 |
CIDADE DE DEUS: ESTÉTICA DA POBREZA E DA VIOLÊNCIA NO BRASIL
A realidade brasileira, especialmente no que diz respeito às difíceis condições de vida da maioria da população, tem sido alvo de cineastas diversos e possibilitado espaços para reflexão e debate sobre a necessidade de políticas sociais efetivas que permitam melhorias de vida para as populações pobres. A partir dos anos noventa a cinematografia brasileira tem priorizado o tema da pobreza e da violência, principalmente nas grandes cidades. Cidade de Deus (2002) é um dos filmes mais destacados, dos últimos tempos. Baseado no Romance homônimo de Paulo Lins, o filme é dirigido por Fernando Meireles e conta com a participação de atores como Matheus Nachtergaele, além de um grupo , em sua maioria amadores, moradores da prórpria favela. Ao assitir o filme temos a oportunidade de conhecer aspectos importantes da historia do antigo conjunto habitacional Cidade de Deus, anos sessenta, hoje uma das mais conhecidas favelas do Brasil, com destaque para as grandes transformações ocorridas ao longo do tempo, culminando com o conflito entre os principais traficantes, os quais dividem o poder no local. Em 2009, o filme foi escolhido como um dos 100 melhores filmes de todos os tempos pela revista Time, além de ter ganhado vários prêmios nacionais e internacionais.
Escrito por João Nunes da Silva às 23h13
[]
[envie esta mensagem]
[link]
O caso Geisy e a Universidade
Nesse mundo encontramos de tudo,inclusive coisas e fatos que muitas vezes nos incomodam, quando não entristecem e nos envergonham. São várias situações as quais nos deixam praticamente inertes frente a sua voraz capacidade de nos surpreender. Devíamos não surpreendermos com nada desse mundo, afinal, o ser humano é capaz de tudo na vida. Os últimos acontecimentos, como o que envolveu uma estudante de turismo de uma importante universidade de São Bernardo do Campo- SP, me intrigou bastante. Primeiramente pelo fato de tratar-se de uma universidade. Como todos já sabem, pois foi alvo de várias reportagens nas principais emissoras do país, inclusive tendo sido destacado até mesmo em jornais do exterior, a estudante foi hostilizada por praticamente toda a universidade simplesmente por ter usado um vestido curto. Para evitar problemas maiores, foi preciso uma escolta policial para que a garota pudesse sair. Como se não bastasse, a Universidade em questão resolveu expulsá-la, alegando comportamento inadequado da estudante e,cpor sua vez, justificando o ato de hostilização ocorrido. Com isso, a direção da Universidade conseguiu a proeza de transformar o fato num problema maior. Diante dessa realidade, resta-nos perguntar: Que tipo de Universidade e de universitários temos? Como pode um simples vestido, coisa comum hoje em dia, chamar tanta atenção e causar tanto frenesi? Até parece que tais estudantes que protagonizaram todo o alvoroço nunca viram na vida alguma mulher de vestido curto. Pois bem, acredito que fatos dessa natureza devem servir para refletirmos sobre o tipo de educação que estamos proporcionando, digo especialmente quando se trata de um ambiente universitário, como o próprio nome já indica, se refere à convivência com opiniões, atitudes e posturas diversas. Trata-se de um ambiente que, por sua natureza deve ser democrático e, por sua vez, proporcionar amplas discussões com vistas ao crescimento intelectual, moral e profissional das pessoas. Com certeza, não é isto que vimos. Agora fala-se em sensibilizar, mostrar para os ignorantes o que é um ambiente educacional. É preciso, também gestores mais sérios e capacitados para lidar com situações como essas, a fim de que não prejudiquem ainda mais aquilo que tem se tornado a cada dia uma piada de mau gosto. Se pensarmos na atitude inicial da reitoria da Universidade e na justificativa de seu advogado, seguramente podemos concluir que tipo de profissionais e de gestores determinadas Instituições de Ensino Superior tem colocado na sociedade. É por essas e outra coisas que tenho chamado a atenção para o perigo de termos uma formação totalmente voltada para a técnica, em detrimento da necessidade de problematização e de reflexão, como deve ser uma Universidade. As disciplinas de ciências sociais, como a Sociologia, a Antropologia e a Filosofia, entre outras, se mostram cada vez mais necessárias, especialmente quando temos fato dessa natureza. Se os nossos alunos não lêem nada, não tem oportunidades para discutir um texto, contextualizar as teorias com as diferentes realidades em que se encontram, vamos ter , cada vez mais atos imbecis como os que protagonizaram tal celeuma. As universidades foram feitas para nos proporcionar a capacidade de pensar, de refletir e de criticar.. Estamos assistindo a falência total da Universidade? Se uma Instituição de ensino superior deve se prestar apenas para atender aos interesses patronais e do mercado, então não precisa existir, pois, para isso temos as próprias empresas. Educação é muito mais que isso, principalmente quando se trata do que chamamos de ensino superior.
Escrito por João Nunes da Silva às 22h31
[]
[envie esta mensagem]
[link]
A vida
A vida consiste de sentidos e de significados que atribuímos a ela. Podemos dizer que a vida é complexa, sim. Mas, isto não é por acaso, nem obra da natureza. Toda complexidade da vida é criada por nós, seres humanos frágeis e ignorantes. Toda razão de existência está na própria razão da nossa conduta no mundo, especialmente a partir das orientações que seguimos, por acreditar serem as melhores. Somos imperfeitos sim, mas não por causa do criador, mas porque nos arrogamos o direito de pensar que somos maiores do que os demais seres e do que nossos pares. Dessa forma, tornamos aquilo que é simples, que é a vida, em algo de maior complexidade possível. A partir do que pensamos, colocamos em prática, materializamos de forma positiva e negativa, conforme seja o nosso grau ou nível de percepção do mundo, das coisas e das pessoas. Todos os conflitos e problemas de diferentes naturezas, os quais vivemos hoje, são fruto da nossa incapacidade de perceber o óbvio; isto é, que somos seres, assim como qualquer outro e nada neste mundo nos faz melhor do que os demais, nem tampouco nos permite o direito de agir com arrogância, truculência, ignorância e desrespeito a vida, ao planeta e aos nossos semelhantes. Somos animais e o que nos diferencia dos outros seres é a capacidade da razão, o que nos possibilita sistematizar, organizar, planejar e executar. Mas, talvez por isso conseguimos ser cruéis e nos jubilarmos com o sofrimento dos outros. Somos o único ser que mata e que humilha por prazer. Somos até capaz de eliminar nosso semelhante e de destruir o planeta.
Escrito por João Nunes da Silva às 11h31
[]
[envie esta mensagem]
[link]
NOSSO DESAFIO
Já não temos intelectuais como encontrávamos até pouco tempo. Refiro-me ao tipo de intelectual engajado, preocupado com os destinos da sociedade, de forma a se organizar e lutar com corpo e mente por um mundo mais justo e melhor. Não digo nem humano, pois, na verdade, somos demasiados humanos, como diria Nietzsche. Por isso somos tão falhos, frágeis e até mesmo inconseqüentes. Estudiosos como: Nietzsche, Schopenhauer, Karl Marx, Engels, Bourdieu, Simone de Beauvoir, Hanna Arendt, Sartre, entre outros, cujas preocupações centrais estavam focadas num mundo melhor, menos medíocre, como o que vivemos hoje, sem dúvida, parecem não mais existir. Quanto a Universidade, essa carece de mais comprometimento com os destinos da humanidade. Mas, o que percebemos, é o vazio das discussões e de propostas que realmente contribuam para a melhoria das condições de vida do nosso povo, salvo, evidentemente, algumas exceções. Para onde vamos? O que queremos de fato? Parece até que brincamos de viver, de estudar e de fazer algo diferente das regras e normas do mercado e dos interesses de uma classe hegemônica. Necessitamos de conhecimento, mas não apenas do tipo tecnicista, com foco em habilidades e competências para reproduzir a sociedade desigual. Precisamos de emprego, trabalho e renda, mas não do tipo que nos escraviza, nos humilha, destrói e envergonha. Precisamos de escola e de universidades, mas que façam por onde favoreçam a capacidade de pensar criticamente e de perceber as necessidades da matéria e do espírito. Precisamos de professores e de estudantes capazes, atentos, com coragem e determinação para proporcionar ambientes de leituras e de discussões, com criticas e problematizações, de modo a criar novas oportunidades e perspectivas para uma sociedade verdadeiramente democrática, livre e decente. É preciso construir e não destruir. Não podemos viver constantemente sob o prisma do consumismo, buscando saciar a sede do que por sua natureza é insaciável. A maior riqueza que a humanidade pode construir é o conhecimento, no seu sentido mais amplo do termo. Precisamos inovar, mas não na mesma lógica da desvalorização da vida, calcada no mercado, impregnada de fúria e fome de riqueza material e total desvalorização do ser. É preciso ser e não apenas ter. É preciso saber lutar com dignidade, com respeito à vida e aos direitos humanos. Precisamos de paz, não de religiões anacrônicas, cujos líderes se aproveitam dos mais humildes e desesperados. Precisamos de Deus, no sentido mais puro e digno do termo, diferente de tudo o que já foi dito e exaltado. Carecemos de ouvir a nossa própria voz. Carecemos da capacidade de pensar, mas não na ótica iluminista, da razão instrumental. É preciso saber pensar, aprender e partilhar.
Escrito por João Nunes da Silva às 09h38
[]
[envie esta mensagem]
[link]
SOCIEDADE DE RISCOS II
Cada dia que passa mais se percebe que vivemos num mundo cada vez mais arriscado, complexo e indiscutivelmente indiferente as reais necessidades humanas. Digo isto porque são vários os problemas que enfrentamos e, todos, criados pelo ser humano e sua capacidade de utilizar da razão para a destruição. Igualmente, percebemos que as ações humanas, ligadas as instituições, não respondem as nossas necessidades, muito pelo contrário, nos colocam em situações de incertezas e até de revoltas. Se considerarmos, por exemplo, que vivemos numa sociedade de organizações e, conseqüentemente, ninguém assume responsabilidade por nada, especialmente quando se trata de ações e de atitudes que, indubitavelmente, prejudicam indivíduos e coletividades, logo nos damos conta da paranóia que vivemos. As ações que marcaram o mundo pelo seu poder de destruição: as bombas atômicas atiradas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki, as torturas e assassinatos e desaparecimentos de inúmeros presos políticos, provocadas por militares nas ditaduras instaladas na América Latina, os estados totalitários como o nazismo e o fascismo, as diversas guerras e conflitos; são exemplos da capacidade destruidora humana. A forma como o mundo caminha precisa urgentemente ser revista pelos seus principais responsáveis, ou seja, nós humanos, pois, corremos o risco de manter uma sociedade por muito tempo em ritmo alucinante, de estresse e de destruição. A chamada sociedade das organizações tem criado situações as quais conduzem ao vazio quanto a necessidade de solução dos conflitos gerados. A ciência foi colocada no pedestal, como a principal forma de reger as nossas vidas, de forma que a impessoalidade passou a ser a marca registrada do nosso cotidiano, especialmente quando precisamos de algum serviço para atender as nossas demandas, no que se refere à saúde, educação, ou mesmo aos serviços básicos como: telefonia, energia elétrica, internet, entre outros. Nesse sentido, vivemos numa pseudo-segurança e na ilusão de que o mundo assim é melhor. O resultado é nossa insatisfação constante,o stress a paranóia para atender os ditames do mercado, a ganância pelo lucro e pelo poder. Sem dúvida,o fator mais preocupante diante de tudo isso é perceber a falência do modelo educacional, dede à escola básica, até o ensino superior. É que não temos uma educação para pensar e que permita a capacidade de reflexão e de análise crítica do mundo a nossa volta. Apenas é priorizada a lógica institucional para atender as demandas do mercado. Nesse tipo de sociedade, se algo dar certo para todos, tudo bem,porém, se não foi para todos, a culpa recai no próprio indivíduo. No caso de alguma ação que porventura tenha sido extremamente prejudicial ao ser humano, como nas torturas e assassinatos provocados por representantes do Estado, como a polícia, ou alguma organização da sociedade, geralmente o sujeito praticante da ação não leva a culpa, pois apenas agiu em cumprimento de ordens superiores. Se esse é o caso, quando se procura os superiores para esclarecimentos, geralmente não se encontra. Qual a saída, então, para a nossa sociedade? Que futuro melhor poderemos vislumbrar? A depender do modelo educacional vigente, seguramente não se encontrará saída.
Escrito por João Nunes da Silva às 20h56
[]
[envie esta mensagem]
[link]
SOCIEDADE DE RISCOS
A sociedade de riscos é um termo utilizado por cientistas sociais, como Ulrich Beck (1992), quando se referem ao modo de vida estabelecido no mundo, especialmente a partir da modernidade, com a industrialização e as tecnologias. Sim, vivemos num mundo complexo, perigoso e cada vez mais impessoal e desumano. Com certeza você leitor já deve ter passado por alguns momentos na vida em que se viu perdido, sem ter a quem reclamar o que lhe é de direito. Vou esclarecer. Por exemplo, o serviço telefônico que temos hoje é uma prova da complexa rede instituída pelas organizações, cujos donos existem, mas são intangíveis. Isto porque se você tem algum problema prá resolver em relação a sua linha telefônica, serviços de internet, entre outros similares, se quer de fato a solução, precisa recorrer a alguém. Mas quem é esse alguém? Serão os atendentes do Serviço de Atendimento ao Cliente? Será a ouvidoria da empresa? Ou será a Anatel? O Procon?. Certamente você deve ter a resposta enquanto ler essas linhas, não? Ah, qualquer um desses pode ajudar no que precisa. Talvez você até tenha definido que a Anatel é a melhor solução, ou a Procuradoria do Consumidor – Procon. Ok, pode ser que sim ou pode ser que não, como diria Caetano Veloso. É isso mesmo, embora tenhamos um menu de opções, corremos um sério risco de nenhum desses resolver a situação. Esse é o risco, pois, dependendo do imbróglio que você se encontre, é possível que não haja solução num curto período que você espera. Isto porque fazemos parte de uma sociedade marcada pela impessoalidade, conforme já afirmei anteriormente em outro artigo. Mas, porque será que é assim? Nos perguntamos, afinal, estamos num Estado de Direito, de forma que é só reclamar, provar e, finalmente, ter o problema solucionado. Nada disso, pois, prá começo de conversa os atendentes do SAC são treinados, isso mesmo: treinados, conforme modelo skineriano, que significa domado, incutido, mecanizado, robotizado e impessoalizado, extraído a capacidade de reflexão. Por exemplo, quando você liga prá reclamar da sua conta telefônica, prá começo de conversa é preciso que se disponha a esperar por tempo indeterminado para ser atendido por alguém do outro lado da linha. Aí, de repente percebe algum ruído na linha e vem uma mensagem prá você apertar alguma tecla, conforme seja o seu assunto. Isso se você for atendido. Em seguida, finalmente respira, pois, alguém fala uma frase feita do tipo: obrigado por nos ligar, em que posso ajudar senhor (a). então você feliz da vida começa a relatar o seu problema de forma que, quando menos espera, ouve: um momento, vou passar para o setor responsável. Você até imagina que logo terá seu problema resolvido, mas não. Isso depois de uma eternidade de espera, pois toda espera não deixa de ser uma eternidade, e, quando se trata de telefonia, você sente na pele, no estomago e tudo mais. Como se não bastasse, alguém atende novamente e pede que você conte sua história, isto é, seu problema. Enfim, termina a ligação e você fica a espera de que tenha feito algo produtivo ali. Os dias passam, e nada. Digo isso porque já passei por esses imbróglios e, até hoje, o serviço de telefonia, pelos menos prá mim, não foi capaz sequer de enviar a fatura para minha residência, pois, depois que me mudei, pasmen! os técnicos vieram, instalaram o telefone, mas, a conta continua indo para outra casa. Que maravilha de serviço! Pois bem, essa história não é só minha, mas de centenas de pessoas que precisam de algum serviço do tipo relatado, porém, como não existe dono, uma figura física com quem falar prá resolver de fato, seu problema talvez não seja solucionado por um longo tempo. Essa é a sociedade das organizações, dos riscos, onde só temos deveres a cumprir, inclusive com assinaturas de contratos unilaterais. Vivemos numa sociedade de riscos, pela crueza da racionalidade industrial e tecnocrática. A sociedade positivista, cientificista, marcada pela égide do capital, da ilusão da liberdade pelo consumismo, da ilusão de que o sistema político burguês resolva algum dos nossos problemas individuais e coletivos, onde os riscos são distribuídos. Vivemos no vazio das ideologias, incapazes de explicar os problemas gerados pela imbecil racionalidade positivada e seus desafios e de atender nossos anseios por um mundo melhor.
Escrito por João Nunes da Silva às 11h56
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Tributo a Mercedes Sosa
Desde cedo, quando já iniciava minhas primeiras reflexões sobre a vida, o sentido da vida, do ser humano e de suas angustias, aflições e lutas, me dei conta que não há nada mais importante do que pessoas e coisas, sem as quais, teríamos um mundo muito mais difícil, e, por que não dizer, impossível de viver. Refiro- me a coisas como um bom livro, a poesia, os romances que nos transportam para a realidade da difícil trajetória humana no planeta e, principalmente, a música, digo as mais belas e puras canções que acalentam o espírito e nos proporcionam momentos de prazer, de paz e de felicidades, além de reflexões diversas. Falo da música como a produção do espírito, que nos aproxima dos deuses, nos eterniza e proporciona paz. Essas linhas que escrevo surgiram por impulso, movidas por emoções e ternura, além de gratificação pela beleza que as vozes dos cantores, da esteira de Mercedes Sosa, nos proporcionam. Sim, escrevo para homenagear essa grande cantora, interprete dos sofrimentos e sonhos dos povos da terra, especialmente os latino-americanos. É que nesta manhã de domingo acordei com a noticia de que falecera Mercedes Sosa, La negra, como era apelidada, devido à forte cor dos seus cabelos longos e lisos. Tal noticia me entristeceu, embora já se preparasse para esse dia. Fiquei triste por saber que não poderemos ter mais novas interpretações dessa belíssima artista. Mas sei que o seu legado não foi em vão e que suas músicas, mais do que nunca, serão ouvidas nos quatro cantos do mundo, especialmente pelos corações aflitos e injustiçados em razão da hipocrisia dos “poderosos”, os pretensos “donos do mundo” da esteira dos loucos totalitaristas, ditadores e medíocres. A música de Mercedes Sosa, se constituiu, antes de tudo, na voz dos sofridos e injustiçados. Sem dúvida, uma das importantes vozes da América Latina, não somente pelo seu timbre, pela sua potencia, mas sim, pela mensagem deixada por cada palavra cantada, pela emoção da interpretação pela defesa dos menos favorecidos. Foram muitas as canções interpretadas por essa artista argentina, as quais emocionaram o mundo e emocionam até hoje os corações mais ternos, simples e puros. Dentre as suas várias canções, destaco: Gracias a La vida, Todo cambia, So le piedo a Dios. Mercedes Sosa também gravou e dividiu palco com cantores brasileiros, como Beth Carvalho (com a canção so Le piedo a Dios), Milton Nascimento, Fagner, Silvio Rodrigues, entre outros. Além de emprestar sua voz para interpretar a vida e os sonhos dos povos latino-americanos, ela foi uma ativista política de esquerda e fez da sua voz nos discos e nos palcos, a voz da luta pela defesa dos povos. Em razão de suas canções, foi alvo de repressão, especialmente nos anos 70, quando da Ditadura Militar instalada na Argentina. Mercedes Sosa nasceu em 9 de julho de 1935, em Tucumán, na Argentina, tendo nos deixado, portanto, com 74 anos. Mas, com certeza, trata-se de uma artista que se eternizará pelo legado deixado através de suas canções e da sua belíssima voz.
Escrito por João Nunes da Silva às 11h35
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Educação e negócio
Não sei como é para a maioria das pessoas, quando param e pensam numa instituição de ensino; desde a escola até a Universidade, o meu sentimento sempre foi o de um grande respeito; algo como um campo sagrado do saber. Para mim, até hoje, não mudou esse pensamento. Mas, por outro lado, não vejo o mesmo por parte de muitos. Muito pelo contrario, vejo que as coisas têm mudado muito, de modo que a educação tem sido cada vez mais, um grande negócio. Na verdade, o ensino tem sido desvalorizado de todas as formas possíveis, a começar pelos maus gestores, por alunos e pela sociedade, de forma geral. Prá começo de conversa, não devia ser uma obrigação, mas um prazer, estudar, ensinar e aprender. Na conta da obrigação, tudo vira um grande problema, de modo que o que mais é deixado de lado é o principal, ou seja, o conhecimento. Quisera tudo fosse diferente e que alunos e professores se reunissem com o maior prazer para estudar, discutir as diferentes idéias e teorias, contextualizá-las, de forma a extrair mais conhecimentos e gerar novas atitudes em prol da sociedade. É lamentável que não seja assim. Quando estudava, na escola, por exemplo, embora não me dedicasse tanto, o lugar do conhecimento, a partir dos professores e dos livros, era motivo de orgulho; e isso carrego até hoje. Quando comecei então a atuar como professor, vi que a coisa era muito diferente do que pensava, a começar dos diretores até os estudantes. A primeira escola que lecionei foi um grande aprendizado, apesar de que foi decepcionante ver como a direção tratava o ensino e a nós professores; lembro de uma cena que não me saiu da cabeça até hoje, ao ver a diretora da escola com uma bandeja de bolinhos e de suco para levar a uma equipe de avaliadores ligados a secretaria da educação do estado. O que me indignou não foi o fato de se ter bolinhos e sucos, mas foi perceber a forma pejorativa e mercantilista da diretora, a qual deixava muito clara a sua percepção de educação como um negócio. Ou seja, não interessava a discussão apresentada pelos avaliadores, mas em como tê-los a seu favor para aprovar a escola e seus interesses; é lamentável. Hoje vejo que não tem sido diferente, quando se refere ao ensino universitário, pois, quando se fala de avaliação, para autorizar ou reconhecer cursos junto ao MEC, cansei de ver comportamentos e mentiras deslavadas com o intuito de convencer os avaliadores a aprovarem os cursos. Vejo que a educação virou um grande negócio, cujo interesse central é o lucro, em detrimento do conhecimento. Já vi determinadas faculdades que contratavam professores mestres e doutores somente para cumprir a cota exigida pelo Mec, mas, quando os avaliadores iam embora, logo a maioria dos professores contratados era demitida; outro disparate é a instituição usar nosso currículo, inclusive nos chamar para reunião para autorização de cursos, depois, quando o curso é aprovado, outro professor é chamado para dar aulas. Isso é vergonhoso. Isso é só uma pequena demonstração da educação como um negócio. É claro que nem todos são assim, pois sei de pessoas maravilhosas (professores, gestores e alunos) que acreditam no que fazem e fazem muito bem. Mas, com certeza, muita coisa precisa mudar, especialmente a postura de grande parte de gestores, de professores e de alunos.
Escrito por João Nunes da Silva às 16h38
[]
[envie esta mensagem]
[link]
MUNDO IMPESSOAL
Você lembra do romance “O Processo”, de Franz Kafka? A história toda se passa mostrando um indivíduo que foi condenado sem saber por que, e ele chega até a assumir a culpa, só não sabe de que. Essa ficção tem tudo a ver com o mundo moderno, pois vivemos numa sociedade a qual a cada dia se torna mais complexa, impessoal e, portanto, desumana. Podemos dizer até que nos perdemos no turbilhão de afazeres de processos, de organizações, de atividades, entre outras coisas. Mas, o pior de tudo isso é que não temos nem mesmo a quem reclamar, pois, por exemplo, quando precisamos de um serviço, tipo: telefone, internet, ou até mesmo comprar alguma coisa por meio de telefone, não temos com quem conversar de fato, a não ser escutar gravações infindas para sermos atendido por um determinado setor. O pior de tudo é quando precisamos reclamar e que não há uma pessoa para reclamar, a não ser departamentos, cujos indivíduos se comportam como máquinas, isto é: frios, técnicos, burocráticos, puramente formais. Dessa forma, por mais indignados que nos encontremos, não adianta chorar, principalmente a espera de uma compreensão por parte de quem está do outro lado da linha, uma vez que os atendentes são pagos simplesmente para se comportarem como máquinas, de modo que falam conosco como se estivessem fazendo mais uma gravação. Esses dias passei apuros à espera de uma solução para a minha internet que não funcionava, e que, aliás, ainda não funciona bem; é que precisei reclamar para arrumar e, durante dezenas de tentativas, a única resposta concreta que recebi é que logo estaria resolvido o problema, pois, uma equipe de técnico estava cuidando do assunto. Não adiantou nada, nem mesmo apelar para a Ouvidoria; até que resolvi reclamar junto ao Procon; já é a segunda vez que faço isso. O Caso só é resolvido mesmo dessa forma; aliás, parabenizo a equipe do Procon pelo belo trabalho que realizam. Em geral, o Serviço de Apoio ao Consumidor das diversas empresas só tem servido para tornar as coisas mais difíceis ainda, o que é uma pena; daí, o jeito é apelar para buscar outras saídas, como a Procuradoria do Consumidor. Às vezes me pergunto que tipo de sociedade construímos, pois, cada vez mais as relações sociais são fragmentadas, frias, calculistas, mesquinhas, entre outras mazelas que tornam a nossa vida um verdadeiro arremedo, uma loucura, à ponto de não termos a quem reclamar, pois, tudo é formalizado, impessoalizado, ou seja, sem vida. Diante dessa cruel realidade, se ao menos tivéssemos serviços de qualidade, talvez tivéssemos menos do que reclamar, embora nos tornemos meros objetos de um cruel sistema; nos tornamos em insetos qualquer, um escaravelho, como no outro livro de Kafka, isso mesmo, A metamorfose, em que um jovem acorda e se dá conta que virou um enorme inseto e, logo em seguida, é assassinado pelo próprio pai a chineladas, como fazemos com as baratas que nos aparecem. Nosso mundo é impessoal, a vida é impessoal, nossas histórias servem mais quando se tornam objetos de consumo, não importa a verdadeira razão. Tudo vira consumo, o prazer está no consumo, a ilusão de liberdade também.
Escrito por João Nunes da Silva às 01h33
[]
[envie esta mensagem]
[link]
O velho Taía
Há coisas e pessoas na vida que merecem o maior respeito e consideração, isto por vários motivos; um deles, é o aprendizado que recebemos gratuitamente. Fiz essa pequena introdução para falar do velho Taía, digo velho no sentido mais puro e terno da palavra; sei que para alguns, chamar uma pessoa de velha é imperdoável; mas não é dessa forma que vejo, pois, para falar numa pessoa que amamos, e que é idosa, não cabe aqui falar o idoso fulano de tal. Assim, tendo justificado o título do texto, quero dizer que o Velho Taía foi um dos grandes mestres da minha vida, do qual só tenho admiração e gratidão. Seu nome mesmo era Isaías, mas os sobrinhos só o chamavam de Taía, e eu me acostumei a chamá-lo assim. Ele deixou essa vida com mais ou menos 80 anos, digo mais ou menos porque ninguém sabia mesmo a sua idade, nem mesmo Seu Joaquim, seu irmão. ´ Essa história da idade já nos dá motivo para curiosidades, é que Taía sabia de tanta coisa, tinha tantas histórias e estórias que nos contava que, só mesmo uma pessoa que tenha vivido tanto era capaz de nos encher de alegria para escutá-lo. Muitas vezes, sentado na calçada da casa ele nos presenteava com histórias do tempo em que morou no Rio de Janeiro e que trabalhava para algumas pessoas que ele considerava muito, pois faziam parte da Elite política da cidade. Ele se orgulhava bastante de ter conhecido Brizola e outros políticos da época. Mas o que nos encantava mesmo era quando Taía falava de coisas relacionadas à religião; ele demonstrava muita fé e seguia piamente o catolicismo. Falava, por exemplo de um homem que conheceu que curava as pessoas simplesmente com reza. Um dia me falou de um homem que botava “olho gordo em tudo”, mas quando encontrou pela frente esse rezador, não teve outra, seu mau olhado desapareceu, pelo menos não fazia mais efeito para as pessoas que ele punha os olhos. Era devoto do Padre Cícero do Juazeiro, e ai de quem falasse mal de quem ele considerava santo. Falava das curas que o Padre Cícero realizou e das ajudas que esse santo já tinha dado a tantas pessoas, por isso que, para Taía, Padre Cícero era Santo mesmo e não tinha quem o contrariasse. Mas ele falava também de outras coisas, como estórias de Troncoso, das peripécias que já viu na vida, além de gostar muito de trabalhar, principalmente quando ele plantava o que gostava e do jeito que gostava. Isso mesmo, o Velho Taía era chegado a uma roça, de modo que até mesmo o quintal de sua casa não deixava de ter alguma coisa plantada: milho, feijão, jerimum, chuchu; até mesmo abacaxi e fumo já fizeram parte de sua plantação, ali mesmo, no oitão da sua casa, como costumava falar. À tardinha, Taía gostava de dá um cochilo na calçada, ao lado da casa, pois, era uma sombra gostosa que fazia prá quem quisesse dormir e sonhar, ali mesmo, naquele cantinho da casa. Quando ele saia de casa era prá encontrar seus amigos no Calçadão da principal rua do bairro. Ali ele se deleitava com as histórias dos outros colegas, além de contar as suas também;aliás, a maior parte do tempo que ficava no calçadão, era Taía que dava o tom da conversa, de forma que todo mundo o ouvia atentamente. À tarde que ele ficava no Calçadão, era uma verdadeira festa para todos que tinham o prazer de escutar e partilhar as anedotas e estórias do velho Taía. Outra coisa é que ele gostava muito de crianças e elas também demonstravam grande admiração por ele e por suas narrativas.
Escrito por João Nunes da Silva às 10h53
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Nossos Felinos
Há coisas na vida que não dá prá pensar sem o seu brilho e tudo aquilo que produz o mais puro sentimento de amor, de carinho e de suavidade. Por exemplo, a boa música, os bons livros, amigos, o prazer de ler e de escrever e os animais. Esses são, certamente, a pura obra da Divina Criação. É por isso que parei para escrever estas linhas, amparado por dois lindos felinos, o Bu e o Pingo; mas tem ainda o Zumbi e a Serena. Esses quatro são nossos verdadeiros e amáveis amigos. A Serena chegou em nossa casa ainda pequenina; ela adentrou a nossa porta como quem não quer nada e logo encontrou algo para se aconchegar: no caso, o carinho das minhas duas maravilhosas filhas e da minha sincera e querida esposa. Amo esses felinos,assim como amo minha esposa e filhas. Deles só tenho muita gratidão e, sempre que algo me tira do prumo, me incomoda ou me entristece, basta olhar um deles, na mais pura ternura e harmonia que Deus presenteou, que tudo se resolve. Seus nomes surgiram naturalmente, assim como surgem os nomes dos nossos filhos. O Bu tem uma personalidade terna e, ao mesmo tempo, arisca, típica de um gato de raça, muito embora seja um misto de raças. Quanto ao Pingo, tal nome surgiu pela sua natureza, com um pêlo que mais lembra a mistura de tintas preta e branca. Já o Zumbi, é uma homenagem ao grande guerreiro, líder do Quilombo dos Palmares, pois sua pele é negra, com apenas as patas brancas, que mais lembram dois pares de botas brancas. Por fim, a linda Serena, batizada pela minha filha mais velha, mas, também, sua personalidade é serena, além de ser hábil e inteligente, bem como, carinhosa, mas, quando necessário, não nega o seu lado de pequena fera; quisera seus filhos, falassem a nossa língua quando a incomodam, pois, assim, saberíamos o que diriam sobre sua mãe. Serena é uma gata de rua, mas que veio se acomodar em nosso lar, desde a antiga casa. Essa felina já tem mais de dois anos, considerando o nosso tempo de humanos. Sobre essa fêmea, é preciso dizer ainda que já passou por duas cirurgias, sendo uma para castração; antes disso, já teve duas crias; na primeira gerou os três até aqui descritos: Bu, Pingo e Zumbi. Na segunda cria teve cinco lindos filhotes, os quais, resolvemos doar. A outra cirurgia foi para resolver um problema de estomago. Dessa última, passou um longo período para recuperar-se. Além disso, em razão de suas estripulias, já teve um sério tratamento para curá-la de um corte que sofreu numa das patinhas, que quase resultou em problemas maiores, de modo que passou mais de mês para voltar ao normal. É isso; hoje aproveitamos ao máximo a companhia desses animais e, podemos dizer que aprendemos muito cada minuto que com ele convivemos. Às vezes chego a pensar: quisera sermos como os animais, os quais são puros e simples, assim como a natureza os fez. Infelizmente somos demasiados humanos que, na maioria das vezes, não sabemos usar bem o que chamamos de razão; dizem os pseudos inteligentes que é isso que nos faz diferentes e superiores aos animais, o que não deixa de ser mais uma prova da nossa inferioridade.
Escrito por João Nunes da Silva às 02h15
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Lembrança dos loucos
João Nunes da Silva. Doutorando em comunicação e cultura contemporânea, mestre em Sociologia, especialista em Metodologias e linguagens em EAD e professor da Unitins. E-mail: jnunes7@uol.com.br. Cada cidade ou lugar tem muitas historias e estórias a contar. Mas, o que vou reportar aqui é a mais pura verdade, como se diz por aí. Quando criança muitas coisas aconteceram que ficaram na minha memória, são historias alegres, tristes e, porque não dizer, divertidas, as quais merecem ser compartilhadas. Nos idos dos anos 70 e 80 uma das coisas que me marcaram foi a dos loucos da minha cidade; e, diga-se de passagem, qual cidade não tem uma história de louco? Se alguém disser que não, digo que essa cidade não existe. Pois bem, lembro-me de algumas figuras tais como: “ Pinta Cega”, Figueiredo, Roberto Carlos, Maria Tranca Rua, Zé Doido, Coceira, dentre os diversos que tive o privilegio de conhecer e de conviver com alguns desses. Pinta Cega era uma velha que andava nos ônibus da cidade, toda vez que ia às ruas, ela era motivo de piada, especialmente pelo fato de andar com um pedaço de pau, instrumento esse que era utilizado freqüentemente, sempre que alguém a incomodava com alguma pilhéria. Certa vez, numa dessas fúrias que a velha Pinta Cega tinha, tive a minha perna acertada em cheio, numa manhã de sábado, num dos calçadões da cidade; é que de tanto a incomodarem com pilhéria e insultos, a velha não teve dúvida, girou a sua bengala numa velocidade que veio parar nas minhas pernas. Com o ato, gritei de dor ao ser alcançado pela fúria da velha senhora. Na época eu vendia jornal e, no calçadão da Rua Venâncio Neiva, em Campina Grande, era o ponto favorito para as pessoas se encontrarem, tomar um cafezinho quentinho e, de quebra, rir, insultar e incomodar os menos afortunados, especialmente de juízo. Quanto a Roberto Carlos, o próprio nome já diz tudo; é que ele vivia cantando músicas do rei, sempre com algum pedaço de pau na mão, o qual lhe servia de microfone. A forma como cantava fazia todo mundo rir. Às vezes, em pleno sol da tarde, ele ficava de pé, em cima de um banco de praça, cantava, sorria e era aplaudido. O curioso é que não tinha afinação nenhuma e não sabia nenhuma das letras, mas cantava como podia, inventava, de modo que não deixava de ser engraçado. Outra figura interessante era o “Coceira”; esse era, na verdade, um catador de lixo que vivia pelas ruas da cidade sempre feliz com sua carrocinha prá juntar papel. Certo dia ele apareceu com as pernas toda pintada, pois, tinha achado uma lata de tinta verde e resolveu pintar-se e sair pelas ruas. Vivia se coçando o tempo inteiro, mas nada o deixava triste. Figueiredo era um velho senhor que vivia sempre munido de um cassetete de madeira, cuja principal utilidade desse instrumento era ser apontado para o alto, enquanto ele gritava o nome do Presidente Figueiredo. O seu grito parecia mais um eco, pois repetia constantemente, às vezes aos berros – Figueireeeeeeeeeeeeeeeeeeeedo. Isso mesmo, era assim que ele gritava, de forma que o “E” era quase infinito, até que o velho ficava quase afônito. Desses loucos, sei que já não existem mais, apenas recordações, umas tristes e outras alegres. Quando morava ainda em Campina Grande, fiquei sabendo que Roberto Carlos e o Coceira foram encontrados mortos, assassinados pelos marginais.
Escrito por João Nunes da Silva às 23h22
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Educação a distancia é coisa séria
João Nunes da Silva. Doutorando em comunicação e cultura contemporânea, mestre em Sociologia, especialista em Metodologias e linguagens em EAD e professor universitário E-mail: jnunes7@uol.com.br. Educação a distância é coisa séria, muito séria, assim como todas as coisas que devem ser sérias. Para que se tenha uma educação de qualidade é preciso considerar os aspectos diversos que favorecem o conhecimento e a capacidade crítica; isto se dá não só por meio de estudos, mas também com o apoio de profissionais e gestores comprometidos com a formação do cidadão de forma integral. Ou seja, não se trata apenas de um computador e de um conjunto de disciplinas para serem cumpridas. A possibilidade de estudar a distância não é de hoje; se reparamos bem, uma simples leitura de um livro não deixa de ser uma forma de EAD; quando um livro é aberto, depois lido e estudado, tem-se ai uma conexão entre o pensamento do autor e o receptor e, por sua vez, uma ampliação do conhecimento, especialmente quando alguém lê e discute ou mesmo fala sobre o que leu para os seus colegas. Agora, imagine com a facilidade com que as tecnologias nos permitem hoje, quando podemos combinar TV, internet, rádio, CDs, DVDs, além dos telefones celulares, entre outras mídias? É claro que podemos proporcionar um modelo de educação a contento para o crescimento dos indivíduos e das sociedades. Tudo o que está ao nosso alcance para a realização da EAD deve sempre ser utilizado com o devido respeito e comprometimento com uma educação de qualidade. Não é muito difícil quando se tem uma percepção de uma educação para a emancipação intelectual e material das pessoas. Também não é tão complicado a ponto de se ignorar as exigências da sociedade quanto a uma formação profissional, mas, também, no que se referem às exigências legais para serem atendidas , tais como: espaço, material, acompanhamento, tecnologias e profissionais qualificados. Em termos simples, me refiro à capacidade para atender um determinado contingente carente de formação especifica e geral, adequação as exigências legais para a oferta de cursos a distância, capacidade tecnológica, recursos humanos e financeiros suficientes, e, principalmente, diálogo com os professores e alunos quanto aos percursos e entraves de forma transparente. Como diz um importante juiz de futebol, “a regra é clara”. Se no futebol é assim, na educação o cumprimento as regras também não é menos importante, muito pelo contrário.
Escrito por João Nunes da Silva às 23h16
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Paradigma, razão e ilusão
O ser humano, conforme já tenho afirmado anteriormente, é uma empresa complexa, difícil de convivência, e se acha muito importante perante as outras espécies e até mesmo aos seus pares. Para viver, precisamos de um mínimo de orientação; dái o uso de artifícios místicos, religiosos e ilusórios, além da ideologia e de modelos ou padrões para nos conduzir no mundo. As pessoas não conseguem viver sem algo que acreditam, pois, assim, a vida se tornaria insuportável. Assim, surgiram as grandes idéias e teorias que se tornaram fundamentais para os indivíduos, os grupos sociais, as instituições e organizações. Na Idade Média, por exemplo, predominava a visão teocêntrica, de modo que não se admitia qualquer idéia ou ação contrária ao que a Igreja considerava importante; os dogmas eram tidos como absolutos, verdades inconfundíveis e que não deveriam e nem poderiam ser colocados em questão. Com o Renascimento, o paradigma religioso chega ao fim, de modo que o homem passa a ser visto como o centro das atenções; o ser humano é tido como sujeito, questionador e criador de idéias, de técnicas, de métodos e ações que, definitivamente, questionavam o paradigma religioso. Mais adiante, novas idéias e ações surgem, como o Iluminismo, por exemplo, cujo principio é a razão como elemento central, capaz de levar o ser humano a acreditar que, finalmente, a felicidade é possível, basta utilizar a razão, a objetividade e a criatividade, para , enfim, criar um novo mundo. As revoluções: industrial, francesa e americana, por exemplo, são frutos da razão humana colocada em prática. Mas, como se sabe, essa razão, tão propalada pelos iluministas, não trouxe tanta vantagem para a maioria, e muito menos a felicidade, como imaginavam: as guerras, as destruições em massa, as ditaduras, as torturas e assassinatos, são exemplos do mau uso da capacidade racional do homem. Os campos de concentração, seja de direita, como foi da parte do Nazismo na Alemanha, ou de esquerda, como foi o Stalinismo na Russia, demonstraram verdadeiros absurdos, inadmissíveis. Tudo foi feito em nome da razão. Ainda hoje se faz absurdo em nome de modelos, de idéias, da ciência e da racionalidade. E hoje somos reféns do mercado, iludidos com a idéia de que a capacidade de consumir, de comprar sempre mais e melhor, nos torna livre, potentes, importantes, como se fossemos melhores do que as outras espécies e do que nossos semelhantes. Os fatos e as péssimas condições de vida da maioria da população mundial, demonstram que estamos no caminho errado. A destruição do planeta, a violência, a corrupção, as guerras, a fome e a miséria, demonstram que a razão tem sido muito mais usada para a destruição. Mas poderia ser diferente sim, especialmente se todos admitirem o obvio: que somos frágeis, e que precisamos do outro para viver bem e melhor.
Escrito por João Nunes da Silva às 23h39
[]
[envie esta mensagem]
[link]
E O MUNDO NÃO ACABOU
Quando menino acreditava em coisas do tipo estórias de Trancoso, personagens folclóricos, como a mula sem cabeça, o Saci Pererê, entre outros. Nesses últimos, incluo algumas coisas do tipo o fim do mundo, inclusive com data marcada e tudo. Isso me incomodava tanto que até chegava a não dormir, tamanha era a minha preocupação. Pois bem, veja que historia tenho para contar; é que lá em Campina grande, tinha uma seita conhecida como os “Borboletas Azuis”, nome esse que surgiu porque os seus fiéis se vestiam de azul e branco; usavam uma roupa, que nada mais era do que dois lençóis que cobriam o corpo, e se assemelhavam aquelas vestimentas do tempo de Jesus. O fato mais interessante que sucedeu com esse grupo é que o líder desses religiosos afirmou ter recebido uma mensagem, diretamente de Nossa Senhora , isso mesmo, a mãe de Jesus, dizendo que o mundo ia se acabar, e que já tinha até mesmo o dia marcado para grande acontecimento, alem do que, seria com água; o dia seria 13 de maio de 1980. Quando eu soube dessa história fiquei atônito, com mil perguntas que me surgiam e uma grande preocupação; é que era muito novo ainda e apesar de tudo, já sabia até o dia em que o mundo chegaria ao fim. Lembro que não tinha gozado praticamente nada na vida, até mesmo porque vivia trabalhando numa serigrafia; isso para ajudar a minha família. A minha preocupação maior, é que não tinha televisão lá em casa; isso era uma coisa que me deixava inquieto, pois vivia na porta da casa de Dona Marlene ou na de Dona Dinda, somente para assistir os desenhos animados e os filmes de bang bang. Mas, saber que o mundo ia se acabar e não ter tido o prazer de ver uma TV em minha casa, era, sem dúvida, uma grande preocupação. Com essa história do fim do mundo, lembro ainda que algumas pessoas, embora não quisessem admitir, também ficaram com medo de morrer nesse dia, conforme profetizado por Roldão Mangueira, o líder do qual falei. Outra história engraçada foi quando Roldão Mangueira, juntamente com alguns seguidores, dias antes do Juizo final profetizado, resolveu que iriam atravessar o Açude Velho, o maior açude da cidade; sim, mas era sem nada, somente por cima da água, conforme fez Jesus no dia da Tempestade que viveu com seus discípulos. Isso foi outra loucura que resultou em risadagem pela cidade.E, quanto ao Juízo final, sabe em que seu deu mesmo? Choveu um dia antes e outro depois do dia anunciado e nada do mundo se acabar. Finalmente pude ter uma TV em casa. Que maravilha!
Escrito por João Nunes da Silva às 21h21
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
 |
 |