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A violência simbólica
Os estudos de Bourdieu, além da idéia de habitus e de campos, têm no conceito de violência simbólica uma importante referência para se compreender também a sociedade capitalista e suas formas de reprodução. A partir da compreensão marxista de que a sociedade é dividida em classes e, portanto, um ambiente de constantes lutas e de conflitos, Bourdieu percebe a sociedade capitalista marcada por profundas desigualdades. Por outro lado, esse autor não deixa de beber na fonte weberiana, compreendendo que a realidade social é também um conjunto de relações de sentido, que ela tem , então, uma dimensão simbólica.Corcuff 2001, p. 53)
Para compreensão do significado de violência simbólica, Bourdieu distingue dois tipos de violencia : a física e a simbólica. A primeira é exercida através da força física – bater em uma criança ataque de policiais com cacetetes, entre outros. A segunda, a simbólica, significa repassar para as pessoas e grupos sociais valores que devem ser , caso contrários serão punidos. A violência simbólica também é repassada ideologicamente quando são incutidas nas pessoas ou sociedade normas, valores que devem ser seguidos por serem “os melhores”, quando na realidade não são.Exemplos:
A dimensão simbólica a qual refere-se Bourdieu tem a ver com as maneiras de pensar formas de dominação social. É importante perceber que Bourdieu tem a compreensão de que a sociedade é dividida em classes, isto é, em dominantes e dominantes. Nesse caso, na sociedade apresentam-se diferentes campos, inclusive o campo do poder que é formado pela luta entre os detentores de poder e os não detentores de poder.
Considerando a situação descrita anteriormente, Bourdieu trabalha com a noção de violência simbólica, que implica em formas de dominação legitimadas pela maioria da sociedade, mesmo sendo negativas, mas que não é vista dessa forma. Conforme Corcuff (2001), o principio da violência simbólica se dá pelo reconhecimento e desconhecimento, ao mesmo tempo, de algo que só mantém a maioria subordinada a uma determinada forma de dominação.
Escrito por joão Nunes da Silva às 23h20
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Pierre Bourdieu
Pierre Bourdieu (1930-2002) De formação filosófica, esse teórico bebeu na fonte dos clássicos da Sociologia, Durkheim, Weber e Karl Marx e teve a preocupação de trabalhar uma sociologia voltada para a compreensão das complexidades das relações sociais e suas contradições.Segundo Bonnewitz,(2003) Bourdieu soube reunir as idéias funcionalistas, estruturalistas e a análise compreensiva weberiana e criar uma sociologia adequada para a análise das problemáticas sociais.
Os principais conceitos trabalhados por Bourdieu são: habitus, campo, violência simbólica. Os conceitos de habitus e de campos são básicos para compreender o pensamento de Bourdieu. O autor trabalha com tais conceitos considerando a ação dos indivíduos em suas diversas situações. Para ele, o habitus se refere a um sistema de disposições duradouras adquirido pelo indivíduo durante um processo de socialização, conforme destaca Bonnewitz (2003, p.77)
Segundo “Corcuff (2001, p. 50), o habitus se refere a “historia feita corpo”, enquanto que campo se refere a “ história feito coisa”. É importante refletir sobre esses conceitos para perceber que nenhuma ação humana ocorre simplesmente por acaso, mas sim, através de várias situações desencadeadas tanto pela interiorização do exterior quanto da exteriorização do interior.
A interiorização do exterior relaciona-se à forma como as pessoas assimilam a realidade em que estão inseridas. Se você tomar como exemplo o ambiente de trabalho com todas as relações sociais, organizações, processos e problemas que possam existir, talvez não compreenda exatamente, a principio, essa realidade. Ao fazer parte de uma rotina de trabalho, mesmo sem se dar conta, você interioriza várias coisas que fazem parte do seu ambiente de trabalho. Por exemplo, você já conhece bem os colegas de trabalho, seus gostos ( de certa forma), sua forma de se comportar, até mesmo no que diz respeito as disposições materiais ou físicas onde você passa a maior parte do tempo ( no escritório, por exemplo). Se você refletir mais um pouquinho, sabe até mesmo o tom de voz de cada pessoa do setor que você atua, inclusive quando estão de mau humor ou quando estão felizes.você é, capaz de identificar até mesmo quantas vezes o telefone toca e quem mais atende. Numa percepção mais ampla, você sabe a cultura, a política da empresa, a ideologia, os problemas mais comuns e as formas mais utilizadas dos seus colegas e superiores solucionar os problemas e conflitos. portanto, a interiorização do exterior significa incorporar o que você percebe cotidianamente e tais imprevistos repetidos passam a constituir o habitus.
Categoria: pensadores
Escrito por joão Nunes da Silva às 23h09
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Considerações em torno do professor e da educação.
A tarefa do professor não é uma das mais simples, muito embora algumas pessoas pensem o contrário. O que significa ser professor hoje? Como se apresenta a relação professor e aluno? Quais as condições em que o professor trabalha?
Essas questões são fundamentais, quando se trata de professor no Brasil. Acredito que merece uma reflexão a realidade com que o professorado está inserido. Um outro dado as ser considerado é quanto a novas tecnologias, as mídias e a educação. Nesse sentido, vale refletir sobre a Educação à distância, suas condições e efeitos na sociedade.
Se alguém me perguntar: qual a maior dificuldade que você encontra como professor? A resposta que logo me vem é quanto à falta de vontade ou disposição de apreender que se percebe na maioria dos alunos. Mas, aí me questiono: será que os alunos não querem aprender mesmo? Por que será que é tão difícil fazer o aluno se ligar no conteúdo e buscar o seu aprendizado?
Talvez a respostas a pergunta esteja no modelo de educação que se baseia no mercado. É evidente que não podemos esquecer do mercado; por isso que são necessários cursos profissionalizantes. Mas, por outro lado, é um perigo imaginar uma educação pautada simplesmente nas necessidades do mercado. Quando isso acontece, o professor e o aluno são meros coadjuvantes ou objetos do sistema. Desse modo, o ser humano passa uma grande parte da sua vida estudando para aprender alguma profissão que o mercado impõe. Na verdade, isso não deveria ser chamado de educação, mas apenas treinamento para o mercado.
Preparar uma pessoa para o mercado significa considerar a lógica de que o empregado é apenas uma extensão da máquina. Assim, é necessário apenas que se preocupe com as necessidades mínimas para produzir o máximo possível, levando em conta as condições materiais, físicas, espaciais, psicológicas e cognitivas. Esta ultima, não quer dizer usar o conhecimento de maneira critica e reflexiva ou questionadora, mas usar para atender as necessidades de produção. Podemos chamar isso de educação? As nossas escolas e universidade preparam as pessoas para serem apenas a extensão de uma máquina?
Essas questões nos levam a pensar no modelo de educação adotado no país. O ensino básico, fundamental e médio deixam muito a desejar no que diz respeito à educação de fato dos alunos. O que percebemos é uma infinidade de estudantes que concluem o segundo grau sem sequer saber ler e escrever. Por outro lado, temos um tipo de aluno que chega a universidade cujo objetivo central é ser aprovado numa disciplina, mas sem que leve em conta a importância do conteúdo necessário que permite formar um tipo de profissional.
Em geral, o aluno chega a fazer um curso superior somente no intuito de aprender o básico para atender as necessidades de colocação no mercado. Em suma, prepara-se o estudante para atuar basicamente como se fosse uma máquina que não precisa raciocinar de modo que possa saber o contexto social, político e cultural no qual está inserido. Essa lógica significa que máquina não pensa, não questiona, não reclama, apenas para, quando falta manutenção necessária para sua sobrevida. A educação assim só contribui para formar pseudoprofissionais fragmentados, atrelados a modelos e padrões adotados em realidades que nem sempre tem a ver com a que está inserido. Em suma, forma-se no máximo em técnicos, muitas vezes incapazes de perceber o mundo a sua volta.
Escrito por joão Nunes da Silva às 22h17
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Reflexão em torno das mídias e Educação
Educação é a base para um futuro melhor de todo cidadão e todo país. Indubitavelmente, sem educação, as pessoas, os grupos, as organizações,os países não crescem. Oxalá que todos os governantes e lideranças políticas tivessem a preocupação primeira em investir na educação. Quando me refiro a Educação, estou considerando uma educação que prepare as pessoas para serem criticas, conscientes, criativas e ousadas, na melhor acepção da palavra. Não há pais, nem povo algum, que se desenvolva sem educação de qualidade. Com essas palavras, me reporto agora ao Curso de Pós-graduação em Metodologias e Linguagens em EAD, da Universidade do Tocantins, cujo corpo docente e sua coordenação não deixam a desejar em relação a muitos pelo Brasil afora; sem contar na turma que se mostra cada vez mais ansiosa por conhecimentos na área de educação e de comunicação. Iniciado em março do corrente ano, o referido curso tem possibilitado oportunidades para discussões e aprofundamento sobre os variados assuntos relacionados à comunicação e a educação, especialmente no que diz respeito a educação a distância. As teorias da comunicação e sua importância frente à realidade, tem sido ,sem dúvida, um dos temas que tem marcado os nossos encontros. no ultimo encontro, realizado nos dias 6 A 8 de outubro, tivemos a oportunidade de debater questões relacionadas a mídias e sua influência na sociedade. Dentre as importantes considerações ressalto aqui a relação entre televisão, como um dos mais influentes meios de comunicação, e a internet. A partir das idéias de teóricos como Pierre Levy( 1999), Derrick Kerckhove (2003) André Lemos (2002) dentre outros, pode-se perceber como as mídias, particularmente o computador, através da internet, tem modificado significativamente a sociedade e o comportamento de indivíduos e organizações. As idéias de Kerckhove demonstram como a internet, por exemplo, oferece maior oportunidade para a participação das pessoas, inclusive de forma mais rápida, uma vez que não se resume apenas em editar uma realidade tendo o indivíduo apenas como um mero receptor. Com a internet, o internauta pode ler uma mensagem, pesquisar, confrontar e enviar seus comentários e discussões. Sem dúvida alguma, isso é muito importante para a sociedade, especialmente quando se fala em Educação, uma vez que abre um grande leque de oportunidades para debater as diferentes concepções . É nesse contexto que a Educação a distancia se torna também fundamental. Considero que, no momento, o debate em torno da EAD está apenas em seu começo, pois afinal, experiências de EAD, a partir da internet, consistem numa realidade recente, cujas experiências estão dando os seus primeiros frutos. Para alguns, a EAD parece absurdo. Para outros, é mais uma oportunidade para os indivíduos e sociedade. E você, o que acha? Bom, vou parar por aqui, mas logo voltarei com mais reflexão a esse respeito.
Escrito por joão Nunes da Silva às 00h08
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