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A vida
A vida consiste de sentidos e de significados que atribuímos a ela. Podemos dizer que a vida é complexa, sim. Mas, isto não é por acaso, nem obra da natureza. Toda complexidade da vida é criada por nós, seres humanos frágeis e ignorantes. Toda razão de existência está na própria razão da nossa conduta no mundo, especialmente a partir das orientações que seguimos, por acreditar serem as melhores. Somos imperfeitos sim, mas não por causa do criador, mas porque nos arrogamos o direito de pensar que somos maiores do que os demais seres e do que nossos pares. Dessa forma, tornamos aquilo que é simples, que é a vida, em algo de maior complexidade possível. A partir do que pensamos, colocamos em prática, materializamos de forma positiva e negativa, conforme seja o nosso grau ou nível de percepção do mundo, das coisas e das pessoas. Todos os conflitos e problemas de diferentes naturezas, os quais vivemos hoje, são fruto da nossa incapacidade de perceber o óbvio; isto é, que somos seres, assim como qualquer outro e nada neste mundo nos faz melhor do que os demais, nem tampouco nos permite o direito de agir com arrogância, truculência, ignorância e desrespeito a vida, ao planeta e aos nossos semelhantes. Somos animais e o que nos diferencia dos outros seres é a capacidade da razão, o que nos possibilita sistematizar, organizar, planejar e executar. Mas, talvez por isso conseguimos ser cruéis e nos jubilarmos com o sofrimento dos outros. Somos o único ser que mata e que humilha por prazer. Somos até capaz de eliminar nosso semelhante e de destruir o planeta.
Escrito por João Nunes da Silva às 11h31
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NOSSO DESAFIO
Já não temos intelectuais como encontrávamos até pouco tempo. Refiro-me ao tipo de intelectual engajado, preocupado com os destinos da sociedade, de forma a se organizar e lutar com corpo e mente por um mundo mais justo e melhor. Não digo nem humano, pois, na verdade, somos demasiados humanos, como diria Nietzsche. Por isso somos tão falhos, frágeis e até mesmo inconseqüentes. Estudiosos como: Nietzsche, Schopenhauer, Karl Marx, Engels, Bourdieu, Simone de Beauvoir, Hanna Arendt, Sartre, entre outros, cujas preocupações centrais estavam focadas num mundo melhor, menos medíocre, como o que vivemos hoje, sem dúvida, parecem não mais existir. Quanto a Universidade, essa carece de mais comprometimento com os destinos da humanidade. Mas, o que percebemos, é o vazio das discussões e de propostas que realmente contribuam para a melhoria das condições de vida do nosso povo, salvo, evidentemente, algumas exceções. Para onde vamos? O que queremos de fato? Parece até que brincamos de viver, de estudar e de fazer algo diferente das regras e normas do mercado e dos interesses de uma classe hegemônica. Necessitamos de conhecimento, mas não apenas do tipo tecnicista, com foco em habilidades e competências para reproduzir a sociedade desigual. Precisamos de emprego, trabalho e renda, mas não do tipo que nos escraviza, nos humilha, destrói e envergonha. Precisamos de escola e de universidades, mas que façam por onde favoreçam a capacidade de pensar criticamente e de perceber as necessidades da matéria e do espírito. Precisamos de professores e de estudantes capazes, atentos, com coragem e determinação para proporcionar ambientes de leituras e de discussões, com criticas e problematizações, de modo a criar novas oportunidades e perspectivas para uma sociedade verdadeiramente democrática, livre e decente. É preciso construir e não destruir. Não podemos viver constantemente sob o prisma do consumismo, buscando saciar a sede do que por sua natureza é insaciável. A maior riqueza que a humanidade pode construir é o conhecimento, no seu sentido mais amplo do termo. Precisamos inovar, mas não na mesma lógica da desvalorização da vida, calcada no mercado, impregnada de fúria e fome de riqueza material e total desvalorização do ser. É preciso ser e não apenas ter. É preciso saber lutar com dignidade, com respeito à vida e aos direitos humanos. Precisamos de paz, não de religiões anacrônicas, cujos líderes se aproveitam dos mais humildes e desesperados. Precisamos de Deus, no sentido mais puro e digno do termo, diferente de tudo o que já foi dito e exaltado. Carecemos de ouvir a nossa própria voz. Carecemos da capacidade de pensar, mas não na ótica iluminista, da razão instrumental. É preciso saber pensar, aprender e partilhar.
Escrito por João Nunes da Silva às 09h38
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SOCIEDADE DE RISCOS II
Cada dia que passa mais se percebe que vivemos num mundo cada vez mais arriscado, complexo e indiscutivelmente indiferente as reais necessidades humanas. Digo isto porque são vários os problemas que enfrentamos e, todos, criados pelo ser humano e sua capacidade de utilizar da razão para a destruição. Igualmente, percebemos que as ações humanas, ligadas as instituições, não respondem as nossas necessidades, muito pelo contrário, nos colocam em situações de incertezas e até de revoltas. Se considerarmos, por exemplo, que vivemos numa sociedade de organizações e, conseqüentemente, ninguém assume responsabilidade por nada, especialmente quando se trata de ações e de atitudes que, indubitavelmente, prejudicam indivíduos e coletividades, logo nos damos conta da paranóia que vivemos. As ações que marcaram o mundo pelo seu poder de destruição: as bombas atômicas atiradas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki, as torturas e assassinatos e desaparecimentos de inúmeros presos políticos, provocadas por militares nas ditaduras instaladas na América Latina, os estados totalitários como o nazismo e o fascismo, as diversas guerras e conflitos; são exemplos da capacidade destruidora humana. A forma como o mundo caminha precisa urgentemente ser revista pelos seus principais responsáveis, ou seja, nós humanos, pois, corremos o risco de manter uma sociedade por muito tempo em ritmo alucinante, de estresse e de destruição. A chamada sociedade das organizações tem criado situações as quais conduzem ao vazio quanto a necessidade de solução dos conflitos gerados. A ciência foi colocada no pedestal, como a principal forma de reger as nossas vidas, de forma que a impessoalidade passou a ser a marca registrada do nosso cotidiano, especialmente quando precisamos de algum serviço para atender as nossas demandas, no que se refere à saúde, educação, ou mesmo aos serviços básicos como: telefonia, energia elétrica, internet, entre outros. Nesse sentido, vivemos numa pseudo-segurança e na ilusão de que o mundo assim é melhor. O resultado é nossa insatisfação constante,o stress a paranóia para atender os ditames do mercado, a ganância pelo lucro e pelo poder. Sem dúvida,o fator mais preocupante diante de tudo isso é perceber a falência do modelo educacional, dede à escola básica, até o ensino superior. É que não temos uma educação para pensar e que permita a capacidade de reflexão e de análise crítica do mundo a nossa volta. Apenas é priorizada a lógica institucional para atender as demandas do mercado. Nesse tipo de sociedade, se algo dar certo para todos, tudo bem,porém, se não foi para todos, a culpa recai no próprio indivíduo. No caso de alguma ação que porventura tenha sido extremamente prejudicial ao ser humano, como nas torturas e assassinatos provocados por representantes do Estado, como a polícia, ou alguma organização da sociedade, geralmente o sujeito praticante da ação não leva a culpa, pois apenas agiu em cumprimento de ordens superiores. Se esse é o caso, quando se procura os superiores para esclarecimentos, geralmente não se encontra. Qual a saída, então, para a nossa sociedade? Que futuro melhor poderemos vislumbrar? A depender do modelo educacional vigente, seguramente não se encontrará saída.
Escrito por João Nunes da Silva às 20h56
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SOCIEDADE DE RISCOS
A sociedade de riscos é um termo utilizado por cientistas sociais, como Ulrich Beck (1992), quando se referem ao modo de vida estabelecido no mundo, especialmente a partir da modernidade, com a industrialização e as tecnologias. Sim, vivemos num mundo complexo, perigoso e cada vez mais impessoal e desumano. Com certeza você leitor já deve ter passado por alguns momentos na vida em que se viu perdido, sem ter a quem reclamar o que lhe é de direito. Vou esclarecer. Por exemplo, o serviço telefônico que temos hoje é uma prova da complexa rede instituída pelas organizações, cujos donos existem, mas são intangíveis. Isto porque se você tem algum problema prá resolver em relação a sua linha telefônica, serviços de internet, entre outros similares, se quer de fato a solução, precisa recorrer a alguém. Mas quem é esse alguém? Serão os atendentes do Serviço de Atendimento ao Cliente? Será a ouvidoria da empresa? Ou será a Anatel? O Procon?. Certamente você deve ter a resposta enquanto ler essas linhas, não? Ah, qualquer um desses pode ajudar no que precisa. Talvez você até tenha definido que a Anatel é a melhor solução, ou a Procuradoria do Consumidor – Procon. Ok, pode ser que sim ou pode ser que não, como diria Caetano Veloso. É isso mesmo, embora tenhamos um menu de opções, corremos um sério risco de nenhum desses resolver a situação. Esse é o risco, pois, dependendo do imbróglio que você se encontre, é possível que não haja solução num curto período que você espera. Isto porque fazemos parte de uma sociedade marcada pela impessoalidade, conforme já afirmei anteriormente em outro artigo. Mas, porque será que é assim? Nos perguntamos, afinal, estamos num Estado de Direito, de forma que é só reclamar, provar e, finalmente, ter o problema solucionado. Nada disso, pois, prá começo de conversa os atendentes do SAC são treinados, isso mesmo: treinados, conforme modelo skineriano, que significa domado, incutido, mecanizado, robotizado e impessoalizado, extraído a capacidade de reflexão. Por exemplo, quando você liga prá reclamar da sua conta telefônica, prá começo de conversa é preciso que se disponha a esperar por tempo indeterminado para ser atendido por alguém do outro lado da linha. Aí, de repente percebe algum ruído na linha e vem uma mensagem prá você apertar alguma tecla, conforme seja o seu assunto. Isso se você for atendido. Em seguida, finalmente respira, pois, alguém fala uma frase feita do tipo: obrigado por nos ligar, em que posso ajudar senhor (a). então você feliz da vida começa a relatar o seu problema de forma que, quando menos espera, ouve: um momento, vou passar para o setor responsável. Você até imagina que logo terá seu problema resolvido, mas não. Isso depois de uma eternidade de espera, pois toda espera não deixa de ser uma eternidade, e, quando se trata de telefonia, você sente na pele, no estomago e tudo mais. Como se não bastasse, alguém atende novamente e pede que você conte sua história, isto é, seu problema. Enfim, termina a ligação e você fica a espera de que tenha feito algo produtivo ali. Os dias passam, e nada. Digo isso porque já passei por esses imbróglios e, até hoje, o serviço de telefonia, pelos menos prá mim, não foi capaz sequer de enviar a fatura para minha residência, pois, depois que me mudei, pasmen! os técnicos vieram, instalaram o telefone, mas, a conta continua indo para outra casa. Que maravilha de serviço! Pois bem, essa história não é só minha, mas de centenas de pessoas que precisam de algum serviço do tipo relatado, porém, como não existe dono, uma figura física com quem falar prá resolver de fato, seu problema talvez não seja solucionado por um longo tempo. Essa é a sociedade das organizações, dos riscos, onde só temos deveres a cumprir, inclusive com assinaturas de contratos unilaterais. Vivemos numa sociedade de riscos, pela crueza da racionalidade industrial e tecnocrática. A sociedade positivista, cientificista, marcada pela égide do capital, da ilusão da liberdade pelo consumismo, da ilusão de que o sistema político burguês resolva algum dos nossos problemas individuais e coletivos, onde os riscos são distribuídos. Vivemos no vazio das ideologias, incapazes de explicar os problemas gerados pela imbecil racionalidade positivada e seus desafios e de atender nossos anseios por um mundo melhor.
Escrito por João Nunes da Silva às 11h56
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Tributo a Mercedes Sosa
Desde cedo, quando já iniciava minhas primeiras reflexões sobre a vida, o sentido da vida, do ser humano e de suas angustias, aflições e lutas, me dei conta que não há nada mais importante do que pessoas e coisas, sem as quais, teríamos um mundo muito mais difícil, e, por que não dizer, impossível de viver. Refiro- me a coisas como um bom livro, a poesia, os romances que nos transportam para a realidade da difícil trajetória humana no planeta e, principalmente, a música, digo as mais belas e puras canções que acalentam o espírito e nos proporcionam momentos de prazer, de paz e de felicidades, além de reflexões diversas. Falo da música como a produção do espírito, que nos aproxima dos deuses, nos eterniza e proporciona paz. Essas linhas que escrevo surgiram por impulso, movidas por emoções e ternura, além de gratificação pela beleza que as vozes dos cantores, da esteira de Mercedes Sosa, nos proporcionam. Sim, escrevo para homenagear essa grande cantora, interprete dos sofrimentos e sonhos dos povos da terra, especialmente os latino-americanos. É que nesta manhã de domingo acordei com a noticia de que falecera Mercedes Sosa, La negra, como era apelidada, devido à forte cor dos seus cabelos longos e lisos. Tal noticia me entristeceu, embora já se preparasse para esse dia. Fiquei triste por saber que não poderemos ter mais novas interpretações dessa belíssima artista. Mas sei que o seu legado não foi em vão e que suas músicas, mais do que nunca, serão ouvidas nos quatro cantos do mundo, especialmente pelos corações aflitos e injustiçados em razão da hipocrisia dos “poderosos”, os pretensos “donos do mundo” da esteira dos loucos totalitaristas, ditadores e medíocres. A música de Mercedes Sosa, se constituiu, antes de tudo, na voz dos sofridos e injustiçados. Sem dúvida, uma das importantes vozes da América Latina, não somente pelo seu timbre, pela sua potencia, mas sim, pela mensagem deixada por cada palavra cantada, pela emoção da interpretação pela defesa dos menos favorecidos. Foram muitas as canções interpretadas por essa artista argentina, as quais emocionaram o mundo e emocionam até hoje os corações mais ternos, simples e puros. Dentre as suas várias canções, destaco: Gracias a La vida, Todo cambia, So le piedo a Dios. Mercedes Sosa também gravou e dividiu palco com cantores brasileiros, como Beth Carvalho (com a canção so Le piedo a Dios), Milton Nascimento, Fagner, Silvio Rodrigues, entre outros. Além de emprestar sua voz para interpretar a vida e os sonhos dos povos latino-americanos, ela foi uma ativista política de esquerda e fez da sua voz nos discos e nos palcos, a voz da luta pela defesa dos povos. Em razão de suas canções, foi alvo de repressão, especialmente nos anos 70, quando da Ditadura Militar instalada na Argentina. Mercedes Sosa nasceu em 9 de julho de 1935, em Tucumán, na Argentina, tendo nos deixado, portanto, com 74 anos. Mas, com certeza, trata-se de uma artista que se eternizará pelo legado deixado através de suas canções e da sua belíssima voz.
Escrito por João Nunes da Silva às 11h35
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