Blog do João Nunes da Silva: reflexão, crítica e conhecimento
   


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Considerações acerca da sociedade contemporânea e seus dilemas

A sociedade contemporânea apresenta vários aspectos contraditórios que merecem reflexão. A riqueza e a pobreza são evidentes em toda a parte. Por outro lado, o desrespeito aos direitos humanos, a violência, o preconceito e a discriminação denunciam que há algo de errado na forma com que se estruturou a sociedade em que vivemos. Será que não poderia ser diferente? Quais os motivos que levam a tanta desigualdade e desequilíbrio social? O que podemos fazer para mudar tal situação. Evidentemente que  uma só pessoa não pode fazer muita coisa para que  possa mudar  tal quadro; todavia, como na estória do beija-flor que tentava apagar o fogo de uma imensa floresta apenas com uma gota de água no bico, cada um  pode fazer a sua parte e colaborar para um mundo melhor.

A industrialização, iniciada com a Revolução Industrial, marcou, sem dúvida, a historia da humanidade. Os indivíduos, grupos e organizações convivem com a racionalidade como fator indispensável para o desenvolvimento. No entanto, nem por isso as coisas mudaram, melhor dizendo, a concentração de riquezas, a pobreza, a miséria e a exclusão social, dentre outros problemas, continuam fazendo parte da vida nas sociedades. Enquanto isso, uma pequena parcela de indivíduos se beneficia com essa forma de ordem social.

As abordagens de Durkheim, Weber e Karl Marx, considerados clássicos da sociologia e das Ciências Sociais, apresentam diferentes formas de analisar os fenômenos sociais. Para Durkheim, a sociedade é algo superior ao individuo, de modo que este deve se conformar ao tipo de sociedade existente. Significa afirmar, também, que o indivíduo é o reflexo da sociedade e deve a essa instituição toda a sua razão de viver.

Na percepção de Weber, a sociedade não é algo superior, mas sim, é a soma das ações dos indivíduos a partir de um motivo ou significado. Weber não vê o indivíduo como submetido à sociedade, mas como um sujeito.

Na concepção de Karl Marx, o trabalho é a força motriz da sociedade e esta é formada a partir do trabalho. Desse modo, todas as relações sociais, de modo geral, se baseiam no trabalho. Para Marx, a sociedade capitalista impõe uma situação de desigualdade a qual só aumenta. A sociedade é, na  visão marxista, o lugar de conflitos e de interesses diversos que se contrapõem o tempo todo. Daí a existência de ricos e de pobres. Em suma, Marx não considera a sociedade como algo superior ou pronto para ser seguida pelos indivíduos. Se existem ricos e pobres é por causa da exploração de poucos em relação à maioria que foi sendo estruturada ao logo do tempo, seja por meio de  guerras, conflitos, piratarias ou da mais-valia implícita nas relações de trabalho e escondida  por trás da mercadoria.

Nota-se que a abordagem positivista e funcionalista de Durkheim serve perfeitamente às necessidades do capitalismo para se desenvolver e se perpetuar na sociedade. Isto porque esconde os conflitos e as verdadeiras causas da continuidade das desigualdades e das injustiças sociais. A racionalidade do capitalismo não dá lugar para uma vida digna e justa, pois se  fundamenta na exploração e na injustiça social. Diante disso é importante perguntar: o que a educação formal está fazendo? Será que a razão de existir das escolas e universidades é só para reproduzir um sistema injusto?



Escrito por joão Nunes da Silva às 10h17
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WEBER e a Sociologia compreensiva

Max Weber (1864-1920) – foi na cidade de Efurt que nasceu Max Weber, numa família de burgueses liberais. Desenvolveu estudos de direito, filosofia, história e sociologia, constantemente interrompidos por uma doença que o acompanhou por toda a vida. Iniciou a carreira de professor em Berlim e, em 1895, foi catedrático em Heidelberg. Manteve contato permanente com intelectuais de sua época, como Simmel,Sombart, Tönies e George Lukács. Na política, defendeu ardorosamente seus pontos de vista liberais e parlamentaristas e participou da comissão redatora da Constituição da  República de Weimar. Sua maior influencia nos ramos especializados da Sociologia foi no estudo das religiões, estabelecendo relações entre formações políticas, e crenças religiosas. Suas principais obras foram: Artigos reunidos de sociologia da religião, Artigos reunidos de teoria da ciência, Economia e sociedade (obras póstuma) e A ética protestante e o espírito do capitalismo. Morreu em Munique. (COSTA, 1987, pág. 62).

Enquanto Comte defende que se pode conhecer apenas a partir do fato social concreto, positivo, e que ocorre em etapas sucessivas na História, para Hegel são as idéias que modificam a sociedade num processo evolutivo, mas por contradições.Quanto a Weber, temos uma sociologia oposta ao pensamento positivista, uma vez que esse teórico considera a corrente positivista insuficiente para analisar  determinados tipos de fenômenos sociais.

Para Weber, a sociedade deve ser analisada a partir  do indivíduo e de sua ação social. O conceito de ação social refere-se a toda ação orientada a partir do outro. Isto é, a sociologia baseada em Weber considera que a maioria das vezes o indivíduo age em razão de outra pessoa ou de várias pessoas. Assim, percebe-se um motivo ou significado da ação.



Categoria: pensadores
Escrito por joão Nunes da Silva às 16h26
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Durkheim

Émíle Durkheim (1858-1917)foi continuador de Augusto Comte. Para ele o objeto da Sociologia são os fatos sociais, os quais devem ser analisados como se fossem "coisas". Dessa forma, Durkheim prioriza no estudo cientifico da sociedade os mesmos princípios positivistas de objetividade, defendendo a neutralidade. Segundo sua concepção, existem duas consciencias: a individual e a coletiva. Esta última é a mais importante para a análise sociológica, uma vez que  é a partir da maioria que se pode compreender a sociedade.Os fatos sociais são as representações coletivas e apresentam três caracteristicas básicas: coercitividade ( pressão social), a exterioridade ( estar fora do indivíduo) e a generalidade( idéia de universalidade).Ainda na sua  forma de pensar, a sociedade apresenta a solidariedade como indispensável, a qual se divide em: mecânica - quando predomina o sentimento e a tradição, e a orgânica - típica da sociedade industrial onde predomina a divisão do trabalho.Essa maneira de  análise é também conhecida como funcionalista, uma vez que esse teórico se baseia também nas ciências naturais, de modo que percebe a sociedade como um organismo vivo. As principais obras de Durkheim são As regras do método sociológico, Da divisão do trabalho e Formas elementares da vida religiosa, dentre outras.A influência do pensamento de Durkheim se estende até a atualidade nas ciencias em geral, na politica, nas organizações etc, mas também vários estudiosos criticam suas ideias por considerarem conservadoras e justificadoras do statu quo.



Categoria: pensadores
Escrito por joão Nunes da Silva às 15h46
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Por uma educação de fato

Na folha online de ontem, 11- 09-2006, destacava-se a noticia de que cerca de 53% dos formados não trabalham na sua área de formação. Este é apenas um dos vários problemas da educação no Brasil. A matéria também chama a atenção para o fato de que a educação brasileira apresenta-se como uma das piores do mundo, com destaque para uma educação básica de péssima qualidade.

            A realidade da educação em nosso país poderia ser melhor, evidentemente, não fosse à falta de vontade política de nossos dirigentes em adotar uma postura arrojada e baseada em ações concretas para acabar com práticas lastimosas como tratar a educação como negócio de  grandes empresas capitalistas. Não adianta programas que não resultam  na participação efetiva da sociedade e na formação de uma consciência critica dos estudantes.

Está claro que a educação precisa melhorar e muito. É evidente, também, que formar profissionais sem ter a menor noção do mundo em que está  inserido, sem perceber as necessidades fundamentais da sociedade, sem responsabilidade social, sem compromisso com o meio ambiente e com a vida, entre outros problemas, só teremos como resultado a mediocridade.

O que esperar de um profissional que passou a maior parte do seu tempo sem sequer fazer a leitura de um livro ou de um texto? O que se pode esperar de estudantes que em vez de se debruçar em livros e  pesquisas, prefere pagar a profissionais picaretas e irresponsáveis para fazerem suas monografias? Aliás, porque esses picaretas não são punidos por esse tipo de crime?

Não basta ter concluído um curso superior  para ser um profissional competente e qualificado para o que a sociedade espera e precisa. Não basta ter faculdades em toda esquina para melhorar a educação. Esta precisa ser melhorada a partir da base, da formação da primeira fase ao ensino médio. Assim cria-se condições para que os jovens tenham acesso aos cursos superiores com a convicção e a responsabilidade necessária.

É necessário possibilitar  uma consciência critica e reflexiva nos nossos jovens estudantes a fim de que estes se tornem colaboradores no processo de educação, ou melhor, no âmbito do ensino e aprendizagem. É praticamente impossível ensinar a quem não quer aprender ou não foi preparado para tanto.

Não se cria um futuro promissor com praticas e atitudes que reproduzem a desigualdade, através da idiotização dos nossos estudantes das diversas faixas etárias. O estímulo à pesquisa e ao questionamento é fundamental para favorecer o surgimento de  jovens e futuros profissionais criativos e responsáveis. É impossível aprender a ter compromisso e responsabilidade quando não se  ler e não se sabe ler, analisar, interpretar e produzir originalmente. Já dizia um dos grandes escritores brasileiros: um país se faz com homens e livros. As nossas escolas e, principalmente, as faculdades e universidades não podem ser simplesmente uma fábrica de diplomas ou no máximo um ambiente de manual de treinamento para nada.



Escrito por joão Nunes da Silva às 00h10
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Desafios da sociologia hoje

 

O capitalismo vive hoje, no século XX , uma profunda reestruturação que está exigindo dos cidadãos, dos governos e das nações uma revisão completa não só de conceitos, como dos mecanismos de funcionamento da sociedade. Uma análise de todos os aspectos que compõem, como o sistema produtivo, as relações de trabalho, o exercício do poder político, o papel do cidadão, da ciência e da tecnologia, os direitos e deveres de cada setor social ou classe, os problemas sociais referentes a essas mudanças e assim por diante.

Essa reestruturação torna mais necessária ainda desenvolver a capacidade de entender e projetar o rumo dos acontecimentos. Se essa já era uma exigência do mercado livre,  ou seja, não planejado, que se desenvolvia com base em determinados padrões de comportamento social, a sociedade contemporânea, globalizada e competitiva, exige um redimensionamento desses padrões.

O mundo contemporâneo/ ou pós-clássico, como o chamam alguns, entre eles George Steiner/ exige a retomada e a análise de conceitos consagrados, como divisão social do trabalho, Estado nacional e democracia. Uma sociedade de quatrocentos anos se transforma radicalmente, por um lado aproximando grupos sociais distintos ou por outro, introduzindo diferenças em comunidades anteriormente integradas. Novas posições surgem, enquanto antigos conflitos/ como a Guerra Fria/ são abandonados.

Valores básicos da sociedade capitalista/ como o trabalho/ é deixado em segundo plano, enquanto o lazer e o consumo se transformam em regras sociais.

Enfim, é hora e vez de repensar os padrões, as regularidades que ordenam a vida social e hierarquizá-los. Nesse contexto a ciência da sociedade ganha nova importância e se confronta com novos desafios

Texto extraído de  COSTA, Cristina. Sociologia: uma Introdução à sociedade. São Paulo: Moderna, 2002. 2002, p. 11-12).



Escrito por joão Nunes da Silva às 19h42
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Comte e o positivismo

A história da Sociologia como ciência inicia com Augusto Comte (1798-1857). Este teórico nasceu em Montpellier, França, de uma família católica e monarquista. Viveu a infância  na França napoleônica. Estudou no colégio de sua cidade e depois em Paris, na  Escola politécnica. Tornou-se discípulo de Saint- Simon, de quem sofreu enorme influência. Devotou seus estudos à filosofia positivista, considerada por ele como uma religião da qual era o pregador. Segundo sua filosofia política, a história da sociedade tem três estados: um teológico, outro metafísico e finalmente o positivo. Este último representava o coroamento do progresso da humanidade. Sobre as ciências, distinguia as abstratas das concretas, sendo que a ciência mais complexa e profunda seria a Sociologia, ciência que batizou na sua obra Curso de Filosofia Positiva, em seis volumes, publicada entre 1830 e 1842. Alem desta, publicou Discurso Sobre o Espírito Positivo, Discursos sobre o conjunto  do positivismo, sistema de política positiva, Catecismo positivista  e a Síntese subjetiva. Morreu em Paris. (Costa, 1987: 42). O pensamento positivista influenciou significativamente a humanidade, a religião, a política, a cultura e as ciencias em geral. O Brasil, a partir da proclamação da República em 1889, se baseia na doutrinsa positivista; daí o lema da baandeira nacional: ordem e progresso.

O positivismo tem sua importancia na ciência, todavia, adotar esse sitema ao pé da letra é cair no perigo do cientificismo e do tecnicismo, como ocorre com muitos profissionais hoje em dia.



Categoria: pensadores
Escrito por joão Nunes da Silva às 19h26
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O Analfabeto Político
(Bertold Brecht)

O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
Nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe o custo da vida,
O preço do feijão, do peixe, da farinha,
Do aluguel, do sapato e do remédio
Dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
É tão burro que se orgulha
E estufa o peito dizendo
Que odeia a política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
Nasce a prostituta, o menor abandonado,
E o pior de todos os bandidos,
Que é o político vigarista,
Pilantra, corrupto e lacaio
Das empresas nacionais e multinacionais.

 



Escrito por joão Nunes da Silva às 18h45
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Política e educação

Ano após ano de eleição nos damos conta de que permanecem os mesmos hábitos e costumes de políticos e de eleitores. O primeiro, em sua maioria, se apresenta com aspecto até mesmo angelical, tentando conquistar a simpatia dos eleitores. Não faltam, também, os velhos costumes de prometer os céus e a terra, como se não tivessem feito isso antes. Promessas de melhoria na saúde, na educação, mais moradia, mais segurança, entre outras, é o que não faltam. Até parece que esses mesmos políticos, que são eleitos e reeleitos, afirmam pela primeira vez que vão fazer isso ou aquilo. Na verdade, muitos não fazem praticamente nada em favor da população ou da sociedade que os elegeram. Pelo contrário, em geral fazem mais mal que bem: a máfia das sanguessugas, o mensalão, entre outros, são  péssimos exemplos que  demonstram o quanto de maldade são  capazes  muitos de  nossos políticos. Tenho um amigo que costuma dizer que muitos políticos são eleitos para criar  leis para nos prejudicar, no caso dos parlamentares.

É verdade que muitos só fazem o que não deveriam, em hipótese alguma, fazer. Mas, é importante lembrar que nada disso aconteceria se não tivesse quem colocasse os políticos corruptos para nos representar. Isto é, para representar o povo em seus anseios e necessidades. Desta feita, os representantes eleitos são escolhidos pela vontade do povo. Ou seria melhor afirmar pela vontade individual, ou de grupos? Várias pesquisas têm mostrado que a maioria dos eleitores não sabe em quem votou na ultima eleição, principalmente para os cargos proporcionais, isto é, os parlamentares. É que várias pessoas votam no candidato que promete um emprego, uma casa, ou qualquer outra coisa material que o eleitor se interesse. Não sabem esses eleitores que estão vendendo a única coisa que poderia contribuir para mudar ou melhorar a situação. Os eleitores que se vendem, na verdade, vendem a oportunidade de fazer desse país um país melhor, com moradia, educação, segurança, dentre outras necessidades.

A compra e venda de votos, além de ser um crime proporcionado por quem compra  e por quem vende, por prejudicar a todos é também a demonstração da falta de consciência do eleitor em relação ao seu papel na sociedade. Mas, por que será que temos eleitores e políticos tão sem vergonha e descarado? A resposta pode estar na falta de uma educação que proporcione uma visão critica e de reflexão da realidade e do mundo.

A educação formal, proporcionada nas escolas e universidades não deveria se ater apenas a formar meros técnicos, ou seria melhor dizer robôs, máquinas e capachos do sistema de exploração capitalista? A educação deve servir para a vida. Assim, nenhuma pessoa que se forma apenas para aprender técnicas  de como fazer isso ou aquilo é capaz de contribuir para a melhoria da sociedade e para o exercício da cidadania. As nossas escolas e faculdades em geral têm contribuído para a formação de um cidadão crítico e responsável? São poucas as que cumprem com esse papel. Não é por acaso que todo ano de eleição os mesmos políticos corruptos e irresponsáveis continuam sendo eleitos, o que prova o analfabetismo político que predomina na sociedade.

 



Escrito por joão Nunes da Silva às 18h32
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OS HOMENS

Entre outras coisas

moro longe do mar

e não escuto o barulho das ondas

mas aqui o sol é o mesmo

os homens são iguais

não vão muito além

eles calam pelo que têm

e sofrem.

José Vandilo Santos, amigo e poeta, do seu livro: Corpo estranho, 2006.



Escrito por jnunes7 às 11h03
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consumismo e sociedade

O texto a seguir foi extraído da Revista Caros Amigos nº 26 – maio de 1999.

Ruy Fernando Barboza é jornalista e psicólogo. Nesse tempo de consumismo, vale à pena refletir sobre o assunto.

 

Vamos morrer ricos

Nossos executivos – e nossa sociedade – estão negando seu self

 

Quem o vê sair da mansão no Morumbi, de manhã, em seu belo carro (importado, naturalmente), lendo a Gazeta Mercantil no banco de trás, inveja sua “felicidade”. Os filhos formados e formandos pela USP e GV – também saem em carros importados. A mulher bonita é elegante e bonita. Uma bela casa em Campos do Jordão, outra em Ubatuba. Apartamento em Nova York. Cargo de direção numa transnacional. Poucos atingem esse “sucesso” aos 48 anos (mesmo porque muitos, antes dessa idade, morrem do coração...).

Por que ele procura terapia? Por que os olhos tristes, a sensação de fracasso e inutilidade, a convicção de ter feito tudo errado na vida? E por que me lembro dele agora? Ah, sim: acabei de ler um artigo do incansável jornalista-ecologista Washington Novaes, falando da necessidade de o meio ambiente ser o ponto de partida de qualquer ação humana – já que tudo acontece na terra, na água e no ar. Washington propõe que o Estado mude radicalmente seu conceito de progresso econômico-social e pense, antes de tudo, na dimensão ambiental, em vez de estimular o crescimento “levando em conta” os prejuízos ambientais e, literalmente, correndo atrás deles. Isso porque empresas públicas e privadas já deterioraram demais nosso capital natural, num caminho possivelmente sem volta. Já é mesmo possível, segundo Washington, que tenhamos entrado “na trajetória do desenvolvimento não sustentável”, no médio e longo prazos. Dentro de algum tempo, portanto, talvez até estejamos um tanto ricos – mas mortos. Por isso é que Washington Novaes se bate tanto pela conscientização da sociedade contra esse autodestrutivo modelo de “sucesso”.

Segundo Alexander Lowen, criador da psicoterapia bioenergética, um modelo rigorosamente narcisista. Como o executivo de que falei linhas atrás, nossa sociedade incorre no mesmo erro de Narciso, o personagem mitológico. Narciso, encantado com sua linda imagem nas águas do lago, ficou contemplando-a, extasiado e paralisado, aponto de perder o contato com as necessidades do seu self – entre elas, a necessidade de alimentar-se. E esse êxtase paralisante o levou à morte. Nossos executivos – e nossa sociedade – estão também negando seu self.

É um aprendizado que começa cedo. Começa quando a mãe deixa a criança chorando no berço, até que, esfalfada, desista de sua necessidade – seja de mamar, seja de receber colo e carinho. Depois de algumas vezes, a criança esta pronta para negar seu self e se torna “produtiva”, no resto da vida. Esses bebês, no futuro, serão bons executivos. Negando seus sentimentos e necessidades mais profundas – como a necessidade de amar, de chorar quando estão tristes, de protestar quando sentem raiva, de rir quando estão alegres, de ser solidários quando um irmão sofre, de sentir o próprio corpo. É assim que nossos corpos perdem a vida. É assim que nossa economia vai morrer, se seus bons executivos não acordarem em tempo.

 

 

 



Escrito por jnunes7 às 15h58
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CAPITALISMO, ALIENAÇÃO E IDEOLOGIA

As pessoas, nos últimos tempos, de forma geral se mostram bastante ansiosas, preocupadas em seguir um estilo de vida em torno dos interesses materiais. Para muitos, a vida é encarada  como se fosse  um grande campo de guerra, onde cada um precisa fazer  o possível e o impossível para garantir o seu bem estar.Para outros, é palco de um grande desfile de grifes diversas

 

Se analisarmos criteriosamente a corrida frenética de muitas pessoas para  se alcançar o que se imagina seja a felicidade – roupas da última moda, carros de luxo, festas, badalações, viagens para os lugares mais indicados nas revistas e propagandas em geral, conta bancária com um saldo positivo de causar inveja a todos etc, percebemos que até parece que a vida se resume a isso. Somente isso: dinheiro, luxo , status e poder. Na verdade, tudo não passa de uma grande ilusão.

 

Ilusão e alienação são palavras que refletem bem a sociedade pós-industrial capitalista, cujos valores estabelecidos estão longe  de garantir o seu real bem estar e a sua felicidade. O filósofo  Karl Marx, ao analisar a sociedade capitalista, demonstrou que esse  modelo de sociedade jamais  corresponderá a uma vida digna e plena de realizações e de felicidades.

 

Marx critica , com muita precisão, o capitalismo, ao perceber que a base desse modelo consiste no lucro exagerado e na exploração do homem em função do dinheiro. Com base no seu raciocínio, ao se estabelecer um sistema, cujo princípio é a exploração e a desigualdade, a vida é tida como um grande negócio, enquanto que o mundo se resume  num grande mercado, onde tudo está à venda e os mais fortes e espertos levam a melhor.

 

Desta forma, a realidade em que vivemos demonstra diversos problemas decorrentes do capitalismo. A desigualdade e a exclusão social denunciam esse modelo injusto e perverso que insiste em manter os seres humanos como objetos, em vez de sujeitos históricos.Seres alienados, educados para a submissão ou para a exploração.

 

Através da ideologia capitalista, isto é, de um conjunto de ideais, ações, praticas e condutas existentes para atender os interesses do capital, as pessoas são levadas, manobradas, manipuladas como se fossem massas. Com esta você faz o que quer. Mas essa massa é mais diferente  daquela, pois fora injetado na mesma substâncias tóxicas, as quais se reproduzem de  forma assustadora. A educação e os meios de comunicação de massa, a politicagem, a corrupção, até mesmo a religião, consistem em  verdadeiros aparelhos ideológicos que mantém essa situação tão injusta. Evidentemente que pode ser o contrário, pois, a educação pode contribuir para a emancipação, todavia, quando está subjugada as leis do mercado, tudo gira em torno de cifras. A necessidade do lucro fala mais alto, de modo que a ética, a justiça e o respeito ficam esquecidos nas diversas relações sociais.



Escrito por jnunes7 às 15h27
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Karl Marx

Karl Marx (1818-1884)

            As idéias de Karl Marx, além de contribuir para um estudo científico critico da sociedade, se tornaram  influentes  junto aos movimentos sociais, aos partidos de esquerda, base para as diversas manifestações contrárias ao capitalismo e na busca de uma sociedade mais justa. Dentre suas principais obras destacam-se: O Capital, Manifesto Comunista. Éconsiderado um dos clássicos da sociologia que elabora uma teoria diferenciada dos demais pelo seu caráter político e critico da sociedade capitalista.Viveu no século XIX, período da consolidação do capitalismo, cujo objetivo principal centrava-se na maior produtividade dos trabalhadores com vistas ao lucro dos empresários

Diferentemente de Durkheim, Marx estuda a sociedade a partir da metodologia  dialética, evidenciando os conflitos, as contradições  e a dinâmica da sociedade, principalmente a capitalista.

Para Marx, o motor da sociedade é o trabalho e, em torno  deste, a sociedade se organiza. Assim as relações sociais estabelecidas no dia-a-dia se dão em função do trabalho, o que leva a uma sociedade conflituosa uma vez que nessa relação existe o dono dos meios de produção (o capitalista) e o trabalhador.

Nesse contexto de polarização entre proprietários e não proprietários dos meios de produção, os conflitos e as lutas dos trabalhadores recrudescem. Karl Marx utiliza-se do método dialético para desmistificar as formas de exploração dos capitalistas e tornar explícito para os trabalhadores a compreensão de sua situação de explorados, com vistas a sua luta para a transformação da sociedade.

Na visão marxista o estudo de qualquer sociedade deve partir justamente das relações sociais em que os homens estabelecem entre si para utilizar os meios de produção e transformar a natureza. Os principais conceitos utilizados por Karl Marx para analisar sociologicamente os fenômenos sociais são: classes sociais, mercadoria Mais-valia, alienação e ideologia.



Categoria: pensadores
Escrito por jnunes7 às 10h24
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importância da Sociologia

COMO A SOCIOLOGIA PODE AJUDAR EM NOSSAS VIDAS?

 

 

A sociologia tem muitas implicações práticas para as nossas vidas, como enfatizou Mills ao desenvolver a sua idéia de imaginação sociológica.

 

  1. Consciência das diferenças culturais

 

Primeiramente, a sociologia nos permite ver o mundo social a partir de outros pontos de vista que não o nosso. Com freqüência, se compreendemos propriamente como os outros vivem, também adquirimos melhor entendimento de quais são seus problemas. Políticas práticas que não são baseadas numa consciência bem-informada dos modos de vida das pessoas afetadas por elas têm poucas chances de sucesso. Assim, um assistente social branco, operando numa comunidade predominantemente negra, não ganhará  a confiança de seus membros sem desenvolver uma sensibilidade às diferenças na experiência social, que, amiúde, separam brancos e negros.

 

  1. Avaliando os efeitos das políticas

 

Em segundo lugar, a pesquisa sociológica fornece ajuda prática na avaliação dos resultados de iniciativas políticas. Um programa de reforma prática pode simplesmente fracassar em realizar o que seus planejadores buscam ou podem trazer conseqüências involuntárias  e desastrosas. Por exemplo, nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial, grandes blocos residenciais públicos foram edificados em centros urbanos de muitos países. Eram planejados para fornecer altos padrões de acomodação a grupos de baixa renda que viviam em cortiços, oferecendo nas proximidades instalações de compras e outros serviços urbanos. Contudo, pesquisas mostraram que muitas pessoas que haviam se mudado de suas habitações anteriores para grandes blocos de edifícios sentiram-se isolados e infelizes. As altas edificações e os shoppings centers nas áreas mais pobres dilapidaram-se e forneceram terreno fértil a assaltos e a outros crimes violentes.

 

  1. Auto-esclarecimento

 

Em terceiro lugar – e de certo modo, mais importante -, a sociologia pode nos fornecer auto-esclarecimento – uma maior autocompreensão. Quanto mais sabemos por que agimos como agimos e como se dá o completo funcionamento de nossa sociedade, provavelmente seremos mais capazes de influenciar nossos próprios futuros. Não deveríamos ver a sociologia como uma ciência que auxilia somente os que fazem políticas – ou seja, grupos poderosos – como o fito de tomarem decisões informadas. Não se pode supor que os que estão no poder sempre levarão em consideração, em suas políticas, os interesses dos menos poderosos ou menos privilegiados. Grupos de auto-esclarecimento podem freqüentemente se beneficiar da pesquisa sociológica e responder de forma efetiva às políticas governamentais ou formar iniciativas políticas próprias. Grupos de auto-ajuda como os Alcoólicos Anônimos, ou movimentos sociais como o movimento ambiental, são exemplos que tem buscado diretamente realizar reformas práticas com considerável sucesso.

 

Extraído de GIDDENS, Anthony. Sociologia. 4ª. Ed. Porto Alegre : Artmed, 2005. (p. 25-26)



Escrito por jnunes7 às 22h34
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O sentido da política é a liberdade (Hannah Arendt)

Escrito por jnunes7 às 15h51
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a Sociologia

A sociologia e sua importância na sociedade

Estudar cientificamente a sociedade é  preocupação da Sociologia.O objeto de estudo dessa ciencia é o ser humano e seus meio em suas interações sociais.

“A sociedade é formada por vários elementos que interagem através da cultura e do trabalho de um povo. Na opinião de Paulo Meksenas. A sociedade significa o relacionamento dos homens entre si que, organizado por uma forma distinta de trabalho, dá origem a uma cultura.”

 

Entender essa sociedade não é uma tarefa das mais simples. Para isto, surgiu a Sociologia, esta ciência criada  a partir das idéias de Augusto Comte, pensador francês do final do século XIX. Esta ciência da sociedade procura estudar o ser humano nas suas diversas formas de  associação e de organização.

 

A ciência sociológica é fruto de todo um contexto  histórico desencadeado principalmente a partir do capitalismo e da industrialização, cujas conseqüências atingiram a vida das pessoas, grupos e instituições  sociais diversas: a família, a religião, a educação, a economia, o Estado e a ciência.

 

Com o desenvolvimento do capitalismo e da industrialização, inicia-se uma nova era de extrema racionalidade, de organização e sistematização das ações humanas o que se mostra na arte e cultura em geral, na estética, no comportamento humano, no trabalho, no lazer e até mesmo na religião. Deste modo, como bem pensou o fundador da sociologia, o mundo cada vez mais passa a exigir explicações lógicas e precisas sobre tudo que envolve as relações sociais.

 

A sociologia nasce para oferecer condições aos homens para que possam entender a sociedade em que vivem de maneira racional, questionadora e, assim, procurar conhecer as causas dos fenômenos sociais. Dessa maneira, pensar sociologicamente é procurar compreender o contexto global que envolve o ser humano, onde quer que esteja. Deste modo, é possível buscar prever os possíveis problemas, planejar e executar ações precisas para  resolver os conflitos e problemas que surgem ou que possam acontecer.

 

A ciência da sociedade, como também é chamada a sociologia é de vital importância para compreender as diversas situações que envolvem as pessoas em seu dia a dia como na família, no trabalho, na escola, nas empresas em geral, nos hospitais, nos presídios, no lazer e, ainda, em  ocasiões como as surgidas em razão das contradições geradas pelo modelo de sociedade vigente tais como nos movimentos sociais,seja no campo ou na cidade.

 

Estudar cientificamente a sociedade é ter um olhar sociológico, buscando compreender os possíveis aspectos ou elementos que envolvem um problema ou fato social.

 

Através da sociologia é possível compreender determinadas situações, processos ou condições que  provocam problemas sociais diversos como é o caso da pobreza,  da violência, do desemprego, da falta de condições de moradia, dos conflitos étnicos e culturais entre outros.

 



Escrito por jnunes7 às 08h15
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eleições

Estamos em tempo de  mais uma eleição. Seu voto não tem preço. Não venda. Não se venda.

Escrito por jnunes7 às 23h48
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ZUZU ANGEL

Ontem assisti o filme Zuzu Angel.  Valeu à pena. O Brasil não pode esquecer do que foi a ditadura militar e o que fizeram em nome da lei e da ordem. As novas gerações precisam ter ciência da intolerancia e da crueldade praticada nesse período pelos militares cujas consequencias até hoje sentimos.Parabens Sergio Rezende. Parabens Cinema brasileiro.



Escrito por jnunes7 às 23h41
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conhecer é fundamental

O conhecimento é fundamental na vida e para a vida de todos. A ignorancia, por sua vez, é  mãe de todos os absurdos e desalinhos da vida. Para se conhecer não basta apenas viver; é necessário buscar, dialogar, questionar, ler e estudar. A leitura coloca o mundo à sua frente.



Escrito por jnunes7 às 22h22
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