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Educação a distância ou sem distancia?
João Nunes da Silva, Mestre em Sociologia e especialista em Metodologias e linguagens em EAD, professor da Unitins. Jnunes7@uol.com.br
“Os computadores são professores do futuro.Mas cuidado! Não fazem nada se não tiverem um bom professor ao lado, emprenhando-os de idéias” (Darcy Ribeiro, em Confissões)
Inicio este artigo com esse título para tratar da educação à distância, ou EAD. Esse termo, acredito, não corresponde, até mesmo porque trata-se de um tipo de sistema de ensino e aprendizagem que, decididamente, encurta as distancias.
Não é de hoje que se têm formas de educação, cuja característica central é o fato de permitir ao estudante um processo de aprendizagem sem necessariamente exigir a presença exclusiva do estudante numa sala de aula com todo o rigor já conhecido por todos. Quem não conhece o Sistema do Instituto Universal brasileiro? Esse Instituto tem desenvolvido uma metodologia de ensino baseado em apostilas ou cadernos de conteúdos e instrumentos profissionais os quais são enviados pelo Correio para as residências dos diversos cantos do País.
Igualmente, outras formas de ensino desenvolvidas por meio de rádios e de televisão não são de hoje: telecursos, programas de educaçao radiofônicas, entre outros.
Atualmente o sistema de Educação a distancia vem ganhando cada vem mais espaços e, por sua vez, atraindo um grande contingente de estudantes; trata-se da Educação telepresencial e online, principalmente de Ensino Superior, tanto de graduação como de pós graduação.
Já é possível fazer mestrado a distancia, como é o caso da Uned – Universidade de Educação a distancia da Espanha, que oferece vários cursos de graduação e de pós. Em vários países já encontramos uma variedade de escolas e universidades que desenvolvem a educação a distancia, por meio de sistemas que incluem a Internet, apostilas, televisão e rádio, cds, dvds.
Nesse sistema de Educação a distancia as aulas tanto podem ser telepresenciais, como também serem gravadas e veiculadas pela Internet, ou outra forma de mídia eletrônica.
Procura-se cada vez mais o aprimoramento do sistema no sentido de integrar todas as formas de mídias existentes para favorecer a comodidade, a eficiência e a qualidade no que diz respeito à educação.
O principal atrativo para esse tipo de educação é, sem dúvida, o fato de poder estudar sem precisar freqüentar diariamente uma sala de aula. São vários os motivos pelos quais uma grande quantidade de estudantes se destina a estudar por meio do sistema EAD. Podemos citar, por exemplo: a) não precisar sair de casa, b) preços mais baixos das mensalidades, c) flexibilidade quanto ao tempo ou horário para os estudos, d) orientação continua dos professores e equipe de profissionais para atendimento via e-mails, chats, fóruns, interatividade por meio de perguntas e repostas via ou telefone sistema de atendimento virtual com programas específicos. São, portanto, vantagens oferecidas que se apresentam praticamente impossíveis de serem recusadas.
Mas, evidentemente, que, assim como acontece no sistema presencial, problemas existem, bem como, criticas não faltam. Acontece, porém, que a educação como um todo precisa ser melhorada; isso não só no Brasil, mas em vários paises, especialmente os do chamado Terceiro Mundo.
As criticas quanto à educação no sistema a distancia se colocam, em grande medida, em função do rápido crescimento e da massificação, uma vez que um grande contingente de pessoas são atraídas pela EAD muito mais pela comodidade do que pela aprendizagem e o conhecimento de fato. Em outros termos, estou me referindo a uma educação mercantilizada, conforme denunciam os mais críticos.
Não deixa de ser verdade, em parte, criticas desse tipo; digo em parte pelo fato de se perceber a existência de um grande número de instituições de ensino superior que se constituem muito mais como uma empresa comercial de educação do que preocupada como uma educação de fato, voltada para propiciar o senso critico, a reflexão e a capacidade de discussão. Tal fato não acontece somente em casos da EAD, mas em grande parte de faculdades particulares. Assim, podemos inferir que a questão não é o ensino a distancia, mas a educação como um todo, isto é, como se concebe e se trata a educação.
Vejo, de forma geral, que é necessário esclarecer alguns mitos que, por sua vez, surgem na discussão em torno da EAD. Destaco pelo menos três grandes mitos: 1) acreditar que a educação a distancia vai acabar com a presencial, 2) ver na educação a distancia uma um sistema sem qualidade, e 3), acreditar que a educação a distancia pode isolar muito mais o estudante em relação ao demais e afastar qualquer possibilidade de conhecimento.
São mitos os destacados anteriormente até mesmo porque na educação presencial o fenômeno da massificação, especialmente com o crescimento das faculdades particulares, tem levado determinadas pessoas a terem a educação como um verdadeiro comercio, a ponto de uma pessoa passar num vestibular sem saber ler, como já foi constatado em uma das faculdades no Rio de Janeiro, há pouco tempo atrás. Desta feita, não é por ser EAD que não possui qualidade.
Acreditar que a EAD vai acabar com a presencial é, no mínimo, uma ingenuidade; isto porque EAD tem seu lugar em função das demandas da sociedade e das diversas realidades onde uma boa parte dos municípios não possuem faculdades presenciais, o que obriga uma grande quantidade de jovens deixarem suas cidades para estudarem nas capitais, onde se concentra a maior parte das instituições de ensino superior.
Quanto a acreditar que a educação a distancia pode isolar muito mais o estudante em relação ao demais e não propiciar condições para o conhecimento, isto não corresponde, tendo em vista que, se analisarmos minuciosamente, a educação a distancia, feita com responsabilidade e comprometida com o conhecimento critico e reflexivo, pode propiciar uma aproximação muito maior dos estudantes por meio de interações propiciadas pela plataforma EAD, como fóruns, chats, e-mails, grupos de discussão, blogs, entre outras possibilidades, que permitem uma constante interação.
A ausência física na EAD não é razão para afastar, mas sim para aproximar muito mais, visto que a comunicação se dá de diversas formas e em qualquer momento. A formação de grupos de discussão, por exemplo, facilita bastante a vida dos estudantes para um maior aproveitamento da matéria. Por outro lado, têm-se exemplos de discussões presenciais, isto por meio de encontros combinados, palestras e teleconferências.
No Tocantins, destacamos o modelo de educação a distancia desenvolvido pela Unitins por meio do sistema telepresencial, ambiental virtual de aprendizagem –AVA – que congrega diversas mídias: vídeos, textos, tv, além de material didático apostilado e da equipe de três professores para cada disciplina, formada por mestres e doutores em sua maioria; isto permite uma educação que oferece qualidade de fato e um maior aproveitamento por parte do estudante que quer aprender de verdade.Esse modelo de educação se estende às diversas regiões do país.
Escrito por João Nunes da Silva às 21h38
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NASCIDOS EM BORDÉIS

Eis mais um filme, documentário, acerca de crianças em situação de risco social. Vale a pena assistir e refletir sobre a realidade apresentada, cuja semelhança com o que encontramos no Brasil não é mera coincidência.
“Este ganhador do Oscar, mostra a vida de crianças do bairro da Luz Vermelha, em Calcutá. O aparente enriquecimento da Índia deixa de lados os menos favorecidos. Porém, ainda há esperanças. Os documentaristas Zana Briski e Ross Kauffman procuram essas crianças e munido de câmeras fotográficas pede para elas fazerem retratos de tudo que lhes chamam a atenção. Os resultados são emocionantes E enquanto as crianças vão descobrindo essa nova forma de expressar, os cineastas lutam para poder dar mais esperança, para as quais a pobreza é a maior ameaça à realização dos sonhos” . Veja ficha técnica e comentários , clicando aqui.
Categoria: vale á pena conferir
Escrito por João Nunes da Silva às 19h46
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Sobre o quantitativo e o qualitativo nas ciências sociais
Uma das grandes questões das ciências sociais está na necessidade da objetividade ou não. Afinal de contas, as ciências da sociedade devem ser objetivas, conforme defendeu ferrenhamente Augusto Comte no século XIX. Se a ciência não for capaz de provar por A mais B por que acontecem determinados fenômenos, pode ser chamada como tal?
Ao longo do tempo os estudiosos buscaram responder a questões como a levantada acima e, para falar a verdade, esse dilema ainda continua até os nossos dias; isto pelo fato de a ciência ser também objeto de questionamentos, pois sabe-se que, por mais que defendam, ela não é absoluta e não responde a tudo, nem tampouco resolve os maiores problemas que a humanidade cria. Mas, é evidente que é fundamental ter algo para se apegar, a fim de se buscar a melhor forma possível de tentar responder aos dilemas da sociedade ou, melhor dizendo, pelo menos chegar próximo de solucionar algum.
As ciências sociais surgiram, mais precisamente em função das demandas da sociedade desencadeadas com acontecimentos marcantes e, por sua vez, com o crescimento dos problemas de toda ordem. No seu berço, tentou ser tal qual às ciências chamadas de naturais: física, biologia, astronomia, entre outras; foi baseada numa metodologia cuja prioridade estava na neutralidade científica. Significa que a natureza do objeto das ciências sociais se confundia com o das ciências da natureza, ou seja, com as exatas, como pretendem alguns.
Devido a necessidade de se apegar a algo concreto e, portanto, que demonstrasse confiança e credibilidade, Comte pensou estar certo na sua lógica, o que aos poucos, embora tenha sido importante, tal idéia não foi a das melhores. Sei que o que ora afirmo, muito provavelmente, os objetivistas, adeptos do positivismo e, portanto, da neutralidade das ciências sociais, não concordem de forma alguma, mas, é isso que penso.
Ao longo do tempo, se percebeu que não dar para ser puramente objetivista, embora se deva ser objetivo, para estudar a sociedade, isto porque nem tudo se explica ou se resolve com estatísticas, escalas ou amostras, entre outros recursos da metodologia quantitativa. O que ficou mais claro foi a frieza com que estudiosos percebiam o ser humano e a sociedade, ou, melhor, não se percebia o ser humano como sujeito integral e, portanto, dotado de valores, emoções, vontade, pensamentos, cultura, costumes, entre outras coisas.
Ao perceber que a objetividade e cientificidade cobrada e colocada em pratica nas ciências sociais não atendiam a necessidade de explicação dos graves problemas humanos, sociólogos, antropólogos, entre outros cientistas sociais, criaram a metodologia qualitativa, de modo a priorizar os significados, os sentidos, os valores, à interpretação e, principalmente, o olhar do outro. Feito isso talvez os cientistas, agora subjetivistas, tenham pensado: pronto, agora sim, as ciências sociais têm o que precisava, portanto, nada de números, quantidades, mas sim a interpretação, o olhar crítico sobre os motivos das ações e sobre o comportamento humano.
Bom, embora a metodologia qualitativa tenha surgido e contribuído para a compreensão de determinadas questões sociais e comportamentos, pode-se se afirmar que não foi o suficiente. E agora José? O que se faz? Que rumo tomar? Não precisa se desesperar, mas, importa ser prudente e não negar a importância dos dois modelos. Não é pra radicalizar, a ponto de escolher somente uma das metodologias como a melhor.
As duas metodologias, quantitativa e qualitativa são úteis sim no estudo da sociedade, mas é necessário ser criativo e crítico, bem como, ser mais ousado e procurar novas formas de pesquisar os fenômenos sociais, como têm feito excelentes cientistas sociais (Weber, Marx Bourdieu, Norbert Elias, Bauman, entre outros).
A visão puramente objetivista empobrece o lado humano e não percebe o que há por trás do que se apresenta aos olhos de todos. Por outro lado, a visão estritamente subjetiva ignora a necessidade de ser objetivo, de demonstração e, portanto, também empobrece as análises sociais. A subjetividade em si passa a ser interpretação individual, de modo a parecer mais opinião pessoal. Assim relativiza-se tudo e não se faz estudo sério sobre o ser humano e seus dilemas.
Escrito por João Nunes da Silva às 09h28
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