Blog do João Nunes da Silva: reflexão, crítica e conhecimento
   


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Paradigma, razão e ilusão

O ser humano, conforme já tenho afirmado anteriormente, é uma empresa complexa, difícil de convivência, e se acha muito importante perante as outras espécies e até mesmo aos seus pares. Para viver, precisamos de um mínimo de orientação; dái o uso de artifícios místicos, religiosos e ilusórios, além da ideologia e de modelos ou padrões para nos conduzir no mundo. As pessoas não conseguem viver sem algo que acreditam, pois, assim, a vida se tornaria insuportável. Assim, surgiram as grandes idéias e teorias que se tornaram fundamentais para os indivíduos, os grupos sociais, as instituições e organizações. Na Idade Média, por exemplo, predominava a visão teocêntrica, de modo que não se admitia qualquer idéia ou ação contrária ao que a Igreja considerava importante; os dogmas eram tidos como absolutos, verdades inconfundíveis e que não deveriam e nem poderiam ser colocados em questão.

Com o Renascimento, o paradigma religioso chega ao fim, de modo que o homem passa a ser visto como o centro das atenções; o ser humano é tido como sujeito, questionador e criador de idéias, de técnicas, de métodos e ações que, definitivamente, questionavam o paradigma religioso. Mais adiante, novas idéias e ações surgem, como o Iluminismo, por exemplo, cujo principio é a razão como elemento central, capaz de levar o ser humano a acreditar que, finalmente, a felicidade é possível, basta utilizar a razão, a objetividade e a criatividade, para , enfim, criar um novo mundo. As revoluções: industrial, francesa e americana, por exemplo, são frutos da razão humana colocada em prática.

Mas, como se sabe, essa razão, tão propalada pelos iluministas, não trouxe tanta vantagem para a maioria, e muito menos a felicidade, como imaginavam: as guerras, as destruições em massa, as ditaduras, as torturas e assassinatos, são exemplos do mau uso da capacidade racional do homem. Os campos de concentração, seja de direita, como foi da parte do Nazismo na Alemanha, ou de esquerda, como foi o Stalinismo na Russia, demonstraram verdadeiros absurdos, inadmissíveis. Tudo foi feito em nome da razão. Ainda hoje se faz absurdo em nome de modelos, de idéias, da ciência e da racionalidade.

E hoje somos reféns do mercado, iludidos com a idéia de que a capacidade de consumir, de comprar sempre mais e melhor, nos torna livre, potentes, importantes, como se fossemos melhores do que as outras espécies e do que nossos semelhantes. Os fatos e as péssimas condições de vida da maioria da população mundial, demonstram que estamos no caminho errado. A destruição do planeta, a violência, a corrupção, as guerras, a fome e a miséria, demonstram que a razão tem sido muito mais usada para a destruição. Mas poderia ser diferente sim, especialmente se todos admitirem o obvio: que somos frágeis, e que precisamos do outro para viver bem e melhor.   



Escrito por João Nunes da Silva às 23h39
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E O MUNDO NÃO ACABOU

Quando menino acreditava em coisas do tipo estórias de Trancoso, personagens folclóricos, como a mula sem cabeça, o Saci Pererê, entre outros. Nesses últimos, incluo algumas coisas do tipo o fim do mundo, inclusive com data marcada e tudo. Isso me incomodava tanto que até chegava a não dormir, tamanha era a minha preocupação. Pois bem, veja que historia tenho para contar; é que lá em Campina grande, tinha uma seita conhecida como os “Borboletas Azuis”, nome esse que surgiu porque os seus fiéis se vestiam de azul e branco; usavam uma roupa, que nada mais era do que dois lençóis que cobriam o corpo, e se assemelhavam aquelas vestimentas do tempo de Jesus.

O fato mais interessante que sucedeu com esse grupo é que o líder desses religiosos afirmou ter recebido uma mensagem, diretamente de Nossa Senhora , isso mesmo, a mãe de Jesus, dizendo que o mundo ia se acabar, e que já tinha até mesmo o dia marcado para grande acontecimento, alem do que, seria com água; o dia seria 13 de maio de 1980.

Quando eu soube dessa história fiquei atônito, com mil perguntas que me surgiam e uma grande preocupação; é que era muito novo ainda e apesar de tudo, já sabia até o dia em que o mundo chegaria ao fim. Lembro que não tinha gozado praticamente nada na vida, até mesmo porque vivia trabalhando numa serigrafia; isso para ajudar a minha família.

A minha preocupação maior, é que não tinha televisão lá em casa; isso era uma coisa que me deixava inquieto, pois vivia na porta da casa de Dona Marlene ou na de Dona Dinda, somente para assistir os desenhos animados e os filmes de bang bang. Mas, saber que o mundo ia se acabar e não ter tido o prazer de ver uma TV em minha casa, era, sem dúvida, uma grande preocupação. Com essa história do fim do mundo, lembro ainda que algumas pessoas, embora não quisessem admitir, também ficaram com medo de morrer nesse dia, conforme profetizado por Roldão Mangueira, o líder do qual falei.

Outra história engraçada foi quando Roldão Mangueira, juntamente com alguns seguidores, dias antes do Juizo final profetizado, resolveu que iriam atravessar o Açude Velho, o maior açude da cidade; sim, mas era sem nada, somente por cima da água, conforme fez Jesus no dia da Tempestade que viveu com seus discípulos. Isso foi outra loucura que resultou em risadagem pela cidade.E, quanto ao Juízo final, sabe em que seu deu mesmo? Choveu um dia antes e outro depois do dia anunciado e nada do mundo se acabar. Finalmente pude ter uma TV em casa. Que maravilha!



Escrito por João Nunes da Silva às 21h21
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