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J. L. do Rego: Leitura indispensável
Ultimamente tenho me voltado, dentre outras coisas, para a leitura da obra de José Lins do Rego, escritor paraibano, de escrita primorosa e de grande fôlego. Deu-me uma vontade imensa, até mesmo inexplicável, de voltar a ler Menino de engenho, Fogo Morto, Água-mãe, entre outras obras desse escritor. Além dos meus compromissos, como preparar aula, produzir artigo científico, elaborar provas, não deixo, de forma alguma, de reservar um tempo para uma boa leitura, dessas que tiram a gente desse mundo, e que nos transporta para outros mundos, aqueles que não existem mais, mas que ficaram na memória e, por sua vez, nos torna mais humano. Melhor dizer que nos coloca rente ao chão, e nos faz perceber, ao mesmo tempo, a grandeza e a estupidez humana. Reler José Lins do Rego é passar a limpo a nossa vida, é perceber que a vida é feita , acima de tudo, de gente, de homens, mulheres e crianças; de gente arrogante e de gente humilde, no sentido mais próprio da palavra, que não significa simplesmente falar bonito para encantar e esconder nosso orgulho e preconceito. A obra de Lins do Rego é dividida em três momentos, são eles: a) o ciclo da cana-de-açúcar, cujas obras que compõem essa fase são: Menino de engenho (1932), Doidinho (1933), Bangüê (1934), Usina (1936) e Fogo morto (1943); b) o ciclo do cangaço, cujas obras tratam do cangaço, do misticismo e da seca, são elas: Pedra Bonita (1938) e Cangaceiros (1953) e c) as obras independentes, que são: O moleque Ricardo (1934), Pureza (1937) , Riacho doce (1939). Qualquer pessoa, que queira saber sobre o Nordeste, especialmente sobre aspectos centrais destacados nas obras relacionadas ao ciclo da cana e ao cangaço, não pode deixar de ler os livros de Zé Lins do Rego. Esse autor deixou sua marca registrada pela grandeza de suas obras, sua sensibilidade em retratar os momentos centrais da vida rural, com ênfase para o apogeu e a decadência dos engenhos. Fogo morto é considerada sua obra prima, cujo tema central é o fim do engenho, que dá lugar a modernidade, instalada com as usinas. Sem dúvida, José Lins do Rego, paraibano, nascido em Pilar, em 1901, e falecido em 1957, nos deixou o legado de compreender como se faz a vida, principalmente em meio às turbulências. Não é por acaso que o autor nos proporciona uma viagem à ludicidade do campo, aos conflitos de classe, a luta diária dos trabalhadores e as contradições entre riqueza e pobreza que caminham juntas o tempo todo.
Escrito por João Nunes da Silva às 19h56
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O problema na pesquisa
Em artigo anterior falei da necessidade de se fazer um projeto de pesquisa, caso o pesquisador pretenda alcançar seus objetivos científicos . Nesse caso, destaquei os itens centrais do projeto de pesquisa cientifica: problema, objetivos, justificativa, fundamentação teórica, metodologia, cronograma, orçamento e bibliografia. Pois bem, afirmei que sem problema não há pesquisa, uma vez que não se sabe o que de fato se quer pesquisar. Mas o que significa o problema, ou a problematização? Por que é tão importante o problema?. Como sabemos qual o problema da pesquisa. Em linguagem simples e direta, podemos considerar que o problema significa a pergunta central; isto é, aquela questão que orienta todo o processo da pesquisa, desde a elaboração do projeto até a coleta de dados, a análise e interpretação. Pensar num problema não significa necessariamente que você tem que encontrar um problema na comunidade ou grupo que pretende estudar. Trata-se de pensar no problema da pesquisa, ou seja, no fato gerador da pesquisa, pois, sem a pergunta central, não há a menor possibilidade de realização de uma pesquisa científica. Considere o seguinte exemplo: digamos que você quer estudar sobre o trânsito em Palmas e define como questão central saber quais as causas de tanto acidente de trânsito na mais nova capital. A pergunta que vai orientar toda a pesquisa será, portanto: quais as causas de tanto acidente de trânsito em Palmas? Veja que é uma pergunta geradora, ou seja, o pesquisador parte da necessidade de saber o que leva a tantos acidentes de trânsito na mais nova capital. Quando digo que trata-se de uma pergunta geradora, é porque se parte de um fato, como acidentes de trânsito, para, em seguida, traçar os objetivos, as considerações sobre o problema: contextualização, índices de acidentes, principais discussões em torno do assunto. Veja, portanto, que não me referi ao problema dos acidentes de transito, pois, evidentemente que isso é um dos grandes problemas da nossa cidade, mas sim, me referi ao problema-questão, ou seja, a pesquisa parte do problema destacado em forma de questão. Se você quisesse saber o que dizem os estudiosos sobre o problema do trânsito em Palmas, por exemplo, observe que o problema cientifico é a pergunta geradora, todavia, não significa que seja um problema se ter estudiosos sobre o trânsito; percebeu então a diferença entre problema científico e problema real? Por isso que afirmei anteriormente que um problema de pesquisa não significa necessariamente um problema numa comunidade ou num grupo a ser estudado. O importante é elaborar uma pergunta central, a qual pode partir de um fato concreto, como no caso de acidentes de trânsito, ou pode ser uma questão teórica, a partir de algum dado ou elemento que permita uma problematização. Por exemplo, pode-se partir de estudos sobre algum assunto, das idéias ou teorias, de forma que se tenha claro o que se pretende estudar. Num projeto de iniciação científica geralmente se pede, no problema, que aponte apenas a pergunta central. Mas, em projetos para estudos mais aprofundados, como para mestrados e doutorados, há a necessidade de se estabelecer uma discussão ou contextualização do que se pretende estudar. Dessa forma, a pergunta, muitas vezes, está implícita na discussão, de forma que se percebe claramente o que se pretende pesquisar; o que não significa ser prolixo ou “enrolação”. Falarei ainda sobre os demais itens do projeto de pesquisa.
Escrito por João Nunes da Silva às 19h57
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