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Nossos Felinos
Há coisas na vida que não dá prá pensar sem o seu brilho e tudo aquilo que produz o mais puro sentimento de amor, de carinho e de suavidade. Por exemplo, a boa música, os bons livros, amigos, o prazer de ler e de escrever e os animais. Esses são, certamente, a pura obra da Divina Criação. É por isso que parei para escrever estas linhas, amparado por dois lindos felinos, o Bu e o Pingo; mas tem ainda o Zumbi e a Serena. Esses quatro são nossos verdadeiros e amáveis amigos. A Serena chegou em nossa casa ainda pequenina; ela adentrou a nossa porta como quem não quer nada e logo encontrou algo para se aconchegar: no caso, o carinho das minhas duas maravilhosas filhas e da minha sincera e querida esposa. Amo esses felinos,assim como amo minha esposa e filhas. Deles só tenho muita gratidão e, sempre que algo me tira do prumo, me incomoda ou me entristece, basta olhar um deles, na mais pura ternura e harmonia que Deus presenteou, que tudo se resolve. Seus nomes surgiram naturalmente, assim como surgem os nomes dos nossos filhos. O Bu tem uma personalidade terna e, ao mesmo tempo, arisca, típica de um gato de raça, muito embora seja um misto de raças. Quanto ao Pingo, tal nome surgiu pela sua natureza, com um pêlo que mais lembra a mistura de tintas preta e branca. Já o Zumbi, é uma homenagem ao grande guerreiro, líder do Quilombo dos Palmares, pois sua pele é negra, com apenas as patas brancas, que mais lembram dois pares de botas brancas. Por fim, a linda Serena, batizada pela minha filha mais velha, mas, também, sua personalidade é serena, além de ser hábil e inteligente, bem como, carinhosa, mas, quando necessário, não nega o seu lado de pequena fera; quisera seus filhos, falassem a nossa língua quando a incomodam, pois, assim, saberíamos o que diriam sobre sua mãe. Serena é uma gata de rua, mas que veio se acomodar em nosso lar, desde a antiga casa. Essa felina já tem mais de dois anos, considerando o nosso tempo de humanos. Sobre essa fêmea, é preciso dizer ainda que já passou por duas cirurgias, sendo uma para castração; antes disso, já teve duas crias; na primeira gerou os três até aqui descritos: Bu, Pingo e Zumbi. Na segunda cria teve cinco lindos filhotes, os quais, resolvemos doar. A outra cirurgia foi para resolver um problema de estomago. Dessa última, passou um longo período para recuperar-se. Além disso, em razão de suas estripulias, já teve um sério tratamento para curá-la de um corte que sofreu numa das patinhas, que quase resultou em problemas maiores, de modo que passou mais de mês para voltar ao normal. É isso; hoje aproveitamos ao máximo a companhia desses animais e, podemos dizer que aprendemos muito cada minuto que com ele convivemos. Às vezes chego a pensar: quisera sermos como os animais, os quais são puros e simples, assim como a natureza os fez. Infelizmente somos demasiados humanos que, na maioria das vezes, não sabemos usar bem o que chamamos de razão; dizem os pseudos inteligentes que é isso que nos faz diferentes e superiores aos animais, o que não deixa de ser mais uma prova da nossa inferioridade.
Escrito por João Nunes da Silva às 02h15
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Lembrança dos loucos
João Nunes da Silva. Doutorando em comunicação e cultura contemporânea, mestre em Sociologia, especialista em Metodologias e linguagens em EAD e professor da Unitins. E-mail: jnunes7@uol.com.br. Cada cidade ou lugar tem muitas historias e estórias a contar. Mas, o que vou reportar aqui é a mais pura verdade, como se diz por aí. Quando criança muitas coisas aconteceram que ficaram na minha memória, são historias alegres, tristes e, porque não dizer, divertidas, as quais merecem ser compartilhadas. Nos idos dos anos 70 e 80 uma das coisas que me marcaram foi a dos loucos da minha cidade; e, diga-se de passagem, qual cidade não tem uma história de louco? Se alguém disser que não, digo que essa cidade não existe. Pois bem, lembro-me de algumas figuras tais como: “ Pinta Cega”, Figueiredo, Roberto Carlos, Maria Tranca Rua, Zé Doido, Coceira, dentre os diversos que tive o privilegio de conhecer e de conviver com alguns desses. Pinta Cega era uma velha que andava nos ônibus da cidade, toda vez que ia às ruas, ela era motivo de piada, especialmente pelo fato de andar com um pedaço de pau, instrumento esse que era utilizado freqüentemente, sempre que alguém a incomodava com alguma pilhéria. Certa vez, numa dessas fúrias que a velha Pinta Cega tinha, tive a minha perna acertada em cheio, numa manhã de sábado, num dos calçadões da cidade; é que de tanto a incomodarem com pilhéria e insultos, a velha não teve dúvida, girou a sua bengala numa velocidade que veio parar nas minhas pernas. Com o ato, gritei de dor ao ser alcançado pela fúria da velha senhora. Na época eu vendia jornal e, no calçadão da Rua Venâncio Neiva, em Campina Grande, era o ponto favorito para as pessoas se encontrarem, tomar um cafezinho quentinho e, de quebra, rir, insultar e incomodar os menos afortunados, especialmente de juízo. Quanto a Roberto Carlos, o próprio nome já diz tudo; é que ele vivia cantando músicas do rei, sempre com algum pedaço de pau na mão, o qual lhe servia de microfone. A forma como cantava fazia todo mundo rir. Às vezes, em pleno sol da tarde, ele ficava de pé, em cima de um banco de praça, cantava, sorria e era aplaudido. O curioso é que não tinha afinação nenhuma e não sabia nenhuma das letras, mas cantava como podia, inventava, de modo que não deixava de ser engraçado. Outra figura interessante era o “Coceira”; esse era, na verdade, um catador de lixo que vivia pelas ruas da cidade sempre feliz com sua carrocinha prá juntar papel. Certo dia ele apareceu com as pernas toda pintada, pois, tinha achado uma lata de tinta verde e resolveu pintar-se e sair pelas ruas. Vivia se coçando o tempo inteiro, mas nada o deixava triste. Figueiredo era um velho senhor que vivia sempre munido de um cassetete de madeira, cuja principal utilidade desse instrumento era ser apontado para o alto, enquanto ele gritava o nome do Presidente Figueiredo. O seu grito parecia mais um eco, pois repetia constantemente, às vezes aos berros – Figueireeeeeeeeeeeeeeeeeeeedo. Isso mesmo, era assim que ele gritava, de forma que o “E” era quase infinito, até que o velho ficava quase afônito. Desses loucos, sei que já não existem mais, apenas recordações, umas tristes e outras alegres. Quando morava ainda em Campina Grande, fiquei sabendo que Roberto Carlos e o Coceira foram encontrados mortos, assassinados pelos marginais.
Escrito por João Nunes da Silva às 23h22
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Educação a distancia é coisa séria
João Nunes da Silva. Doutorando em comunicação e cultura contemporânea, mestre em Sociologia, especialista em Metodologias e linguagens em EAD e professor universitário E-mail: jnunes7@uol.com.br. Educação a distância é coisa séria, muito séria, assim como todas as coisas que devem ser sérias. Para que se tenha uma educação de qualidade é preciso considerar os aspectos diversos que favorecem o conhecimento e a capacidade crítica; isto se dá não só por meio de estudos, mas também com o apoio de profissionais e gestores comprometidos com a formação do cidadão de forma integral. Ou seja, não se trata apenas de um computador e de um conjunto de disciplinas para serem cumpridas. A possibilidade de estudar a distância não é de hoje; se reparamos bem, uma simples leitura de um livro não deixa de ser uma forma de EAD; quando um livro é aberto, depois lido e estudado, tem-se ai uma conexão entre o pensamento do autor e o receptor e, por sua vez, uma ampliação do conhecimento, especialmente quando alguém lê e discute ou mesmo fala sobre o que leu para os seus colegas. Agora, imagine com a facilidade com que as tecnologias nos permitem hoje, quando podemos combinar TV, internet, rádio, CDs, DVDs, além dos telefones celulares, entre outras mídias? É claro que podemos proporcionar um modelo de educação a contento para o crescimento dos indivíduos e das sociedades. Tudo o que está ao nosso alcance para a realização da EAD deve sempre ser utilizado com o devido respeito e comprometimento com uma educação de qualidade. Não é muito difícil quando se tem uma percepção de uma educação para a emancipação intelectual e material das pessoas. Também não é tão complicado a ponto de se ignorar as exigências da sociedade quanto a uma formação profissional, mas, também, no que se referem às exigências legais para serem atendidas , tais como: espaço, material, acompanhamento, tecnologias e profissionais qualificados. Em termos simples, me refiro à capacidade para atender um determinado contingente carente de formação especifica e geral, adequação as exigências legais para a oferta de cursos a distância, capacidade tecnológica, recursos humanos e financeiros suficientes, e, principalmente, diálogo com os professores e alunos quanto aos percursos e entraves de forma transparente. Como diz um importante juiz de futebol, “a regra é clara”. Se no futebol é assim, na educação o cumprimento as regras também não é menos importante, muito pelo contrário.
Escrito por João Nunes da Silva às 23h16
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