentemente, não há pesquisa. Em suma, pesquisar é buscar, de forma sistemática, respostas para um problema. Em outra oportunidade trataremos mais desse assunto.
Escrito por João Nunes da Silva às 15h05
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curso

Escrito por João Nunes da Silva às 20h17
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O trote e a estupidez humana
João Nunes da Silva. Doutorando em Comunicação, Mestre em Sociologia, Especialista em EAD e professor Universitário. E-mail: jnunes7@uol.com.br Há tempos que tenho me convencido que o ser humano é uma empresa complexa, quando não, irremediável. Há quem acredite que o homem é a imagem e semelhança de Deus. Tal afirmação, por si só, já demonstra o grau de ignorância da espécie humana, quando confunde humano com divino, entre outras coisas. E, por falar em confusão, quero me referir aqui à confusão que determinados indivíduos fazem no que diz respeito aquilo que poderia se rum ritual de passagem pacífico, tranqüilo, capaz de aproximar e integrar as pessoas de um grupo, no caso, estudantes veteranos com estudantes novatos, por exemplo, mas, que, por sua vez, em determinados casos, não passam de atitudes irresponsáveis, violentas, e , muitas vezes, perigosas. Refiro-me, evidentemente ao trote, mais precisamente o trote estudantil. Essa é uma prática que tem sua origem na Idade Média e surgiu como forma de separar os alunos veteranos dos calouros, os quais eram proibidos de assistirem aulas nas respectivas salas, o que o obrigavam a ficarem em seus vestíbulos; daí o termo vestibular. Pois bem. O famoso trote estudantil que conhecemos hoje nasceu baseado em práticas medievais e, por sua vez, continua com o mesmo princípio, ou seja, é separatista,desrespeitoso e muitas vezes perigoso. A finalidade dos trotes, em geral, embora se diga que é uma maneira de festejar e de integrar os estudantes novatos ao ambiente universitário e ao grupo social dos veteranos, não apresenta nada de aglutinador, algo que lembre os idéias humanistas e profissionais, capaz de favorecer o surgimento de uma sociedade equilibrada e pacífica. O Trote é uma prática que há muito tempo trem sido questionada por diversos setores da sociedade, inclusive por estudantes, intelectuais, políticos, escritores, profissionais em geral, entre outros. Questiona-se o trote principalmente quando se tem notícias de excessos dessa pratica que tem culminado com mortes, agressões, denuncias de maus tratos, entre outros problema. No caso de mortes, ficaram famosos os casos do estudante de medicina Edison Tsung Chi Hsueh , encontrado morto em 22 de fevereiro de 1999, numa piscina da Faculdade de Medicina da USP após ter sido obrigado pelos veteranos a pular na água. Em 1980 Carlos Alberto de Souza, de 20 anos, calouro do curso de jornalismo da Universidade de Mogi da Cruzes (SP), morreu de traumatismo cranioencefálico, resultante das agressões praticadas por estudantes veteranos. Em 1990 George Mattos, de 23 anos, calouro do curso de Direito da Fundação de Ensino Superior de Rio Verde (GO), morreu de uma parada cardíaca quando tentava fugir de veteranos que iam lhe aplicar um trote. Recentemente, em 10 de fevereiro de 2009, o "bixo" (como é chamado pelos veteranos o estudante calouro) Bruno César Ferreira, de 21 anos ia começar o curso de veterinária da Faculdade Anhanguera, em Leme, interior de São Paulo. Além de ser obrigado a ingerir bebidas, e ter entrado em coma alcoólico, o calouro também teve de rolar em uma lona com animais mortos e fezes em decomposição. “Eles esfregaram na gente. Fizeram a gente rolar numa lona com aquilo e ingerir pinga”, conta ele. Tal fato teve grande repercussão na imprensa nos últimos dias.Tem se percebido que algumas faculdades procuram criar uma nova concepção de trote, o trote solidário, que consiste em incentivar praticas como doação de sangue, alimentos, entre outras ações de apoio as instituições sociais diversas como asilo, orfanatos, institutos, etc. sem dúvida, é uma ótima forma de mostrar que é possível festejar de fato a chegada dos calouros à Universidade. Mas, por que razão o antigo trote, aquele desrespeitoso ainda persiste em nossa sociedade, coisa que seguramente deve ser banida, principalmente por partir de futuros profissionais que em pouco tempo poderão estar a nossa frente, nos atendendo como médicos, engenheiros, farmacêuticos, jornalistas, por exemplo? Você leitor, por exemplo, gostaria de ser atendido por um profissional que participou de um trote violento, tendo humilhado seu colega ou até mesmo contribuído para um homicídio, como foi o caso do estudante de medicina morto por seus colegas de sala? Evidentemente que você no mínimo se assustaria se tivesse que ser consultado por um profissional com esse currículo. Mas, se acontecem coisas desse tipo, por que será que ainda continua? Por que as instituições como as Universidades não procuram formas mais rígidas de conter essa prática. É fato que já se percebe algumas que procuram proibir essa prática violenta, conforme afirmei anteriormente. Acontece que a existência do trote estudantil, da forma como presenciamos ainda, tem sua base na própria sociedade, marcada pela contradição e pela apartação. Significa, em outros termos, a conivência com práticas medievais, surgidas para manter uma sociedade segregada, classista, racista , entre outros absurdos típicos da ignorância humana, onde os “mais fortes” e mais abastados e que se acham superiores, utilizam de espaços como a Universidades e as academias, para praticarem atos totalmente indignos, contrários aos direitos humanos. Se o trote estudantil é um rito de passagem, que seja benéfico, saudável e respeitosos, como já fazem algumas universidades. Acontece que , "as fronteiras entre tais ritos não são estanques, e sim dinâmicas; um comumente, implica um outro" (Van Gennep, 1978, p. 31). Portanto, do ponto de vista da Antropologia cultural, o trote se classifica como um rito de passagem de margem e permite que sejam extraídas quatro conclusões preliminares (Vasconcelos, 1993, p. 14-15):O trote é um cerimonial que está entranhado no seio da cultura acadêmica; o caráter iniciático do trote é confirmado por todos os seus participantes; o trote representa um ritual de violência e agressão contra o calouro; O trote é um rito de passagem às avessas, representando uma prática oposta aos valores humanistas da universidade. Portanto, enquanto existir trote dessa natureza, significa que é uma demonstração de que ainda falta muito para crescermos como seres humanos. Será isso possível um dia?
Escrito por João Nunes da Silva às 01h07
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O CRESCIMENTO DA EAD E OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO
Obs: Este artigo foi publicado no Jornal do Tocantins, em 08-02-2009. O ensino a distância no Brasil (EAD) já é uma realidade inexorável. É cada vez maior o numero de ofertas de cursos em EAD, bem como,de pessoas que procuram essa modalidade.O crescimento da oferta de cursos em EAD tem gerado varias discussões e suscitado um acompanhamento criterioso por parte do Ministério da Educação - MEC, no sentido de fiscalizar todas as instituições de ensino superior que ofertam os diferentes cursos no país. Segundo dados do sítio: <http://www.universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=17067>, acesso em 05 de janeiro de 2009, hoje “o sistema de EAD (Educação a Distância) tem atualmente 760.599 alunos matriculados em 109 instituições”. Isso demonstra a relevância da EAD para uma grande parcela da nossa sociedade, bem como, a necessidade, evidentemente de um processo de avaliação contínua para a garantia de um ensino de qualidade para todos. A oferta vertiginosa de cursos em EAD pode ser compreendida a partir da facilidade trazida pelas novas tecnologias, o que garante o acesso de um sistema de ensino e de aprendizagem sem que seja necessária a presença diária do estudante numa sala de aula, como é o caso do sistema presencial. Em outra oportunidade já demonstrei que a EAD não veio para substituir o ensino presencial, mas sim, para complementar e oferecer uma maior flexibilidade as pessoas no sentido de garantir a sua formação , inclusive com a possibilidade de fazer graduação e pós-graduação lato senso e stricto senso . Portanto, não cabe imaginar que agora tudo vai ser somente a distância. Não é o caso. É Importante nessa realidade que ora se apresenta que se leve em conta em primeira instância necessidade de se ter um ensino de qualidade tanto presencial como em EAD. Estou me referindo não apenas ao ensino superior, mas sim desde a escola básica, até chegar a Universidade. Para tanto, cabe não só aos gestores educacionais e professores de instituições publicas e privadas essa preocupação, pois é tarefa de toda a sociedade buscar mecanismos que garantam uma educação de qualidade, que atenda aos anseios da população no que se refere ao conhecimento e a formação intelectual e profissional. Isso não significa, de forma alguma, uma percepção simplesmente quantitativa da educação, como tem sido feito por aí afora, como é o caso de se contabilizar a quantidade de alunos que passaram num vestibular, ou dos que concluíram um curso. Nesse sentido, é importante que o Estado faça a sua parte, como vem acontecendo a partir de ações concretas, como é o caso de normatização, fiscalização e garantia de condições para o funcionamento adequado dos cursos e das Instituições Educacionais. Igualmente, é indispensável que aqueles que escolherem fazer um curso, seja ele presencial ou EAD, que tenham a responsabilidade, a vontade e uma conduta condizente com o que se espera de quem quer aprofundar seus conhecimentos científicos e técnicos para servir a sociedade. Da mesma forma, não estão de fora as instituições e os professores, cujas responsabilidades são magnânimas, uma vez que escolheram trabalhar com a arte de educar e de ser também educado (até mesmo porque a melhor forma de se aprender é ensinando). Somente com um comprometimento conjunto de todos, conforme já citado, é que poderemos ter uma educação de qualidade. Isso significa, entre outras coisas, o trabalho contínuo dos educadores, por meio do planejamento e organização de conteúdos, do ensino, além de atividades relacionadas à pesquisa e a extensão. E, no que se refere à EAD, a atenção deve ser redobrada, afinal se trata de uma modalidade que trabalha com a flexibilidade e a liberdade do estudante para garantir uma formação adequada (seja ele onde estiver), pautada nos conhecimentos técnicos e científicos, na capacidade de reflexão e de critica frente às demandas da sociedade. Para isso, não é apenas o acesso as tecnologias disponíveis, as quais são necessárias, mas, principalmente, no que se referem aos aspectos teóricos e metodológicos e a forma como devem ser utilizadas as tecnologias para assegurar um processo de ensino e de aprendizagem condizente com as necessidades e desafios do nosso tempo. Finalmente, para assegurar um ensino de qualidade é fundamental uma estrutura adequada, com todo o aparato físico, técnico humano e profissional, além dos elementos relacionados à superestrutura, no sentido gramsciano do termo, os quais correspondem aos aspectos jurídicos, culturais, ideológicos, cognitivos e psicológicos, indispensáveis para a formação do cidadão.
Escrito por João Nunes da Silva às 00h48
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SOBRE A EAD E QUALIDADE DE ENSINO
Em matéria publicada no dia 01 de dezembro de 2008, o sítio universia trata da questão do ensino a distância, especialmente sobre a situação atual das instituições que oferecem essa modalidade de curso. De forma bastante respeitosa, destacam-se as IES que apresentam a necessidade de regularização no que diz respeito aos pólos presenciais, após avaliação feita pelos representantes do MEC. há, também, esclarecimentos por parte do o secretário de ensino a distância, Carlos Eduardo Bielschowsky sobre a supervisão feita pelo MEC no sentido de buscar a melhoria da qualidade de ensino no país, principalmente no que diz respeito a modalidade EAD. Veja matéria na integra CLICANDO AQUI.
Escrito por João Nunes da Silva às 22h49
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Promessas de um novo mundo 
A questão da Palestina é um tema bastante polemico, de modo que , para entender o porque dos conflitos na Faixa de Gaza é necessário uma leitura ampla dos diversos fatores que conduzem a situação atual. Para se ter uma visão mais aproximada da questão, o documentário Promessas de um novo mundo (2001), constitui-se numa importante pedida. Sinopse Retrata a história de sete crianças israelenses e palestinas em Jerusalém que, apesar de morarem no mesmo lugar vivem em mundos completamente distintos, separados por diferenças religiosas. Com idades entre 8 e 13 anos, raramente elas falam por si mesmas e estão isoladas pelo medo. Neste filme, suas histórias oferecem uma nova e emocionante perspectiva sobre o conflito no Oriente Médio. Ficha Técnica Título Original: Promises Gênero: Documentário Tempo de Duração: 116 minutos Ano de Lançamento (EUA / Palestina / Israel): 2001 Site Oficial: www.promisesproject.org Estúdio: Promises Film Project Distribuição: Cinemien / Grupo Estação Direção: Justine Arlin, Carlos Bolado e B.Z. Goldberg Roteiro: Stephen Most Produção: Justine Arlin e B.Z. Goldberg Fotografia: Ilan Buchbinder e Yoram Millo Edição: Carlos Bolado Dicas Um filme que permite uma série de discussões acerca de problemas étnicos e religiosos, cultura, democracia e relações sociais.
Categoria: vale á pena conferir
Escrito por João Nunes da Silva às 00h17
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O FÓRUM SOCIAL MUNDIAL
O que seria do mundo se não existissem formas de contestação da ordem estabelecida? Se todas as pessoas, os grupos e organizações se limitassem a dizer sim a tudo o que se apresenta, como então poderíamos ter um mundo melhor. Para se ter um exemplo, caso não tivessem acontecido a resistência e luta dos escravos, intelectuais e de políticos e movimentos sociais contra a escravidão, o apartheid, as ditaduras, o nazismo e o fascismo, dentre outros, certamente teríamos um mundo pior do que já o temos no momento. Comecei com essa provocação para falar do Fórum social Mundial – FSM - que acontece desde o dia 27 de janeiro e se estenderá até o dia 1º de fevereiro em Belém do Pará - Brasil. Veja mais CLICANDO AQUI.
Escrito por João Nunes da Silva às 09h33
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Rádio Favela: uma onda no ar

Esse é mais um filme ótimo para curtir, se emocionar e analisar a partir da realidade brasileira, especialmente no que diz respeito a questão das desigualdades sociais, violência e outros problemas que enfrentamos. Dirigido por Helvécio Ratton, produzido por Simone Magalhães Matos e seguindo o roteiro de Jorge Durán e Helvécio Ratton o filme "Rádio Favela - Uma onda" no Ar é uma produção brasileira lançada em 2002."Rádio Favela - Uma onda no ar" conta a história de quatro jovens que vivem em uma favela em Belo Horizonte e tem um sonho em comum. Montar uma rádio. Os jovens: Jorge, Brau, Roque e Zequiel conseguem realizar o sonho de criar a rádio e o filme retrata os problemas e alegrias que estes jovens têm de enfrentar durante o desenvolvimento da rádio. Um filme atualizadissimo.
Dica
Importante para contextualizar com a questão do monopólio dos meios de comunicação de massa, além de servir como inspiração para a organização dos movimentos populares, ONGs e Terceiro Setor.
Para ver alguns links sobre a Radio Favela, Clique aqui.
Categoria: vale á pena conferir
Escrito por João Nunes da Silva às 01h01
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Obama: esperança de um novo tempo
Hoje, 20 de Janeiro de 2009, é a posse do Barack Obama, como todos já sabem e, além das festividades, são muitas as expectativas diante do novo presidente da nação mais rica do planeta, isto é, que era a mais rica, até a atual crise que assusta, não só OS EUA, mas o mundo. E então, o que esperamos do novo mandatário americano? Certamente, muitas coisas. É claro que não dá prá ser tão inocente a ponto de imaginar que tudo será resolvido com a presidência de Obama, evidentemente que não; aliás, provavelmente muito pouco poderá ser feito, contanto que esse pouco seja com muita qualidade.
Algumas questões surgem com esse novo tempo, tais como: o que acontecerá com a prisão de Guantánamo, em Cuba, onde prisioneiros sofrem torturas constantemente? Será que teremos o fim desse absurdo? E , em relação à posição da política americana no Iraque, como serão resolvidos os pepinos deixados pelo patético Bush? E quanto à política belicista, terá continuidade? O que fará Obama em relação aos conflitos no mundo, como, por exemplo, quanto a questão da Palestina? E quanto a América Latina, teremos uma situação melhor? Qual a posição do novo governo frente às particularidades desse novo mundo? A questão da Colômbia, com o tráfico de drogas e os confitos com as Farcs, como serão resolvidos? Que posição será adotada a partir de agora, por parte da Casa Branca, no que se refere à relação com Cuba, Venezuela? E a crise econômica, que ainda ameaça o mundo, qual será o caminho? Bem, e quanto ao Brasil, qual será a posição do novo governante frente ao nosso país?
As questões apontadas anteriormente não deixam de fazer parte das nossas angustias e , também, de esperanças. Como sinalizei em outro artigo, Obama representa um novo tempo e é com muita esperança, mas muita esperança mesmo, que vislumbramos o novo governante americano. Sem sombra de dúvida, o nome de a chegada de Obama à Casa Branca não deixa de representar uma grande esperança, porém, tomara que não finde em pesadelo, o que acredito que não. Diante dessas perspectivas, resta esperar como as coisas vão se encaixando. A História já demonstrou que não devemos confiar tanto nos homens, especialmente os governantes, à ponto de sermos fanáticos, acreditando que um novo Messias chegou; isso seria ingenuidade por demais, especialmente num mundo que já viveu tantas tragédias e emoções, além do capital cultural, científico e tecnológico já construído por todos os povos. Vejamos o que nos espera. Que Obama faça um grande governo,não só para os americanos, mas para todos.
Escrito por João Nunes da Silva às 20h27
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NARRADORES DE JAVÉ
Se você não assistiu ainda o filme: Narradores de Javé (2003), direção de Eliane Café, não deixe de assistir. Conta a historia de um povoado que estava fadado a desaparecer, isso em virtude da construção de uma barragem. É um filme belíssimo e engraçado, apesar de tratar de uma história trágica.
DICA:
O filme é ótimo para trabalhar metodologia qualitativa. Nesse caso, serve para escolas e universidades, além de chamar a atenção para os impactos de grandes projetos como a construção de Usinas Hidrelétricas, cujos benefícios, em geral, ficam em poder das grandes construtoras, de grupos políticos e econômicos; enquanto isso, a população local é quem mais sofre.
PARA VER MAIS SOBRE O FILME, CLIQUE AQUI.
Para ver resenha sobre o filme, clique aqui.
Categoria: vale á pena conferir
Escrito por João Nunes da Silva às 00h35
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