A sociedade atual apresenta uma característica marcante que é a fragmentação das relações sociais, tendo em vista a dinâmica provocada pela facilidade das tecnologias e pelo apelo ao consumo. Esse temas são objetos de estudos de dois teóricos da atualidade: Anthony Giddens e Zygmunt Bauman. Ambos ainda exercem suas atividades intelectuais por meio de palestras, cursos, consultorias e produção de livros.
Giddens é um autor que pode ser situado na corrente teórica da complexidade. Isto é, suas idéias primam pela analise da sociedade de forma não linear, isto é, em constante mudança ou descontínua.
Os conceitos centrais de Giddens são: descontinuidade, reflexividade, encaixe e desencaixe. Esse teórico percebe a globalização como uma forma de organização que aproxima os mundos e requer novas posturas dos indivíduos e das organizações. Para ele a globalização pode ser assim explicada: A intensificação das relações sociais em escala mundial que liga localidades distantes de tal maneira, que acontecimentos locais são modelados por eventos, ocorrendo a muitas milhares de distância e vice-versa (1990).
O fenômeno da globalização, parte da capacidade humana de criar tecnologias para aproximação e, conseguintemente, facilitar as relações comerciais, culturais e políticas. A partir das idéias de Giddens, podemos inferir que mundo de hoje exige uma percepção cada vez mais racional dos indivíduos. É nesse sentido que o autor fala de reflexividade. Esse termo consiste na necessidade de agir na sociedade em função das diversas situações/contextos que surgem e que exige uma postura consciente do mundo a nossa volta. O termo reflexividade tem a ver também com reflexo, ou seja, ações que ocorrem em função de um conjunto de fatores e de processos estabelecidos pela dinâmica social.
A idéia de desencaixe estar relacionada à concepção de tempo e espaço. A separação tempo-espaço propicia a condição para o desenvolvimento de mecanismos dedesencaixe. Na definição de Giddens (1991, p. 29, 58): o desencaixe se refere ao “deslocamento” das relações sociais de contextos locais de interação e sua reestruturação através de extensões indefinidas de tempo-espaço (...). “Este [desencaixe] retira a atividade social dos contextos localizados, reorganizando as relações sociais através de grandes distâncias tempo-espaciais”. Essa idéia de desencaixe pode ser melhor compreendida quando a pessoa sai de seu lugar de origem e vai pra outro totalmente diferente e, por sua vez, passa a conviver com um novo contexto, todavia, ao se encontrar com as novas situações com as atividades no campo de trabalho, na política e na sociedade como um todo, agora tudo se encaixa, inclusive o próprio indivíduo. Na concepção de Giddens são criadas fichas simbólicas, como o dinheiro, por exemplo, que facilitam as transações e deslocamentos dos indivíduos e por sua vez o encaixe.
As idéias desse teórico se fazem pertinentes para o nosso tempo, tendo em vista oferecer novas formas de percepções do mundo que vive em constante mudança.A partir de suas idéias temos uma importante opção de análise dos fenômenos sociais na sociedade atual. Os conceitos seguintes: descontinuidade, encaixe e desencaixe nos remetem a uma nova maneira de perceber o tempo e o espaço.
As noções de tempo e de espaço sofrem alterações a partir dos diferentes mecanismos criados na sociedade, em especial, a partir da tecnologia ao nosso alcance. Todavia, não se trata da tecnologia por si só, mas sim, como ela tem se constituído numa ferramenta central nas relações sociais e nos diversos segmentos da sociedade. Não se pode perceber o tempo como algo determinado e linear, como se as coisas e as pessoas não passassem por mudanças. O tempo e o espaço são agora determinados pela força do contexto político, social, econômico, tecnológico e cultural.
Nessa perspectiva, tudo se transforma numa incrível rapidez, de forma que as pessoas passam a conviver em diferentes contextos que, por sua vez, podem se combinar e recombinar em diferentes lugares e momentos.
Essa perspectiva teórica do Giddens, sem sombra de dúvida, nos permite uma percepção flexível do mundo e das coisas e nos remete a reflexão sobre os diferentes modelos de analises socais até então, como o positivismo, o funcionalismo, o marxismo, a fenomenologia, entre outros.
A concepção de mundo de Bauman apresenta algumas semelhanças com a perspectiva teórica de Giddens, conforme foi apontado anteriormente. A principal semelhança está na percepção de um mundo em constante transformação cada vez mais rápidas. A idéia de tempo e de espaço, nesses dois teóricos, são similares, uma vez que ambos concebem o tempo e o espaço modificados pela facilidade das aproximações entre as pessoas e a facilidade com que a tecnologia oferece nas diferentes situações e contextos. Com isso, os acontecimentos se dão numa extrema rapidez , de forma a tornar a vida uma teia complexa de relações impessoais.
Os conceitos centrais utilizados por Bauman são: liquidez, comunidade e identidade. Toda a sua obra se volta à noção de liquidez. Significa a existência de um mundo permeado pela fragilidade dos relacionamentos sociais, pela flexibilização do trabalho e, também, passa a existir uma nova conotação e comunidade e de política.
Comunidade se refere a algo bom, que nos permite tranqüilidade e segurança. Esse é o sonho de todo mundo, mas que está longe de pertencer ao habitante das grandes cidades. Se no passado tinha-se essa noção de comunidade, hoje ela é mais um sonho ou esperança. Para se proteger as pessoas se aglomeram, se juntam, mas não convivem verdadeiramente, ou seja, estão cada vez mais distantes. Um claro exemplo disso é a forma como são construídos os condomínios ou mesmo como as pessoas se relacionam a partir dos telefones celulares e das comunidades virtuais, como é o caso do orkut.
Parece até que a vida virtual ocupou o lugar da real, de modo que conversamos, resolvemos coisas, fazemos até mesmo sexo, sem que tenhamos a noção mínima do que seja o outro. O imaginário e o virtual se apresentam muito mais claro na vida cotidiana que se tornou fato, real, verdade, muito embora tudo seja, no fundo, uma grande ilusão.
A percepção teórica de Zygmunt Bauman nos conduz a reflexões profundas acerca do que estamos fazendo do mundo.O que é mais preocupante é a frieza com que passamos a apresentar frente a determinadas coisas e situações que deveriam nos chocar e fazer com que voltemo-nos ao mundo real. Refiro-me a pobreza, a miséria e a exclusão social. As contradições nas grandes metrópoles deixam muito claro o que ora afirmo, especialmente quando nos deparamos com condomínios de luxo e favelas, arquiteturas que convivem lado à lado, como se tudo fosse normal e ético.
O mais dramático disso tudo é saber que a tecnologia favoreceu a globalização e a construção de riquezas, mas o fato é que a maioria da população vive em situações de penúria. Na compreensão de Bauman, a sociedade de consumo fez das pessoas meros objetos, a ponto de se produzir seres humanos como refugos do sistema, isto é, pessoas descartáveis pela máquina, pela fabrica e pelas grandes organizações empresariais.
O mais estranho também pé que a política passou a ser vista como algo para se lucrar com a miséria dos outros. Ou, na melhor das intenções, como uma forma de privilegio pessoal ou ainda um meio de enriquecimento próprio, em detrimento da maioria.
Para uma maior compreensão do pensamento de Bauman é importanteler as seguintes obras desse teórico da pós-modernidade:
Recém lançado, o filme Condor é mais uma importante obra sobre as ditaduras militares. Sem dúvida, é o tipo de filme que se faz necessário a fim de que jamais a sociedade esqueça do que representaram os regimes ditatoriais e suas terríveis conseqüências. A operação Condor se deu nos paises da América Latina, mais especificamente no chamado cone sul que inclui: Brasil, Argentina, Paraguai,Uruguai, Chile e Bolívia. Essa operação, como aconteceu no Brasil, contou com o apoio dos Estados Unidos.
Condor foi o nome dado à cooperação entre governos militares sul-americanos que resultou no sequestro e assassinato de milhares de pessoas e no exílio de tantas outras. Uma análise contemporânea destes eventos, trazendo uma história de terrorismo de estado mas também de pessoas e da procura pela verdade e justiça.
O termo cidadania nos parece muito comum, de modo que ao pronunciarmos , ou mesmo nos depararmos com alguma situação na qual se menciona, logo pensamos que é algo muito bom. Em geral percebemos que várias pessoas utilizam-se da palavra cidadania para se referir ao bem estar, a direitos e deveres.
É verdade que esse conceito se refere às pessoas, cujas vidas se mostram interdependentes, isto é, trata-se de algo que tem a ver com a vida em coletividade. Em outros termos, a cidadania pode ser considerada como algo que permite uma convivência com as demais pessoas, de modo que o que uma faz, ou pode fazer, não prejudique ao outro, além de satisfazer o sujeito da ação.
Bom, mas, para compreender essa historia de cidadania, é preciso saber como tudo começou e quais os contextos e experiências que permitiram o uso do termo cidadania.
Na Grécia e na Roma Antiga a palavra cidadania se referia aos direitos e deveres do cidadão, isto é, daquele que vive na cidade, mas que possui status de cidadão. Acontece que nem todos eram considerados cidadãos, mas sim, as pessoas que detinham poder econômico e, conseqüentemente, representavam a elite.Estavam fora os escravos, as mulheres, crianças e outros.
Ao longo do tempo essa idéia de cidadania praticamente sofreu pequenas alterações, todavia, a sociedade continua desigual e injusta como sempre. A prova disto é que quem tem bastante dinheiro é quem detém poder sobre a maioria. Caso você não saiba, veja quais as principais empresas nacionais e multinacionais, os banqueiros, os latifundiários, entre outros, os quais comandam a sociedade e impõem regras e limites para a grande parcela da população. Vale lembrar, também, que parcela significativa de políticos que estão no executivo e no legislativo, em geral ocupam determinadoscargos muito mais para manter seus privilégios do que por necessidades financeiras, evidentemente.
Na opinião de DALLARI, D.A, em sua obra: Direitos Humanos e Cidadania. São Paulo: Moderna, 1998. p.14, a cidadania expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo. Quem não tem cidadania está marginalizado ou excluído da vida social e da tomada de decisões, ficando numa posição de inferioridade dentro do grupo social.
Você, por acaso,vê a cidadania acontecendo dessa forma, isto é, você vê a cidadania defato para todos, no caso do Brasil e da América Latina, por exemplo?É claro que não.
De como o preconceito e a irresponsabilidade se apresentam
É fato que a educação no Brasil apresenta vários problemas, todavia, delegar toda a culpa aos estudantes já é demais, especialmente quando se trata de preconceito. Veja o que afirmou o coordenador do curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia, em razão do resultado da avaliação do Enade, cujo curso recebeu a nota 2.0 (a maior nota nessa avaliação é 5). Veja o vídeo e tire suas conclusões.