Blog do João Nunes da Silva: reflexão, crítica e conhecimento
   


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A HOMOFOBIA LEGITIMADA

O mundo não é lugar para pessoas livres”. Essa frase foi dita sabiamente pela jornalista Glória Maria em um dos programas de TV. Creio que também essa frase serve como uma luva no contexto em que o país vive atualmente marcado por intolerâncias e impropérios, principalmente com os ânimos acirrados em razão de demonstrações evidentes de homofobia e racismo protagonizadas por um Pastor e Deputado.

Provavelmente muitas pessoas não tenham a noção exata do que representa um parlamentar, pastor e presidente de uma Comissão cuja razão de existência é exatamente a garantia do respeito aos Direitos Humanos. Para quem tem o mínimo de bom senso deve saber que a celeuma que veio á baila com os impropérios do atual presidente da Comissão dos Direitos Humanos e das Minorias não apresenta nenhum fundamento lógico e somente contribui para legitimar atitudes homofóbicas. Práticas como essa demonstram o baixo grau de civilidade e de capacidade intelectual e moral da humanidade no atual estágio em que se encontra. Como afirmou o geógrafo Milton Santos, “estamos muito longe de uma humanidade de fato; estamos ensaiando ainda uma humanidade”.

Vejo que afirmações como as protagonizadas por Marco Feliciano somente tornam pior as coisas. Tais afirmações constituem na verdade um grande perigo diante da pouca civilidade do ser humano. Viver em sociedade significa vivermos juntos, de modo que é imprescindível o respeito ao outro, assim como esperamos que os outros nos respeitem. Trata-se de um imperativo categórico conforme o entendimento da ética kantiana. Por que razões determinadas pessoas se sentem no direito de negar o direito dos outros simplesmente por não concordarem com o modo como expressam ou vivenciam sua sexualidade? Atitudes que incitam a homofobia demonstram fundamentalismo e alto grau de intolerância.

A homofobia é fruto de convenções sociais e culturais e, portanto, não condiz com o que é próprio de qualquer ser vivente; isto é: com a necessidade de liberdade e de viver dignamente. Com suas afirmações Feliciano comete no mínimo três pecados: 1) incita o ódio em vez de espalhar o amor, conforme ensinou Jesus; 2) agride o bom senso e o decoro parlamentar 3) se mostra incompatível com o cargo e função que ocupa. Tristemente percebe-se que Feliciano arteiramente se beneficia dessa situação para arregimentar mais incautos. Numa sociedade onde a educação é focada no mercado, pensada e estruturada na ótica do individuo, resulta em conhecimento fragmentado e, consequentemente, na alienação da maioria. Dessa forma alimenta o sistema e nega o ser humano cuja essência é a interdependência. Como consequência boa parte não apresenta elementos necessários para o aprofundamento de temas como esse e, em contrapartida, age pela emoção e pela ignorância alimentada por aqueles que deveriam orientar.



Escrito por João Nunes da Silva às 17h58
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Educação e autonomia

 

A educação é fundamental para o ser humano na sociedade, pois, é por meio dela que é possível se preparar para o exercício profissional e para a vida. Isto é, a educação é fundamental para o exercício da cidadania e para a autonomia da pessoa. Será mesmo? Em tese podemos dizer que sim. Mas, nem tudo acontece conforme a teoria e as mais puras intenções; se é que podemos dizer assim.

Para se pensar a educação como uma forma de preparação para a autonomia é necessário considerar antes de tudo qual o tipo de educação se está se referindo; se é formal ou informal. A primeira é institucionalizada, com regras e normas definidas; a segunda é a da própria vida e está presente nos diversos momentos da nossa vida: família, religião, arte, cultura etc.

Desde o primeiro momento que se estabeleceu o que chamamos de educação formal, especialmente a dirigida às massas, também se institucionalizaram formas de dominação. Isto é, a educação formal não foi pensada para a autonomia de fato, mas para servir aos interesses de uma classe hegemônica. Foi assim com a chamada educação Redentora ou tradicional e se consolida com a tecnicista; esta amplamente difundida em nossos dias nas escolas e diversas instituições de ensino superior. 

A educação formal insiste mais no treinamento e na técnica para atender aos objetivos e demandas imediatas do mercado. É verdade que isso desde sempre tem sido uma necessidade para a produção e reprodução da sociedade, porém, também não se pode negar os interesses tácitos de dominação e de imposição de um grupo social sobre a maioria da sociedade.

A educação formal nunca foi pensada como algo para todos no sentido igualitário, mas sim, pensada para poucos mesmo. Isso desde a Antiguidade aos nossos dias o princípio tem sido o mesmo, ou seja, da desigualdade. O próprio conceito de cidadania na Grécia e na Roma Antiga já excluía os escravos, mulheres e estrangeiros, por exemplo. Isto é, a maioria da sociedade não tinha o direito de educação, mas apenas aqueles que comandavam a sociedade. Hoje a escola é “para todos”, mas de forma desigual e injusta, pois quem tem maior poder econômico também tem o privilegio de escolher a escola que quer e as melhores condições (materiais, físicas, psicológicas) para estudar.

A educação é para as massas, mas o principio é o da exclusão. Nisso está o que o sociólogo Bourdieu denominou de violência simbólica e capital cultural. O primeir conceito se refere às estratégias de exclusão presentes na escola formal, com práticas veladas de diferenciação, de preconceito e de discriminação. O capital cultural se refere às condições apropriadas para uma educação voltada para a produção do conhecimento.

Nesse caso os filhos dos ricos, os privilegiados de berço, apresentam-se com maior capital cultural do que os filhos da classe trabalhadora, uma vez que têm tudo à disposição e não são obrigados a deixar de estudar para trabalhar. Os filhos da maioria, quando podem, estudam, embora em condições totalmente adversas, todavia, são exigidos deles como se tivessem na mesma situação dos demais.

 



Escrito por João Nunes da Silva às 11h16
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Piada de mau gosto

 

Há coisas na vida que não devem de maneira alguma ser esquecidas ou ignoradas como se tudo fosse absolutamente normal; aliás, essa coisa de normal é no mínimo complexa, afinal, o que é ser normal? Se é seguir o ritmo da maioria alienada, ou ficar calado diante de injustiças e barbaridades, então essa normalidade não faz o menor sentido. Há alguns dias uma polêmica entre o CQC, com suas piadas de mau gosto, e uma blogueira, deu o tom da conversa nas redes sociais. A questão é que num dos programas veiculados na internet do CQC sobre amamentação em publico os integrantes desse programa ridicularizaram de forma escancarada as mulheres que amamentam em lugar publico, como no Shopping, por exemplo. De forma vergonhosa, os apresentadores se mostraram extremamente machistas e destilaram fases preconceituosas e desrespeitosas. Isso foi suficiente para que feministas diversas reagissem imediatamente; no caso, uma blogueira, que possui milhares de seguidores, resolveu comprar a briga com o CQC, de modo que foi ameaçada de processo por um dos apresentadores do programa.

 É fato que o CQC vive de fazer piadas,  mas algumas delas são de  muito mau gosto e preconceituosas, pois, ninguém se sente bem sendo ridicularizado, como se fosse qualquer brinquedinho a serviço do poder do macho. Aqueles que não vêem nenhum problema nesses tipos de piadas preconceituosas utilizam de justificativas do tipo: a “piada não pode e nem deve ser censurada”; será mesmo? Pois digo com convicção que, sendo homem, me sinto envergonhado com esse tipo de comportamento desrespeitoso, preconceituoso, machista e impertinente. Não é porque se é famoso, que está na TV ou na rede social que se tem o direito de achincalhar o ser humano, seja ele quem for.

Como se não bastassem, um dos comediantes do referido programa também chegou a afirmar que mulher feia estuprada deveria agradecer ao estuprador e que este merece um abraço. Agora, é inevitável perguntar? Isso é piada que se conte? Como alguém pode rir diante de um desrespeito tamanho? Como alguém pode aceitar isso como uma simples piada?

A razão de tamanho absurdo está no padrão de beleza instituído na sociedade e difundido amplamente pelas diversas mídias. Como se pode confundir estupro com sexo e achar bonito? Coisas desse tipo devem ser banidas, pois a vida não é um concurso de beleza e as mulheres não são objetos, porém, constantemente são tratadas como tal. Tudo isso é típico de uma sociedade machista e aquele que não se indigna com atitudes como essa faz coro ao preconceito e a toda forma de desrespeito ao ser humano.

 



Escrito por João Nunes da Silva às 00h03
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Olha que coisa mais fofa!!!

 



Escrito por João Nunes da Silva às 11h10
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Crime em dois tempos

 

O dia 24 de maio de 2011 deve ficar marcado na história do Brasil como o dia do crime em dois tempos; explico: é que ao mesmo tempo em que o Congresso Nacional votava o novo código florestal também foram assassinados numa emboscada dois líderes ambientalistas – José Carlos Ribeiro Batista e sua esposa, Maria do Espírito Santo. O fato se deu  próximo ao município de Ipixuna – Pará. Parafraseando um título de um  belo romance da literatura brasileira, podemos dizer que foi a morte e a morte de um personagem em dois tempos. O personagem a vida (ambiental e humana) em constante luta contra os absurdos provocados pela ganância do grande capital representado pelos grileiros, latifundiários, madeireiros e grandes empresas rurais.

Por ironia, quis o destino que no mesmo dia em que se votava o novo código florestal à favor mais do capital do que da vida,  que fossem mortos dois líderes da luta ambientalista. Trata-se de uma grande tristeza para os mais sensíveis, pois, para aqueles que ignoram a vida e um planeta saudável, nada disso tem valor. A prova concreta é que quando foi anunciada no congresso a morte dos ambientalistas pôde-se ouvir varias vaias, enquanto os deputados se preparavam para votar as mudanças no código florestal as quais beneficiam o desmatadores, diminui as áreas de proteção ambiental- APPs, além de outros malefícios.

O pior de tudo é a certeza da impunidade e a conivência das autoridades, as quais fazem vistas grossas para o problema. Desrespeita-se assim a vida em dois tempos: a vida do planeta e a vida humana como um todo. Tais absurdos acontecem onde a instituição Estado se mostra inoperante, ineficiente ou conivente com a situação de exploração e de humilhação em que se encontra a maioria dos trabalhadores. Não por acaso que em razão do grande número de assassinatos no campo e de pessoas marcadas para morrer que foi produzido um filme intitulado: Este homem vai morrer: um faroeste caboclo, dirigido pelo jornalista e cineasta Emiliano Gallo. O filme trata exatamente dos assassinatos no campo e da impunidade dos principais responsáveis pelas mortes no campo no estado do Pará. Isto não deve ser visto como um fenômeno natural ou um problema individual, mas sim histórico e cultural. Coisas desse tipo merecem a indignação da sociedade como um todo e não o silêncio. Quanto ao Estado, este precisa fazer valer o direito à vida, a proteção e a segurança. 



Escrito por João Nunes da Silva às 17h01
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Os reais motivos à guerra

Mike Prysner, soldado estadunidense e veterano de guerra do Iraque, relata os reais motivos que levaram os EE.UU a invasão. Terrorismo, caos, conflito, etc...



Escrito por João Nunes da Silva às 10h20
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A participação da imprensa na construção da mentira

 

 

Um documentário imperdível sobre as mentiras construídas pelo governo americano e disseminadas pela imprensa como forma de desenvolver a politica belicista e, consequentemente, justificar as guerras perpetradas pelos Estados Unidos.



Escrito por João Nunes da Silva às 00h20
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A invenção do homem e da mulher

João Nunes da Silva

Doutorando em comunicação e cultura contemporânea, mestre em sociólogia e professor universitário. E-mail:  jnunes7@gmail.com

 

O que se configurou ao longo do tempo sobre homem e mulher é resultado da cultura machista instituída na sociedade. Para ser mais claro, o que conhecemos para diferenciar o gênero masculino do feminino pela alcunha de homem e de mulher é fruto de todo um processo histórico e cultural da humanidade. As instituições sociais, também criadas pelos homens, e, portanto, baseadas em concepções masculinizadas do mundo, ou machistas, encarregaram-se de formatar o ser humano e de enquadrá-lo a partir de interesses não tão nobres.

A família, a escola, a igreja e o Estado, constituem as principais instituições responsáveis pela inculcação ideológica sobre os seres humanos de forma que impôs papeis e ainda exige comportamentos adequados conforme o que se espera para a manutenção de um tipo de sociedade. À mulher foram delegados papeis a partir da ótica machista, como estar a serviço do homem, esposa, “rainha do lar” e outras funções, com o intuito de fazer crer a todos que fora dessa perspectiva a mulher não seria aceita na sociedade. Com isso, foram denominadas de bruxas aquelas mulheres que simplesmente não se enquadravam nos paradigmas impostos por aqueles que se achavam “donos do mundo”.

Não por acaso que muitas delas foram queimadas vivas pelo Tribunal do Santo Ofício, mais conhecido como Inquisição. Sim, coube a Igreja, extremamente masculinizada até os dias de hoje, o papel de reforçar essa ideia de submissão total da mulher ao homem. Para tanto, a bíblia, livro mais lido no mundo, escrito por homens e a partir de diferentes contextos (histórico, político e cultural) serviu como uma espécie de materialização do pensamento machista sobre a mulher e sua condição ou participação no mundo.

O Estado, por sua vez, baseado nessa perspectiva machista, instituiu leis as quais, contribuíram para a estruturação de uma sociedade injusta para com as mulheres especialmente. Toda essa construção histórica e cultural criou um imaginário masculinizado sobre o mundo. Dessa forma foram sendo estabelecidas relações sociais diversas: em casa, no trabalho, na Igreja e na sociedade em geral, desumanas, desrespeitosas e intolerantes. Uma vez que o padrão de gênero feminino é inferiorizado, tem-se como resultado diversas formas de violência contra a mulher.



Escrito por João Nunes da Silva às 20h38
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A morte de Bin Laden: elementos para reflexão

A morte do terrorista número um, Bin Laden, tem sido tema central nos principais jornais do mundo. Mas há de se convir que essa história (ou seria estória?) está muito mal contada. Se se tem como verdade, alguns aspectos merecem ser discutido à luz da razão, sem qualquer fanatismo. Se for fato que Bin Laden foi morto, os Estados Unidos precisam esclarecer o ocorrido. Por exemplo, por que não mostram o corpo? Como acreditar num exame de DNA feito por integrantes da CIA? Desde quando os EUA vão se preocupar em respeitar os costumes muçulmanos, principalmente quando se trata do corpo de homem mais odiado pelos próprios americanos? Então cuidaram do corpo, enrolaram-no carinhosamente e em seguida jogaram no mar? Que história bonita não?

Agora digamos que tudo isso foi verdade e que de fato o terrorista numero um da Al Qaeda foi morto por soldados americanos habilmente treinados para tal missão; pois bem, então surgem outras questões relacionadas aos direitos internacionais, direitos humanos, soberania nacional, respeito aos chefes de Estados, etc. Se fosse diferente a situação e que um terrorista ou mesmo um bandido estrangeiro fosse procurado em solo americano, desde quando os EUA iriam admitir que seu território fosse invadido?

O assassinato de Bin Laden pelos americanos coloca em contradição o próprio discurso do seu governo, da democracia e da liberdade. Evidentemente que não estou aqui defendendo as ações terroristas atribuídas a Bin Laden, como o ataque de 11 de setembro; a questão que precisa ser analisada criteriosamente é quanto à postura imperialista americana sobre os demais países: a Guerra do Iraque, por exemplo, foi iniciada sob uma grande mentira, pois, diziam que Sadan Hussein escondia armas de destruição em massa e, por isso, O Iraque deveria ser invadido, como fizeram de fato à revelia até mesmo das Organizações das Nações Unidas. Depois, como se sabe,tudo ficou esclarecido e a historia das armas de destruição não passou de “conversa prá boi dormir”. Ah, mas, como se trata dos Estado Unidos, então pode? Afinal, trata-se de uma nação modelo, guardiã da liberdade, da democracia e dos direitos humanos. Mas, a prisão de Guantânamo continua funcionando, onde pessoas tidas como suspeitas são torturadas até que falem o que o governo americano deseja. E quanto ao Iraque, o que o seu povo ganhou com a guerra? O que o mundo ganhou afinal? E quanto ao apoio logístico às ditaduras militares dado pelos EUA, nos anos 70, inclusive com escolas para ensinar como torturar, como já ficou claro?

Voltemos então a morte de Bin Laden, quem ganha com isso? O mundo então está mais seguro? Por quê? Como está seguro se uma nação se acha no direito de invadir qualquer país quando bem quer? 



Escrito por João Nunes da Silva às 23h48
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Trabalho e poder

 

No dia do trabalho acordei pensando sobre  a sua importância para a sociedade e sua íntima relação com o poder. Sem dúvida, a sociedade não existiria sem o trabalho. Não por acaso que os grandes estudiosos das ciências sociais, filósofos e pensadores têm demonstrado grande interesse em discutir  sobre o trabalho e suas implicações. Marx foi um deles que estudou profundamente sobre as relações de trabalho no capitalismo e apontou o quanto de exploração o trabalhador é submetido, enquanto que o capitalista acumula riquezas advindas com o suor e sangue da maioria da população através da mais-valia. Essa contradição é acintosamente ignorada.

Nas peças publicitárias e em todo o sistema de marketing empresarial há todo um esforço velado no sentido de apresentar uma sociedade perfeita, onde os direitos humanos e trabalhistas são plenamente respeitados. Mas todos sabem que as relações de trabalho ainda são, em geral, desumanas: salários baixos, péssimas condições (físicas, materiais,  psicológicas etc), são visíveis no campo e na cidade. O assédio moral, o desrespeito ao trabalhador e a pressão por maior produtividade, estão presentes em praticamente todas as empresas, tanto públicas quanto privadas. Mas isso tudo é ignorado e, quando há reclamações da parte dos trabalhadores, os empregadores  as têm como problema isolado, como um ato subversivo ou como coisa de quem está “fazendo política”. Nessa perspectiva apenas os empregadores têm o direito de fazer política. Com isso, deturpa-se até mesmo o conceito de política. Assim, qualquer forma de manifestação: greves, ou até mesmo tentativas de negociações, são tratadas com desdém.

Não por acaso que os movimentos sociais surgidos no âmbito do trabalho tiveram seu início há muito tempo, especialmente quando se evidenciaram o desenvolvimento e as contradições do sistema capitalista, cujos resultados diretos são a concentração de riquezas e o aumento da pobreza e da miséria. Nos primórdios da Revolução Industrial até as primeiras décadas do século XX não havia qualquer legislação que resguardasse os direitos do trabalhador: definição da jornada de trabalho, férias, décimo terceiro, entre outros benefícios, se tornaram obrigatórios após muitas lutas e organizações dos trabalhadores. Todavia, vez por outra os partidos conservadores, formados por representantes da burguesia rural e urbana  tentam tirar tais direitos já garantidos por lei para aqueles que de fato produzem a riqueza das nações.

A principal fonte produtora de riqueza é a força de trabalho humana. Essa força continua em nossos dias sendo objeto de muita exploração. Discutir acerca das condições de trabalho ainda constitui num grande tabu, tendo em vista a visão retrógrada das elites detentoras dos meios de produção. Trabalho e poder são praticamente sinônimos, pois quem tem primazia sobre os trabalhadores, em razão de concentrar os meios de produção, impõe uma estrutura social injusta como forma de garantir o poder e sua perpetuação; em contrapartida, os trabalhadores, donos unicamente da força de trabalho, são tornados em mercadorias baratas, quando não, meros escravos. A demonstração direta dessa realidade injusta são os bolsões de miséria, onde amontoam-se famílias inteiras em favelas em contraste com residências luxuosas nas grandes metrópoles. Nisso temos uma verdadeira ignomínia, um conflito social constante e a chamada luta de classes.

 



Escrito por João Nunes da Silva às 14h18
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Cineclube e vida inteligente em Palmas

O poeta Ferreira Goulart certa vez afirmou que a arte existe porque a vida em si não basta; é a mais pura verdade, pois o mundo seria muito pior senão existisse a arte; seria lastimável. Não por acaso que os grandes artistas, desde a antiguidade, até os nossos dias, têm contribuído significativamente para um mundo melhor através da arte; a tragédia e a comédia muito nos ensinam sobre esse aspecto, daí  vale a pena ler A poética aristotélica, obra primorosa sobre a arte, seus programas de efeitos  e sua importância para a sociedade. Dentre as artes, o cinema, também chamado de sétima arte, é algo fundamental na vida de uma cidade, coisa que ultimamente tem se tornado algo raro em Palmas.

Felizmente existem pessoas interessantes e inteligentes, coisa que também parece raro no mundo de hoje. E são essas pessoas que fazem a diferença no mundo; são  os “loucos”, os que saem da normalidade, e que resistem à  hipocrisia, que transformam o mundo; por isso viva os loucos, como afirmou o personagem Policarpo Quaresma em obra homônima, de Lima Barreto.

Assim, louvo a iniciativa de jovens sensíveis (Gabriel Deeaz, Lorena Dias, Gibran di Gesu ,Carol dos Anjos , Henrique Moreira , Patricia Ströher, Taciano Gouveia,Tiago, Marcus Mesquita, Bob Maia) do Cineclube Sem Tela e seu coordenador, Marcelo Sousa que, há mais ou menos três anos, tiveram a ideia de criar esse espaço o qual só agora tive a oportunidade de conhecer e de participar.

Sem dúvida essa é uma ótima oportunidade, algo imperdível para os amantes da sétima arte e para toda a sociedade palmense. O cineclube é um espaço para apreciação, debates e aprofundamentos a partir dos filmes.

Na noite de 25 de janeiro o Cineclube Sem Tela exibiu o curta João Solidão ( de André Araujo) e o longa Quincas Berro D’agua (de Sergio Machado), adaptação da obra de Jorge Amado. Em seguida houve um caloroso debate. No próximo domingo teremos nova edição, na Praça da 110 Sul, às 19:30. Conforme informações dos organizadores, a ideia inicial é apreciar e discutir os principais filmes brasileiros de 2010, além disso, a cada sessão serão exibidos vídeos ou filmes (curta-metragens) da produção recente do Estado, o que é fundamental para o conhecimento do potencial tocantinense nessa área. Sem dúvida, começamos muito bem o ano.



Escrito por João Nunes da Silva às 03h40
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PADILHA E TROPA DE ELITE I e II

O diretor José Padilha aponta como um dos cineastas mais badalados no Brasil, especialmente em função dos seus filmes Tropa de Elite I e II; antes já se fizera conhecido com o documentário Ônibus 174 (2002) e foi inclusive a partir desse filme que surgiu a ideia de Tropa de Elite. Sobre o diretor diria que está em fase de descoberta e de crescimento, muito mais pelo apelo mercadológico do seu trabalho do que pelas sua postura, muitas vezes contraditórias e antiéticas. Quando falo antiética me refiro muito mais a sua direção em filmes como Garapa (2009).

Quanto a sua postura política, diria que é um sujeito "em cima do muro", com o discurso de neutraliadade, mas que, ao mesmo tempo afirma que faz um cinema político; se assim o faz, então não é neutro, pois a neutralidade, se for considerar a rigor, já é uma postura politica.

O seu trabalho com o Ônibus 174 me motivou a fazer um projeto de tese sobre a construção do personagem Sandro. Minha escolha é muito mais do ponto de vista cinematografico, do que pela direção ou postura política do diretor.

Mas, voltando ainda ao tema Padilha e Tropa de Elite I e II, diria que o cineasta aposta numa linha tipicamente comercial e utiliza de argumentos para dizer que faz filme político; em parte pode ser verdade e, por outro lado, é pura estratégia comercial e de marketing, o que não deixa de ser política.

Sobre os comentários de Padilha, especialmente com base na repotagem da UOL, de Alessandro Giannini, diria que a sua postura de neutralidade não convém, pois em geral todo aquele que se diz neutro geralmente pende à direita; além do mais é uma postura de quem se coloca em cima do muro; ainda a julgar por outra fala do diretor, se "faltou coragem ao candidato Serra", como ele afirma, sua postura de cima do muro já está explicada, pois é mesmo o lugar daquelas aves do bico grande.

Quanto aos dois filmes Tropa de Elite, o primeiro apresenta um viés fascista, quando faz apologia à policia e a seus atos de crueldade para enfrentar os criminosos pobres; Tropa de Elite II denuncia a policia corrupta, os politicos e o Estado; nesse caso já não faz apologia a policia e tenta passar uma ideia de neutralidade perante os fatos, de modo a se colocar acima do bem e do mal, além de construir o personagem representante dos direitos humanos como um ingênuo e ao mesmo tempo oportunista.

Para finalizar, uma pergunta: independente de estratégias comerciais, de produção e de marketing, por que será que a Veja tem grande simpatia pelos filmes Tropa de Elite e pelo seu diretor? Será que isso tem a ver com o próximo filme de Padilha que, por acaso, será contra Lula e o PT?



Escrito por João Nunes da Silva às 04h07
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JORNALISMO E ENTRETENIMENTO

Jornalismo não é entretenimento, mas, da forma como a "grande imprensa" utiliza, é na verdade mecanismo de imbecilização. Sei que muitos podem discordar do que afirmo; não tem problema, pois, tenho convicção de que o tipo de jornalismo a que somos acostumados a ver, especialmente os telejornais, são doses ( ou poderia dizer xaropes) para manter grande parte da população na ignorância.

Para alguns colegas da comunicação, certamente vão dizer que ainda estou no tempo da Teoria Hipodermica, aquela que considera os indivíduos meros receptores, os quais têm as mensagens midiáticas, principalmente da Televisão, como verdades absolutas. É verdade que o mundo mudou e com ele a forma de pensar sobre o que os medios têm para nos passar. Todavia, há de convir que em uma sociedade ainda com graves problemas educacionais, onde o analfabetismo funcional é alarmante, além do analfabetismo propriamente dito, os meios de comunicação de massa ainda exercem bastante influencias sobre individuos e coletividades; no mínimo a ideia de agendamento tem consistência, de modo que não é por acaso que a imprensa golpista se utiliza de determinados estratégias e táticas para fazer valer os seus interesses. Mas ainda bem que nem sempre isso dá certo, como foi o caso das últimas eleições: a vitória de Dilma foi principalmente a vitória do povo e a certeza de que as coisas estão mudando e é sinal de que dias melhores virão.

Enquanto isso, as principais emissoras de TV do país ainda continuam com suas formas de manipulação, tendo o jornalismo como entretenimento para que os incautos, que ainda é uma maioria da população continuem dormindo em "berço esplêndido". Quem tem o mínimo de bom senso não se permite ao absurdo dos telejornais como o da Globo e suas afiliadas, os quais não apresentam nada que interesse de fato às populações, apenas entreter e emburrecer.



Escrito por João Nunes da Silva às 15h16
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A NECESSIDADE DO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA E DE OUTROS

Hoje, 20 de novembro, é comemorado em nosso calendário o Dia Nacional da Consciência Negra. Essa homenagem a Zumbi, líder dos Palmares, se opõe à Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel, que, "libertou" os escravos de uma situação e colocou-os em outra praticamente igual, pois, sem terra, sem casa, sem alfabetização, sem nada, os escravos ficaram pelas ruas e favelas até hoje.

Quisera não fosse necessario uma data como essa, assim como o dia da mulher, da criança, do idoso, dentre tantas outras datas. Como se observa, existem essas homenagens porque faltam no dia à dia o respeito e a dignidade que todos merecem; daí ter o Dia da Consciência Negra e outros tantos necessários para que ecoem como gritos por um mundo melhor e mais justo.

A humanidade ainda caminha em passos lentos para um dia ser de fato algo, que poderiamos dizer, evoluída. Não somos nada evoluídos, especialmente em se tratando de respeito aos demais; por isso tanto preconceito, ignorância e absurdos diversos, com os quais ainda temos que conviver por muitos e muitos anos.

As últimas eleições presidenciais deixaram um legado triste, mas talvez necessário para que nos déssemos conta da nossa pequenez como seres humanos: o preconceito, a discriminação e a intolerância se escancararam; ficou mais evidete aquilo que já sabíamos existir desde o começo da colonização; é que somos preconceituosos sim e ainda intolerantes, mas a direita, extremamente conservadora se mostra ás claras com suas atitudes preconceituosas, vide Mayara Petruso, Mário Prates e os jovens homofóbos de São Paulo que agrediram outros jovens.

Antes inventaram o mito das três raças, a farsa do branqueamento, a cordialidade como forma dissimulada de preconceito e falsidade; mas, hoje em dia já não dá mais para disfarçar o preconceito, a intolerância e o ódio que a elite conservadora carrega por tantos anos contra esse povo tido como "ninguém".

Somos sim brasileiros, formados pelo cruzamento das três etnias e vivemos ainda em grandes desigualdades, fruto do processo de colonização pelo qual passamos. A cada dia que surge mais e mais a caixa de Pandora se abre e mostra o que ainda teremos pela frente.

São muitos os desafios e ainda temos muito que ralar. Desse modo, não dá prá ficar parado e simplesmente "olhando a banda passar"; é preciso lutar contra tudo aquilo que ainda nos impede de viver bem, de vivermos juntos.

Que num período bem próximo não precisemos mais de uma data para que alguém:(negro, branco, índio, mulher etc) seja visto como de fato deve ser; somos todos uma única raça, somos povo, somos gente, somos irmãos e isso está acima de qualquer coisa.

Veja esse e outros artigos no meu blog hospedado no Portal Luis Nassif. CLIQUE AQUI.



Escrito por João Nunes da Silva às 17h34
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JORNALISMO QUE SE PREZA NÃO OFENDE O POVO

Um jornalismo que se preza que podemos dizer de verdade, se preocupa em informar de fato o povo, independentemente de classe, grupo, cor, religião e ideologia; qualquer emissora de TV e seus respectivos jornalismos não são obrigados a concordarem com tudo, porém, devem primar pelo respeito ao povo e ter qualidade no serviço que presta. Mas, caso isso não aconteça, é de se perguntar: para que existir esse tipo de jornalismo?

Se um jornalismo ou qualquer um órgão de imprensa usa inclusive de uma concessão pública, como é o caso da RBS, emissora afiliada da Globo, para ofender grande parte da sociedade, é preciso usar dos instrumentos e espaços do Estado de Direito para acabar com isso.

Não é de hoje que alguns órgãos de imprensa ofendem pessoas, grupos e instituições sociais: a Globo, por exemplo, ofendeu e subestimou a nossa inteligência e nos desrespeitou quando do episódio da bolinha de papel, que, graças aos internautas sérios, logo foi desmascarada a farsa.

Em vários momentos podemos perceber o quanto a grande imprensa trabalha apenas em prol dos seus interesses e ignora e desrespeita a vontade do povo; o que a Revista Veja faz não pode nem ser chamado de jornalismo, uma vez que não tem a menor preocupação em mentir, manipular informações, desrespeitar e achincalhar o governo e quem concorda com sua política.

Agora a Folha de São Paulo procura enfraquecer e desqualificar a nossa presidente eleita, utilizando de artificios dos piores possíveis que um órgão de imprensa pode fazer usando dos arquivos da ditadura relacionados à Dilma, cujos depoimentos foram conseguidos sob tortura. Se é prá fazer jornalismo de verdadade por que entao esse mesmo jornal não aponta os torturadores e os tipos de torturas praticadas contra aqueles que lutavam por liberdade e democracia? É preciso fazer um jornalismo de verdade e não procurar enganar o povo, como fazem a tanto tempo.

Absurdos como esse do jornalista Mario Prates da RBS, de Santa Catarina, não pode ficar impune; só assim teremos um jornalismo de verdade; por isso a necessidade do controle social dos medios, o que não significa censura, como querem fazer passar. Chega de tanto absurdo e desrespeito.

 Veja também esse e outros artigos meus no Portal luis Nassif.CLIQUE AQUI.



Escrito por João Nunes da Silva às 16h13
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